Archive for the 'Fotografia' Category

será que perdi a manhã esperando o técnico da vivo?!?

2019, fevereiro 5, terça-feira
Jardim de fazenda com girassóis, c. 1912

Farm Garden with Sunflower, 1912

O Nome dos Gatos

«O Livro dos Gatos» de T. S. Eliot

«Dar nome aos gatos é um assunto traiçoeiro,
E não um jogo que entretenha os indolentes;
Pode julgar-me louco como o chapeleiro,
Mas a um gato se dá TRÊS NOMES DIFERENTES.
Primeiro, o nome por que o chamam diariamente,
Como Pedro, Augusto, Belarmino ou Tomás
Como Victor ou Jonas, Jorge ou Clemente
– Enfim nomes discretos e bastante usuais.
Há mesmo os que supomos soar com som mais brando,
Uns para damas, outro para cavalheiros,
Como Platão, Admetus, Electra, Demétrio
Mas são todos discretos e assaz corriqueiros
Mas a um gato cabe dar um nome especial
Um que lhe seja próprio e menos correntio:
Se não como manter a cauda em vertical,
Distender os bigodes e afagar o brio?
Dos nomes desta espécie é bem restrito o quorum,
Como Quaxo, Munkunstrap ou Coricopato,
Como Bombalurina, ou mesmo Jellylorum…
Nomes que nunca pertencem a mais de um gato.
Mas, acima e além, há um nome que ainda resta,
Este de que jamais ninguém cogitaria,
O nome que nenhuma ciência exata atesta
SOMENTE O GATO SABE, mas nunca o pronuncia.
Se um gato surpreenderes com ar meditabundo,
Saibas a origem do deleite que o consome:
Sua mente se entrega ao êxtase profundo
De pensar, de pensar, de pensar em seu nome:
Seu inefável afável
Inefanefável
Abismal, inviolável e singelo Nome.»
Trad: Ivan Junqueira

Do álbum: será que perdi a manhã enquanto esperava?!? vivo.

meu tio da américa

2018, dezembro 10, segunda-feira

peito em febre.

acordo cedo.

mate, chamego no cão, sofá e tevê.

aleatoriamente «mon oncle d’amérique». um filme francês de 1980, do gênero drama psicológico, dirigido por Alain Resnais. inspirado nas teorias do professor Henri Laborit, médico, biólogo e pesquisador do comportamento humano (behaviorista).

Roteiro: Henri LaboritJean Gruault

[PS leia a excelente crítica sobre o filme feita por Amanda Aouad Almeida do cinepipocacult]

