Archive for the 'Graciliano Ramos' Category

por que você compra livros?

[dom] 29 de dezembro de 2013

Dois pontos: * Por que eu compro livros? ** Caetano é gostoso demais.

Começando pela trilha sonora… Caetano é gostoso demais, mas como eu sou meio de lua, cheio dos tocs, capaz de passar um ano ouvindo somente um cantautor ou meses no repeat de uma música apenas… Além de minha formação cultural no seio da classe trabalhadora ouvidora de radiolas A.M. (Amplitude Modulation) recheada de sertanejos, pagodes e músicas bregas a la mass media… Mas como ávido sou por cousas novas e belas, e na interação com essa juventude, filhota da middle class, universitária, que vou aos poucos aprendendo a conhecer coisas novas e interessantes… Assim, vez por todas, resolvi baixar todos do caetano [e viva a rede torrente] e agora vou degustando aos poucos… muita coisa já ouvira nestes anos passados, conhecia e gostava… mas assim, vendo o conjunto da obra, a trajetória… muita coisa linda, de apaixonar.

Mas depois que Dona Izabel e Dona Luiza (brincando cá em casa – ocupando os pseudo-cômodos quarto-sala sem móveis – e tendo que aturar caetano no volume máximo) cansarem-se (e ensaiaram até uma revolta) de transa (1972), araça azul (1972) e qualquer coisa (1975). Passei para cê (2006) e onqotô (2005) em parceria com José Miguel Wisnik.

Enfim, é o resumo da ópera, o que faço diariamente… Leio, ouço caetano, dou uma de acompanhante para a terceira idade (dona maria, a vó) e adulto pseudo-responsável pelas meninas (filha e sobrinha) por parte da noite, afinal eu sou o único adulto que não trabalha nesta família-comunidade… O vagão vagal de trinta e poucos anos desempregado.

Mas o que motivou este texto foi uma email contendo uma promoção da Cosac Naify… Uma promoção de livros e a minha dureza miserável… Comprar livros é um vício. E livros por R$ 20,00 são tentadores. Escolhi dez. E na hora de comprar/pagar veio a questão profunda: Por que eu compro livros?! Esperarei até amanhã… Vou meditar.

E neste ano, reduzindo o cinema e, principalmente, a tevê do inicio do ano tenho lido mais – este era o objetivo. Tenho dedicado umas duas horas de leitura diárias – é pouco – e ando as voltas com dois livros:

victorsergeO Ano I da Revolução Russa – Victor Serge (que comprei em 2008) e barãomunchhausenAs aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen (que li em 2006, na graduação e agora faço uma releitura). Já deixei enfileirados os próximos trinta que irei devorar…

E lembrei que em julho eu fiz uma lista e daqueles ali, conclui apenas um até agora. Sendo que alguns eu parei logo depois e outros quase terminei… Terminarei nestas férias oxalá. E fazendo um inventário, neste ano li apenas quatro livros de cabo a rabo (Angústia de Graciliano Ramos; A mulher desiludida de Simone Beauvoir; Os 1o dias que abalaram o mundo de John Reed; e História concisa da filosofia – de Sócrates a Derrida, por Derek Johnson). Estou a terminar mais quatro (sendo que dois deles eu comecei em 2012). Mas enfim, as leituras para preparar as aulas tomam tempo e são fragmentárias… Preciso construir um sistema mais disciplinado que me permita ler, estudar, preparar aulas e ainda conseguir ler no mínimo dois livros por mês. E se se entrasse nesse ritmo ainda levaria uns cinco anos para ler todos os que já tenho… comprar dez livros seria no mínimo mais um ano de leituras… Talvez esteja chegando a hora de não comprar mais nada e vender todos. Só eu e meu esqueleto…

lágrimas pretas de piche

[qua] 14 de agosto de 2013

Amiúdes: Não editei o Jornalzine Sociológico #1 ainda. Lavei roupa. Não lavei a louça. Terminei a leitura de Graciliano Ramos. Não organizei os papéis. Limpei a sala. Não marquei médico. Estou cá a escrever…

Angústia – Graciliano Ramos. [o primeiro livro finalizado do ano]

“Preciso da condescendência dos outros? Sou alguma criança? Porque tinha ele suspendido a leitura e esbugalhava para mim aqueles olhos de mal-assombrado? Seria melhor destampar logo e declarar francamente que as paredes não necessitavam limpeza. De qualquer modo seria fácil um rompimento entre nós. Cada qual para o seu lado, cada qual com as suas idéias. Moisés levantava-se, despedia-se. Eu escondia as mãos nas cobertas, enrolava o pano debaixo do queixo e tremia, pedia-lhe com os olhos que não me deixasse só entre aquelas paredes horríveis. Agora Moisés me havia abandonado, e eu batia os dentes como um caititu. As paredes cobriam-se de letreiros incendiários, de lágrimas pretas de piche. As letras moviam-se deixavam espaços que eram preenchidos. Estava ali um tipógrafo emendando composição. E o piche corria, derramava-se no tijolo. Ameaças de greves, pedaços da Internacional. Um, dois… Impossível contar as legendas subversivas. Havia umas enormes, que iam de um ao outro lado do quarto; umas pequeninas, que se torciam como cobras, arregaçavam os olhinhos de cobras mostravam a língua e chocalhavam a cauda. As letras tinham cara de gente e arregaçavam os beiços com ferocidade. A mulher que lava garrafas e o homem que enche dornas agitavam-se na parede como borboletas espetadas e formavam letreiros com outras pessoas que lavavam garrafas, enchiam dornas e faziam coisas diferentes.” p. 220

