Archive for the 'Fiódor Mikhailovich Dostoiévski – Фёдор Миха́йлович Достое́вский' Category

a travessia da fantasia

2018, dezembro 12, quarta-feira

eu buscando tipos. busca cognitiva…

o cuidado com o laço / se solta / separar / se aperta / morre. separar do outro / a fantasia do outro / a fantasia de nós / construção psíquica…

DAS LEITURAS DO DIA:

A travessia da fantasia na neurose e na perversão ¹  Crossing of fantasy in neurosis and in perversion por Marco Antonio Coutinho Jorge

Por que alguns homens não conseguem ser sinceros? | Christian Dunker

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«Existem nas recordações de todo homem coisas que ele só revela aos amigos. Há outras que não revela mesmo aos amigos, mas apenas a si próprio, e assim mesmo em segredo. Mas também há, finalmente, coisas que o homem tem medo de desvendar até a si próprio…» (Dostoiévski)

«Todos os sonhos são assustadores, porque são íntimos. São o que temos de mais íntimo. A intimidade é assustadora» [em A Sociedade dos Sonhadores Involuntários, de José Eduardo Agualusa]

download«Leio páginas tantas vezes lidas, mas elas são já outras. Erro ao ler, e no erro, por vezes, encontro incríveis acertos. No erro me encontro muito, Algumas páginas são melhoradas pelo equívoco». [em Teoria Geral do Esquecimento, de José Eduardo Agualusa]

auri sacra fames

2018, outubro 12, sexta-feira

auri sacras fames, por Eduardo Giannetti

«(…) Que sonhar coletivamente esteja cada dia mais difícil, como negar? Mas daí a acreditar que tudo isso seja um traço singular da nossa época ou possa ser atribuído a vagas explicações holísticas, há uma enorme distância.
Como antídoto dessa atitude, tomo a liberdade de convidar o leitor a percorrer esta breve antologia da história do pensamento -clássico, cristão e moderno- sobre um tema que é tão perene quanto humano, demasiado humano: a paixão imoderada pela riqueza. Meu intuito é oferecer um rasgo de perspectiva histórica e, quem sabe, insuflar a perplexidade.

“Estar satisfeito com a nossa própria riqueza é a maior e mais segura riqueza… Nada é mais revelador de um espírito pequeno e mesquinho do que o amor à riqueza; nada mais honorável do que desprezar o dinheiro se você não o possui, mas dedicá-lo à beneficência se você o possui”. (Cícero, séc. 2 a.C.)

“Quando surgiu a propriedade e o ouro foi descoberto, a força e a beleza perderam muito do seu brilho. Pois não importa quão belos ou fortes sejam os homens, eles em geral seguem atrás do mais rico”. (Lucrécio, séc. 1 a.C.)

“Quem liga para a reputação se consegue agarrar seu dinheiro?” (Juvenal, séc. 1 d.C.)

“O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. (S. Paulo, séc. 1 d.C.)

“Toda riqueza provém do pecado. Ninguém pode ganhar sem que alguém perca. Se o pecado não foi cometido pelo atual proprietário da riqueza, então a riqueza é produto do pecado cometido por seus antepassados. (S. Jerônimo, séc. 4 d.C.)

“O ouro é uma coisa maravilhosa! Seu dono é o senhor de tudo o que deseja. O ouro faz até mesmo as almas entrarem no paraíso.” (Colombo, 1503)

“Os ingleses têm pouco que desvie sua atenção do trabalho ou que diminua o domínio que têm sobre eles aquela propensão que é a paixão dos que não têm qualquer outra e cuja satisfação compreende tudo que eles imaginam como sendo sucesso na vida -o desejo de tornar-se mais rico. (J. S. Mill, 1848)

“O comércio é natural e, portanto, vergonhoso. O menos vil de todos os comerciantes é o que diz: `Sejamos virtuosos, já que assim ganharemos mais dinheiro do que os tolos desonestos’. Para o comerciante até a honestidade é especulação financeira. (Baudelaire, 1864)

“Por toda parte parece estar se espalhando algum tipo de droga, um comichão para a devassidão. As pessoas tornaram-se sujeitas a uma distorção de idéias sem precedentes, uma idolatria em massa do materialismo. Por materialismo, neste caso, refiro-me à idolatria do dinheiro pelas pessoas, à adoração do poder inerente a um saco de ouro. Subitamente parece ter ocorrido às pessoas a noção de que o tal saco contém todo o poder e que tudo o que lhes foi dito e ensinado até o presente por seus pais é bobagem… Repito: alguma coisa saturada de materialismo e ceticismo está se espalhando pelo ar, uma adoração do ganho fortuito, do desfrute sem trabalho. Toda fraude, toda vilania é perpetrada a sangue frio; as pessoas são assassinadas para que se roube, nem que seja um rublo, dos seus bolsos. (Dostoievsky, 1876)

