Archive for the 'Flora Süssekind' Category

vê se ti liga; táish pensandu u que da vida, ólha pra frente, caminhas que chegas lá.. tú sabes né?!

2018, dezembro 30, domingo

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1/5 da montanha que me cerca…

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o ruim de não estar na sua casa, é que você, de certa forma tem que confraternizar com as visitas do anfitrião. e colaborar na limpeza da casa… se o papo ainda fosse bom ou útil… mas dessa gente que vê silvio santos e vai no culto… não tenho saco nem pra familia, quanto mais pra visita alheia… vou me esconder no meu quarto.

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ontem, visitei o passado, ando nostálgico… confesso que é uma forma de não ficar no futuro… e nem viver o presente (duro e mal pago). passatempo que trás coisas boas… mas por vezes te leva pra lugares dificeis. tentei reconstruir 2006, para além dos fragmentos contidos aqui, e vi como foi um ano intenso – e profundo, por muito do que sou hoje, vem gravado desses dias…

mas foi sobretudo, um ano muito dolorido. acho que foi o ano que mais chorei em toda a minha vida… há cortes muito profundos, que ainda sagram até hoje.

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e batata… acordei hoje com uma sensação estranha… sabe quando a gente acorda depois de sonhos dificeis, os tais nightmare, pesado, daqueles onde a gente corteja de forma aberta e declarada a morte, e que nos deixam um gosto amargo e estranho na memória e no peito… voltei a dormir… minha vontade de ver pessoas sumiu. dormi quase o dia inteiro.

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a ainda essa gente estranha na casa… tenho voltande nenhuma de socializar. vontade de ver ninguém.

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agorinha… só agora, ouvi a mensagem que me enviaram pelo zap no natal: e ela dizia mais ou menos assim…

ô boca mole, vê se te cuida. continua assim guri bom ishtudiosu… trabalhado tu chegash lá.. para di sê tolô, segue reto toda vida, seu boca mole, ishtepô, arrombado, vê se ti liga… Táish pensandu u que da vida, olha pra frente, caminhas que chegas lá.. tú sabes né?!

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coisas que descobri hoje:

«exumando a dissensão» e o «exocet»

nightmare…

dia 28 fez 45 anos do strike on skylab 4

o adeus de fellini

objetos verbais não identificados

2018, dezembro 26, quarta-feira

eu simplesmente estou tão pilhado… que não consigo dormir.

3h21-3h57 -> deitado, mas a mente voando.

Next Year // Two Door Cinema Club // I don’t know where I am going to rest my head tonight / So I won’t promise that I’ll speak to you today / But if I ever find / Another place / A better time / For that moment I was never what I am // Take me to where you are / What you’ve become / And what you will do when I am gone / I won’t forget, I won’t forget // Maybe someday you’ll be somewhere / Talking to me as if you knew me / Saying  I’ll be home for next year, darling / I’ll be home for next year // In between the lines is the only place you’ll find / What you’re missing but you didn’t know was there / So when I say goodbye you must do your best to try / And forgive me this weakness / This weakness // ‘Cause I don’t know what to say / Another day / Another excuse to be sent your way / Another day, another year // Maybe someday you’ll be somewhere / Talking to me as if you knew me /  Saying I’ll be home for next year, darling / I’ll be home for next year / And maybe sometime in a long time / You’ll remember what I had said there / I said I’ll be home for next year, darling / I’ll be home for next year / If You Think of me I will think of you…

9h46 o que: devo, preciso e quero. quando isso ñ bate e furo… com o outro e comigo. ñ é legal. ‘bora dormir novamente. pq ñ acordei… ñ fui. mas eu devia…

13h15 acordo com os dois gatos montando guarda diante do meu travesseiro. tentei tirar uma selfie para registrar… mas meu rosto vai por estes dias muito inchado e descascando… preciso de sol… de rua… de vida.

20h33 minha filha chegou.

continuo organizando os ficheiros… quase tudo ok. releio esse texto:

Objetos verbais não identificados: um ensaio de Flora Süssekind

seres extraños

2018, março 27, terça-feira

«Você vai encher os vazios com as suas peraltagens.
E algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos.»
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— Manoel de Barros, no livro “Poesia completa”. São Paulo: Leya, 2010

hoje pensei tantas coisas… no pouco tempo em que me mantive acordado. ontem, enquanto ela falava, eu mentalizava que aquilo era o tema da aula, não era diretamente para mim, e que a minha escolha por começar a minha fala daquela forma incompreensível foi só o acaso, fruto de uma leitura equivocada do momento… de ter tentado improvisar e não ter seguido o script que eu mesmo havia preparado… mas cada fala dela era um puta soco, porque fazia sentido, eu estava me enxergando no texto, minha nudez ali… senti-me como se tivesse levando uma surra e estava nu e ensanguentado bem na frente de todos aqueles calouros, e isto ficou martelando minha cabeça… o que (e para quem, e por que e se) estou tentando provar?… qual é o meu lugar? sei que é assim quase o tempo todo… nos envolvimentos amorosos, no trabalho, na primeira e nessa segunda graduação… por que existo?