angustia

[dom] 11 de agosto de 2013

“O isolamento em companhia de uma pessoa era mais opressivo que a solidão completa.”

Angústia (p. 196) de Gracialiano Ramos.

***

o sensação depressiva é leve. ainda tento, às vezes.

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hoje, levei minha vó para passear. visitei meus tios. e bebi uma garrafa de vinho barato sozinho. as pessoas estão próximas, mas me sinto só.

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e pergunto… é possível explicar a falibilidade?

 

cadê a barba

[seg] 8 de julho de 2013

esses humores, essas dores… na segunda-feira, na terça-feira e na quarta-feira cansei tanto que toda a reserva de humor para encarar a vida evaporou. pega isto tudo e coloca uma porção de dor na coluna, que vai e volta, e uma pitada de dente que inflamado; e lá vou eu entupir-me de drogas. e disto tudo deu uma vontade ficar guardado tão grande que só na sexta voltei a viver. estou ainda de ressaca por andar faltando tanto e não ter tesão algum para tocar as coisas básicas.

fora isto, ainda há o desprazer de ver  que a vizinha mandou o jardineiro limpar o seu terreno, dela, e uma parte do meu verde sumiu… os pássaros fugiram, o sol chegou, a tranquilidade de jade virou um cemitério de galhos e folhas mortas. e agora é uma casa toda vidrada, quase um edifício, um farol, olhando para minha toca todo dia… não gostei.

andei faltando bastante ao trabalho e fico me pergunto: qualé?! porque isto?! não é de hoje que faço isto, na graduação quando estava em crise andei faltando um tanto… mas a pergunta é: que crise é essa? e se o negócio for não ser professor… ser o quê carapálida? acho que é um pouco isto… porque o hoje sem olhar para o horizonte fica muito hoje e isto tudo é muito pesado.

fiz a barba porque estava cansado de olhar para a mesma cara cheia de pelos no espelho. o povo até apostou – ele tira ou não tira… dois anos sem raspar os pelos.

e viu.. nada de sentimentos do azul profundo, apenas a superfície metalizada deste homem lata. leio graciliano ramos e uma biografia sobre  volodia mayak.

este texto todo ‘tá uma bosta. o relógio já vai virar…

atualizei isto aqui ~~~~~~

e aquele projeto amiúde: como tantos outros que começo e abandono para começar outros que abandono para começar outros que abandono para começar outros que abandono para começar outros que abandono para começar outros que abandono  para começar outros… já era – está em modo apagand…

ps: antes de deletar lá, copio e colo cá: já terminei um, avancei bastante outros dois e os demais… empoeirados.

LISTA DE {re}LEITURAS NO MOMENTO [11/06/2013]:

#1. Mikhailov, Aleksandr Alekseevitch,  1905-1988. Maiakóvski — O Poeta da Revolucão. tradução Zoia Prestes. Rio de Janeiro: Record, 2008. 559 p. /estou na página 42.

#2. Saffioti, Heleieth Iara Bongiovani, 1934-2010. Gênero, patriarcado, violência. 1ºed. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2004.  152 p. (Coleção Brasil Urgente). / estou na página 52.

#3. Lênin, Vladimir Ilitch, 1870-1924. Imperialismo, estágio superior do capitalismo: ensaio popular. 1ª ed. – São Paulo: Expressão Popular, 2012. 176 p. / estou na página 14.

#4. Galeano, Eduardo H. 1940- . As veias abertas da América Latina. tradução de Sérgio Faraco. Porto Alegre, RS: L&PM, 2012. 400 p.; 18 cm (Coleção L&PM POCKET; v.900).  / estou na página 229.

#5. Peloso, Ranulfo (org.). Trabalho de base: seleção de roteiros organizados pelo CEPIS. São Paulo: Expressão Popular, 2012. 152 p. / estou na página 25.

#6. Novack, George, 1905-1992. Introdução à lógica marxista. tradução de Anderson R. Féliz. São Paulo: Editora Instituto José Luis e Rosa Sundermann, 2005. 120 p. / estou na página 40.

#7. Ramos, Graciliano, 1892-1953. Angústia. São Paulo: Folha de S.Paulo, 2003. 220 p. / estou na página 47.

#8. Fernandes, Florestan, 1920-1995. Nós e o marxismo. São Paulo: Expressão popular, 2009. 64 p. / estou na página 48.

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