“Um utiliza pesos falsos, outro põe fogo na casa depois de fazer um bom seguro, um terceiro falsifica moedas e três quartos da mais alta sociedade se dedicam à fraude lícita, tendo só ações e especulação na cabeça: o que os impele? Não a necessidade, pois seus negócios não vão mal… O que os aflige e impele, dia e noite, são uma terrível impaciência diante da lentidão pela qual seu dinheiro se acumula e um prazer igualmente terrível diante do dinheiro acumulado… Os meios utilizados pelo desejo de poder são outros, mas o mesmo vulcão continua ardendo e o amor desmesurado reclama o seu sacrifício. O que antes se fazia `por amor a Deus’, faz-se hoje por amor ao dinheiro, quer dizer, em nome daquilo que agora dá a máxima sensação de poder e boa consciência. (Nietzsche, 1881)

“O impulso à aquisição, à busca do ganho, do dinheiro, da maior quantidade possível de dinheiro, não tem nada a ver com o capitalismo. Tal impulso existe e tem existido entre garçons, médicos, artistas, cocheiros, prostitutas, funcionários desonestos, soldados, nobres, cruzados, apostadores e mendigos. Pode-se dizer que ele tem sido comum a todos os tipos de homens, de todas as condições, em todas as épocas e países do planeta, onde quer que a possibilidade objetiva dele exista ou tenha existido. (Weber, 1920)

“Quando a acumulação de riqueza já não for mais de alta importância social, haverá grandes mudanças no código de ética… Estaremos, então, em condições de ousar atribuir ao motivo-monetário o seu verdadeiro valor. O amor pelo dinheiro… será reconhecido pelo que ele é, uma morbidez bastante repulsiva, uma dessas propensões semicriminosas e semipatológicas que se conduz com um arrepio para os especialistas em doenças mentais. (Keynes, 1930)

“Aquilo que o homem atual típico deseja conseguir com o dinheiro é mais dinheiro, com o objetivo de ostentar e sobrepujar àqueles que eram até então seus iguais… Mais do que isso: fez-se do dinheiro a medida aceita da inteligência. Aquele que ganha muito é esperto; aquele que não, não é. Ninguém gosta de ser visto como um tolo. (Bertrand Russell, 1930)

“Quem compreender o macaco fará mais pela metafísica do que Locke. (Darwin, anotação solta, 1856)»

nuestra intención ya no fué más que un viejo recuerdo…

2015, julho 22, quarta-feira

karamazovnão li quase nada de dostoiévski. mas senti vontade de ficar colando imagens bacanas com fragmentos de textos também bacaninhas. *** li um pouquinho mais de boas… «Qualquer pessoa que tenha vivido com tribos primevas, que tenha partilhado as suas alegrias e tristezas, as suas privações e abundâncias, que veja nelas não apenas objetos de estudo a serem examinados, como células a um microscópio; mas seres humanos pensantes e com sentimentos, concordará que não existe uma ‘mente primitiva’, um modo de pensar ‘mágico’ ou ‘pré-lógico’, mas cada indivíduo numa sociedade ‘primitiva’ é um homem, uma mulher, uma criança da mesma espécie com o mesmo modo de pensar, sentir e agir que qualquer homem, mulher ou criança da nossa sociedade. – Franz Boas, prefácio de Arte Primeva, 1927 [1938].» franzBoas-hilo e abaixo um comentário… [ps: eu expressei essa ideia mais de uma centena de vezes ao longo de minha formação enquanto cientista social e professor de sociologia, mas em nenhuma delas com essa síntese bacana, quase poética, como neste comentário do colega Julio Gothe «Vale registrar que provavelmente o primeiro a dizê-lo (que padrões éticos não devem ser vistos como universais, mas como estilos de enfrentamento ao cosmos) foi o próprio Boas, que foi quem “inventou” o conceito de culturas, assim com o plural e sem o C maiúsculo. Antes dele só havia Cultura contra Selvageria, a Europa versus o Mundo, dicotomias calcadas em um Evolucionismo cultural de cunho pseudo-Darwiniano (ver Gobineau, Tylor, Morgan, Spencer, etc.). Mas o relativismo de Boas é como a relatividade de Boas, ou seja, há sim um valor que é intercultural: a solidariedade ou o respeito à diferença (que ele chama de Herzenbildung – o cultivo do coração). Nesse sentido é que somos iguais, não por sermos idênticos em gênero e grau, mas por fazermos parte de um conjunto de mesmo valor, a humanidade. Em todos os grupos humanos há pessoas com o coração cultivado e pessoas com o coração selvagem, conforme suas próprias circunstâncias.» *** mauss link para o vídeo: Mauss Segundo Suas Alunas; Video realizado pelas Profas. Dras. Carmen Silvia Rial e Miriam Pillar Grossi, respectivas coordenadoras do Núcleo de Antropologia Audiovisual e Estudos da Imagem (NAVI) e do Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS), vinculados ao Laboratório de Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).   *** ps: anotei mais um fragmento de poesia,que não consegui concluir hoje. estou sentindo-me mais afiado… preciso tomar cuidado com o que sai de minha boca. ps 2: rever meus territórios. meus hábitos. minha sina. compor um novo fado. e por energia em coisas que façam sentido e despertem meu corpo… chega dessa espera. e como disse o poeta, quedar-se sem dívidas sentimentais – se é que é possível. acho que chegou a hora de ter aquela conversa com meu primo e: ou ele resolve aceitar a ajuda e vai buscar acompanhamento médico para a dependência ou vaza da minha casa. há outras notas… mas ficam para outro dia.