meu-tio-da-america-03

«DOIS ANOS MAIS TARDE. QUINTA-FEIRA, 4 DE OUTUBRO DE 1979

Colocamos um rato numa gaiola… com dois compartimentos…  ou seja, um espaço separado|por uma divisória com uma porta… em que o chão está eletrificado, intermitentemente. E, antes que a eletricidade passe pelo chão, um sinal previne o animal… de que, em 4 segundos a corrente vai passar. A princípio ele não sabe… Percebe depressa, mas de início fica inquieto. Rapidamente vê a porta aberta e passa para a divisória ao lado. O mesmo volta a acontecer alguns segundos depois. Ele aprenderá também muito rapidamente… que pode evitar o pequeno choque elétrico nas patas… passando para o compartimento da gaiola, onde estava a princípio. Este animal, é submetido a esta experiência… durante uns 10 minutos por dia durante 7 dias seguidos… ao fim desse 7 dias… está em perfeitas condições.  Saúde perfeita. Pelo suave… pressão arterial normal. Ele evitou, através da fuga, a punição. Conseguiu prazer. E manteve o seu equilíbrio biológico.  O que é fácil para um  rato numa gaiola… é muito mais difícil para o Homem em sociedade. Certas necessidades foram criadas… por essa vida em sociedade, desde a infância. e raramente pode, para satisfazer essas necessidades… recorrer ao combate quando a fuga se revela ineficaz.  Quando dois indivíduos|têm objetivos diferentes… ou o mesmo objetivo… mas competem pelo mesmo objetivo… há um vencedor e um perdedor.  Se estabelecerá uma dominação… de um dos indivíduos sobre o outro. A procura da dominação num espaço a que chamamos… território… é a base fundamental… de todo o comportamento humano, embora não estejamos conscientes das motivações. Não há um instinto de propriedade, nem um instinto para dominar. Há apenas a aprendizagem, do sistema nervoso de um indivíduo… da necessidade de conservar à sua disposição um objeto ou um ser que seja desejado… invejado… por outro ser. Já dissemos que não|somos mais do que os outros. Uma criança selvagem, abandonada longe dos outros… nunca se tornará um homem. Nunca aprenderá a falar, ou a andar. Se comportará como um animalzinho. Através da linguagem, o Homem tem sido capaz de transmitir de geração em geração… toda a experiência que acumulou durante milhões de anos. Ele já não pode, há muito tempo, assegurar a sua sobrevivência por si próprio. Ele precisa de outros para poder viver. Ele não sabe fazer tudo, não é politecnista. (…) a sobrevivência do grupo está ligada… ao ensino desde criança… daquilo que é necessário para funcionar em sociedade. Ensinamos a não fazer cocô nas calças,|a fazer xixi na privada. Depois, rapidamente, ensinamos|como ele deve se comportar… para que a coesão do grupo possa existir. Ensinamos o que é belo, o que é bom… o que é mau, o que é feio. Dizemos o que deve fazer… e punimos ou recompensamos… independentemente da sua própria busca do prazer… punimos ou recompensamos… de modo que a sua ação… esteja conforme as necessidades de sobrevivência do grupo. Está quente… Cuidado! Vai se queimar. Vê como gira? Sente-se direito! Aperte a mão da senhora. – Repete comigo: “U.S: go home!”|- U.S. go home. Um, dois, segundo, três, quatro… tem quatro dedos!  Estamos começando a perceber como nosso sistema nervoso funciona. Só há uns 20 ou 30 anos… é que somos capazes de compreender. Como à partir de moléculas químicas que constituem a base… se estabelecem conexões nervosas, que serão programadas… }impregnadas, pelo condicionamento social. E tudo isso, num mecanismo inconsciente. Em outras palavras, os nossos impulsos e automatismos culturais… serão mascarados pela linguagem, pelo discurso lógico. “Morrer pelo país|é um destino tão grandioso… que legiões implorarão uma morte tão bela.” “A raça branca, a mais perfeita das raças humanas… habita sobretudo na Europa, na Ásia Ocidental… Norte de África e América.” Portanto…  15 francos por um primeiro lugar… 10 francos por um segundo… 5 francos por um terceiro… e a partir do quarto… um pontapé no traseiro! (…)  Assim, a linguagem ajuda a esconder a causa da dominância… para mascarar o mecanismo que estabelece essa dominância… e a convencer o indivíduo que, ao trabalhar para o coletivo social… realiza o seu próprio prazer. Embora geralmente não faça mais… do que manter posições hierárquicas… que se escondem por detrás de álibis linguísticos. Álibis fornecidos pela linguagem, que servem de desculpa.

Nessa segunda situação… a porta entre os dois compartimentos está fechada. O rato não pode fugir. Vai, portanto, passar por uma punição que não pode escapar. Esta punição vai provocar nele um comportamento de inibição. Ele aprende que qualquer ação é inútil, que não pode fugir nem lutar. Inibe-se. Esta inibição, acompanhada no Homem, pelo que chamamos de angústia… é também acompanhada, no seu organismo, por profundas perturbações biológicas. Se um micróbio está presente no ambiente… embora, normalmente,  as defesas funcionassem… estão inibidas, e ele pega uma infecção. Se há uma célula cancerosa, que, normalmente, seria destruída… vai produzir um câncer. E todas essas desordens biológicas desencadeiam… aquilo que chamamos de doenças da “civilização”, ou psicossomáticas. As úlceras no estômago, a pressão alta… a insonia, a fadiga… o mau-estar.

Na terceira situação… o rato não pode fugir. Irá receber a mesma punição… mas será confrontado com outro rato… que será seu adversário. Nesse caso, ele vai lutar. Este combate é absolutamente inútil… não permitirá evitar a punição. Mas ele vai agir. O sistema nervoso é feito para agir. Este rato não vai apresentar qualquer problema patológico… como os que vimos no caso anterior. Vai ficar em excelentes condições… embora tenha recebido a mesma punição. Mas, no caso do Homem… as leis da sociedade|normalmente proíbem… essa violência defensiva. O operário que vê diariamente… o encarregado que odeia… não pode lhe partir a cara. Acabaria na prisão. Não pode fugir, ficaria sem trabalho. E, todos os dias da semana, todas as semanas do mês… todos os meses, às vezes, durante anos… está impedido de agir. O Homem tem diversas  maneiras de lutar… contra este impedimento da ação. Pode recorrer à agressividade. A agressividade nunca é gratuita. É sempre uma resposta… ao impedimento da ação. No aliviamos, numa explosão agressiva… que raramente compensa, mas que, no funcionamento do sistema nervoso, é perfeitamente explicável.