há uma vontade enorme de quedar por cá, mas isto aqui não tem peso literário. são apenas recortes, de um sujeito obscuro e fantasioso. e por falar em sujeito, um aluno, ex-aluno, hoje, fazendo cinema, me convidou para participar do filme que o grupo dele está preparando em uma disciplina, para contar alguma história minha… ser um sujeito, um dos sujeitos no filme. e bem na verdade, é o segundo convite que recebo, via ex-alunos. e alguns alunos me fazem olhar de forma diferente para mim mesmo… principalmente estes que encontro depois de um tempo, distantes do território escolar… já seguindo suas vidas noutros campos, e posso redimensionar o impacto [mútuo] causado. no fim, todo os humanos valem, e como humano, eu valho algo, muitas vezes mais do que imagino. mas o que valho? por que outros percebem coisas em mim que eu insisto em não perceber. quase sempre vejo a parte obscura… essa que dialogo todo instante… essa que está aqui… e me faz neste instante um pouco suicida, não letal (neste momento), mas moral… pensando seriamente em não ir pra aula amanhã, em dar um foda-se em tudo… e nem fiz nada que deveria ter feito (obrigatórias, ou mínimas… eram quatro: corrigir os trabalhos dos alunos, preparar o roteiro das aulas de amanhã; ler o texto para teoria literária e fazer o exercício de linguística)…eu não fiz nada. estou cansado… e ainda há toda uma quarta-feira e uma quinta-feira pela frente. e ainda sobre o quanto valho, me recordo dos papos da outra semana… no bar, eu com um puta tesão, mas me segurando… contendo meus demônios, porque o sexo, o prazer é libertador… mas eu sou uma caixa de pandora… melhor estar só, deixar fluir, seguir, aparentemente, calmo. não me machucar e nem machucar ninguém. e isto é uma das vantagens da solidão… mas como é bom expressar isto, na mesa… não abertamente esse lance do sexo, mas falar sobre outros sentimentos, como estar só, de ter medo de ir afrente nas relações (amorosas e outras), medo de voltar atrás, de ser contraditório e imperfeito, de ser frágil, ansioso…

ir se desnudando na mesa do bar é gostoso. queria beber agora, alguém?

queria sentir qual é o meu aroma?

e antes de ir dormir… porque estou cansado demais e para lembrar depois… e  estudar um pouco mais… e quem sabe aprender

***

bora montar a trilha sonora do dia:

Y empezar a ver mejor que están buscando esos seres extraños

Caetano Veloso – Um ComunistaCaetano Veloso – Milagres Do PovoBomba Estereo – Pa’ RespirarBomba Estéreo – El Alma y el CuerpoCaetano Veloso – TigresaBob Dylan – Mr Tambourine ManPerotá Chingó – Seres ExtrañosPerota Chingo – El tiempo está despuésPerota chingo – Ando Ganas;

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um sítio de livros e um cartão… minha obsessão:

Os Meios de Comunicação Como Extensões do Homem – Marshall McLuhan
Lógica do Sentido – Col. Estudos 35 – Gilles Deleuze
Mimesis – Col. Estudos 002 – Erich Auerbach
Cinematógrafo de Letras – Literatura , Técnica e Modernização no Brasil – Flora Süssekind
A Amiga Genial – Série Napolitana – Elena Ferrante
História de Quem Foge e Quem Fica – Elena Ferrante
Cosmos – Carl Sagan

 

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ps: alguns notas que estavam nos rascunho

12h00 nota #1. ressaca, física e moral. estou desorientado.

tenho que sair já. tenho um monte de coisas por fazer. se não der… não deu bicho. take easy.

faltei hoje.

coletei isto – de Rupi Kaur

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e o oráculo (vênus na casa doze) está dizendo para eu sumir… e me amar.

e outra citação para fechar [ou iniciar] a jornada

«No soy pobre, soy sobrio, liviano de equipaje, vivir con lo justo para que las cosas no me roben la libertad.» Pepe Mujica