(…) Assim, como dizíamos… uma pessoa, numa situação em que a ação é impedida…  se esta se prolonga, vai afetar a saúde… as perturbações biológicas consequentes… não causarão apenas… o aparecimento de doenças infecciosas… mas também o comportamento a que chamamos de “doenças mentais”. Quando a agressividade não se exprime contra os outros… pode ainda exprimir-se contra si próprio, de duas maneiras: somatizando, ou seja, dirigindo a agressividade sobre o estômago, deixando um buraco… uma úlcera… ou para o coração e as artérias, causando hipertensão arterial… por vezes, mesmo lesões agudas… que conduzem a doenças cardíacas brutais…. enfartes, hemorragias cerebrais; ou desenvolvendo alergias ou crises de asma. A outra forma de orientar a agressividade… contra si próprio, de uma forma ainda mais eficaz… é o suicídio!  Quando não podemos dirigir a agressividade para os outros… podemos ainda ser agressivos com nós mesmos.»

***

plano da tarde:

matear na praia, com a minha mãe e minha filha.

e tirar fotos

***

MATILDE CAMPILHO

Matilde Campilho
Escute lá
isto é um poema
não fala de amor
não fala de cachecóis
azuis sobre os ombros
do cantor que suspende
os calcanhares
na berma do rochedo
Não fala do rolex
nem da bandeirola
da federação uruguaia
de esgrima
Não fala do lago drenado
na floresta americana
Não diz nada sobre
a confeitaria fedorenta
que recebe os notívagos
para o café da manhã
quando o dia já virou
Isto é um poema
não fala de comoções
na missa das sete
nem fala da percentagem
de mulheres que se espantam
com a imagem do marido
aparando a barba no ocaso
Não fala de tratores quebrados
na floresta americana
não fala da ideia de norte
na cidade dos revolucionários
Não fala de choro
não fala de virgens confusas
não fala de publicitários
de cotovelos gastos
Nem de manadas de cervos
Escute só
isto é um poema
não vai alinhar conceitos
do tipo liberdade igualdade e fé
Não vai ajeitar o cabelo
da menina que trabalha
com afinco na caixa registadora
do supermercado
Não vai melhorar
Não vai melhorar
isto é um poema
escute só
não fala de amor
não fala de santos
não fala de Deus
e nem fala do lavrador
que dedicou 38 anos
a descobrir uma visão
quase mística
do homem que canta
e atravessa
a estrada nacional 117
para chegar a casa
ou a algum lugar
próximo de casa.

PEDRA EXPLODIDA 
NA MÃO DO MONGE

Matilde Campilho

Penso em astronautas
não penso em árvores chinesas
penso na contagem dos cabelos
não penso em punhais
disfarçados de arma desportiva
Penso em camisas vermelhas
em minha camisa vermelha
com um pequeno buraco
na zona lombar
Penso no êxodo
dos vendedores de picolé
nas migrações pendulares
penso em garrafas vazias
penso em tanques de guerra
penso em jabuticaba & acarajé
Penso no rosto e nos braços
da cantora de Santo Amaro
penso em pipas e em meninos
soltando pipas.

The ABC of Love, Léonce Perret, 1923.

[ps… no final do dia… a surpresa… mesmo eu tendo jogado a toalha e não feito uma das avaliações da disciplina… passei em teoria literária… no limite. estou devendo um semestre para meus colegas de grupo, principalmente o carlos, por terem deixado meu nome no trabalho, mesmo eu não tendo respondido nenhuma questão. ou a cláudia, prof, que arrendondou minha nota pra cima pelo meu desenvolvimento na metade final do semestre… mas enfim, não importa, o que importa é que alguém me salvou nesse jornada de cursar mais um semestre de teoria literária… ]

foco rapaz… faça por você e pelos outros… o que os outros tem feito por você.

 

jubiabá

2018, novembro 26, segunda-feira

3h59 notas para ler/ver

Jubiabá / Jorge Amado; posfácio de Antônio Dimas. — São Paulo : Companhia
das Letras, 2008.

Jubiabá / Direção: Nelson Pereira dos Santos / 1986 ‧ Drama/Romance ‧ 1h 40m

***

19h27. hora de ir… depois de um dia inteiro de trabalho pesado, não dei tempo para pensar em nada, apenas desembestei e fiquei mexendo nas coisas… encanamentos, aterros, deck…

Los Ángeles Azules – Nunca Es Suficiente ft. Natalia Lafourcade

***

 

21h00 – tomando nota – última aula do semestre de 2018/2.
«O sistema pós-industrial tem-se mostrado resistente aos mecanismos de luta modernos — sindicato, partido. Ao mesmo tempo gigantesco e diferençado, ele não forma um todo e não possui centro. Tendo pulverizado a massa numa nebulosa de consumidores isolados, com interesses diferentes, ele absorve qualquer costume, qualquer ideia, revolucionários ou alternativos. Pois é flexível e variado o suficiente para nele conviverem os comportamentos e as idéias mais disparatadas. Para vingar, mesmo as idéias anti-sistema deveriam entrar pelos meios de massa, serem consumidas em grande escala de modo personalizado, mas isto significaria tornarem-se mais uma mercadoria do sistema. O próprio Estado, que poderia ser um centro mortal, é antes um investidor na economia e na pesquisa, um administrador de serviços, um encarregado da defesa externa, em vez de ser, fundamentalmente, um aparelho de repressão política.
Desse modo, o circuito informação-estetização-erotização-personalização realiza o controle social, agora na forma soft (branda, discursiva), em oposição à forma moderna hard (dura, policial). O consumo e atuação no cotidiano são os únicos horizontes oferecidos pelo sistema. Nesse contexto, surge o neo-individualismo pós-moderno, no qual o sujeito vive sem projetos, sem ideais, a não ser cultuar sua auto-imagem e buscar a satisfação aqui e agora. Narcisista e vazio, desenvolto e apático, ele está no centro da crise de valores pós-moderna. (pp 30-31)» SANTOS, Jair Ferreira dos. O que é Pós-Moderno. São Paulo: Brasiliense, 2004. – Coleção primeiros passos; 165) 22ª reimpr. da 1ª ed. de 1986.

kosuth

Ficha Técnica – Relógio (um e cinco):
Autor: Joseph Kosuth 
Coleção: Tate 
Ano: 1965 Técnica: Relógio, Impresso e Fotografia em prata coloidal

47271

1979/82)

holzer-19

Jenny Holzer. Untitled (Don’t Talk Down to Me), from Inflammatory Essays (Jenny Holzer #1998.914.10) prints, offset lithograph.

 

Marilyndiptych

Andy Warhol. Marilyn Diptych (1962). Acrylic paint on canvas

Marilyn 1974 by James Rosenquist born 1933

James Rosenquist Marilyn 1974
Not on view [Lithograph. composition]

resize__575__575__5__set_images__BK_BLUM_EDITION

Barbara Kruger Untitled (we will no longer be seen and not heard), 1985. Nine framed lithographs

1e866a1701634c180431184c2b01ca8d

John Baldessari. Heel, 1986

UYbXUM-LL8Ax

Sherrie Levine, After Walker Evans, 1981 [photograph,
gelatin silver print]

download

Barbara Kruger. Untitled (We won’t play nature to your culture). 1983. [photograph,
gelatin silver print]

untitled-film-stills-62-1977

Cindy Sherman. Untitled Film Still #62, 1980.

071830e3854dd093a2b37db8e579561b4215cf00

Mary Kelly. Detail – Post-Partum Document, 1973-79 (Post-Partum Document is a six-year exploration of the mother-child relationship)
[Perpsex units, white card, sugar paper, crayon]

wang-guangyi-coca-cola (1)

Lithograph printed in colors on wove paper]


***

21h29 um espera, um demora, um erro, uma espera maior ainda, mas registro os musgos crescendo entre a fresta que separa o céu e o chão. registro o letreiro luminoso… e abestalhado, que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado, mas estou aqui, experienciado o que muitas pessoas não terão oportunidade… e dou-me conta que: eu faço letras.

22h05 faço poesia

[registro delas]

I. exercício sobre primeira e segunda natureza

nada morre na praia
nada é
nada e morre
desfôlego
nada na praia
nada e nada
na beira
no limite
quase do outro lado
quase nada, nada salvo
nada para o nado da volta.

foi assim (o fôlego),

que consegui.

II. como se fosse
fosse não ser
não fosse
o mesmo corpo
dolorido/violado
e o riso que insisto
triste ainda trago
é descabido
não te habita
não fosse
o mesmo corpo
sofrido/destratado
moído/triturado
nosso mito
o ser que não
não este corpo
é o mito
que habita
nosso ser
como se fosse
a gente não fosse
o mesmo corpo familiar
triste e doce,
habitando a hora
de abandonar-se
como se fosse
fosse não ser
um não fosse hipotético
um não fosse espectro
um corpo patético

III

ha um corpo podre
no caminho encarniça
a carne putrefa encarde o peito
a carne vísceras arde e expele
quem não mais há.

nota de rodapé:

DA ARTE COMO CONCEITO E DO CONCEITO DE ARTE: ready-made, espaço, tempo, significação, por Patrícia Maia