Archive for the 'Guimarães Rosa – João Guimarães Rosa' Category

auto recado

[sex] 9 de novembro de 2018

RESPIRA FUNDO. NÃO SURTA.

«muitos temores nascem do cansaço e da solidão»

lê a desiderata. medita. ouve o som das aves e da água.

lembra de guimarães…

«o correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. o que ela quer da gente é coragem

refuse… resist… antifa

[seg] 8 de outubro de 2018

“E a gente raivava alto, para retardar o surgir do medo — e a tristeza em crú — sem se saber por que, mas que era de todos, unidos malaventurados.

[…]

Nonada. O diabo não há! É o que eu digo, se fôr… Existe é homem humano. Travessia.” João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas

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notas avulsas sobre fascismo

«O fascismo não é uma forma de poder de Estado ‘que se coloca acima das classes – do proletariado e da burguesia’ como diz, por exemplo, Otto Bauer [dirigente social-democrata austríaco]. Não é a ‘revolta da pequena burguesia que capturou a máquina do Estado’, como declara o socialista britânico Brailsford. […] O fascismo é o poder do próprio capital financeiro». Jorge Cadima. Fascismo: passado e presente 

«O. Paxton, em Anatomia do fascismo ( 2007), da mesma forma que Togliatti, afirma que o fascismo assumirá sempre a formas do seu tempo e da sua cultura e, portanto, não é um fenômeno específico da Itália, alimentando-se do ressentimento (orientado para um inimigo) e um líder carismático e autoritário ( “um mito”) que seja obedecido pelas massas.» Homero Costa. A permanência do fascismo

«Um artigo publicado por Florestan Fernandes, em 1981 (“Notas sobre o Fascismo na América Latina”), parece retratar o Brasil de 2017. Ele fala da longa tradição de fascismo potencial na América Latina, para lembrar que o “uso estratégico do espaço político”, sob a capa de uma democracia republicana e constitucional, permite distorções que comprometem a possibilidade real de um exercício democrático.
É justamente o “aparato normal da democracia burguesa” que viabiliza o estado de exceção, através de leis de emergência, decretos e, sobretudo, mediante uso da força repressora do Estado contra qualquer tentativa de oposição. A pseudo democracia serve, portanto, para impedir a verdadeira transição para um regime democrático, no qual a maioria realmente tenha voz e vez» Valdete Souto Severo. A pilhagem aos direitos trabalhistas e o fascismo no Brasil de 2017

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nota avulsa sobre moral

«Moral é uma prática, não uma teoria. Ou seja, não tem fundamento metafisico, é definida historicamente, de acordo com culturas e sociedades diversas. Algumas regras morais são mais comuns, se repetem em diferentes culturas, mas nunca são universais, durante toda a história e independentes de qualquer coisa. Apesar disso, quase toda moral tenta se impor como verdade absoluta e transhistórica, normalmente apelando a um deus ou vários e negando outras morais divergentes, que fazem o mesmo. As pessoas não costumam gostar de relativismo moral como esse, mas a vida é um absurdo. Isso não significa que todas as regras socialmente aceitas devam ser quebradas, pois algumas delas já estão internalizadas pelas pessoas e constam em um código de leis existente antes do nascimento do individuo.» Henrique Carvalho

***

e fechamos a noite com um 7 na prova de teoria literária e com uma bela sessão de:

HeptapodsAndScientists

00:53:57,969 –> 00:54:01,473
O 1º avanço foi descobrir que não há nenhuma correlação… entre o que um heptapod diz e o que ele escreve. Ao contrário das línguas humanas escritas, a escrita deles é semasiográfica. Ela transmite significado. Ela não representa um som.

Talvez eles vejam a nossa forma de escrita como uma oportunidade desperdiçada… preterindo um 2º canal de comunicação.

Somos gratos aos amigos no Paquistão pelo estudo de como os heptapods escrevem.

Porque, diferente da fala… um logograma não se prende ao tempo. Como sua nave ou seus corpos… sua língua escrita não tem uma direção para frente ou para trás.

Os linguistas chamam a isso de “ortografia não linear”.

O que suscita a pergunta:

É assim que eles pensam?

Se você quisesse escrever uma frase com as duas mãos a partir de ambas as direções… você teria que saber cada palavra que quisesse usar… bem como o espaço que elas ocupariam.

Um heptapod pode escrever uma frase complexa em dois segundos, sem esforço.

Levamos um mês para dar a resposta mais simples.

519
00:55:34,649 –> 00:55:35,650
Qual é o seu propósito na Terra?

[ Tradução: Monika Pecegueiro do Amaral ]

young dorrit

[sáb] 7 de outubro de 2017

acordei as 5h30

tive um ataque da ansiedade… 15 horríveis minutos.

7h40 perdi o busão.

7h45 ganhei carona.

8h25 cheguei na escola. gincana… show de talentos e finais esportivas… e conversas. das conversas… com paulo a indicação deste filme:

(Brasil, 1986, 14 min). Dir.: Jorge Furtado e José Pedro Goulart.

e depois… concentrei minha conversa com três pessoas

o assistente de direção (bene), um aluno do noturno (marcus) e uma aluna (agustina) do vespertino.

do primeiro… fiquei chocado com seus comentários homofóbicos. do segundo, ouvi duas músicas e conversamos por mais de uma hora, sobre preconceito, música, família, sonhos… e da terceira, ouvi, que as aulas de sociologia tem contribuído como inspiração… ela repensa seu futuro… me sinto meio sem chão… e conversamos sobre música, crítica cultural, solidão intelectual neste mundo tão acéfalo, sociologia… Sobre Guimarães Rosa e Hans Rookmaaker. e o codinome dela é young dorrit¹, mas sobre isto não conversamos.

ROOKMAAKER, H. R. A arte moderna e a morte de uma cultura.

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NOTA DE RODAPÉ

¹ talvez seja uma referência ao trabalho «A Pequena Dorrit» de Charles Dickens.

a coragem sua redobra e tresdobra, que até espanta

[seg] 18 de setembro de 2017

quase tive um surto de pânico hoje pela manhã.

respirar fundo. mentalizar… falar, mesmo que sozinho. você é um homem adulto, com saúde, com capacidade de trabalhar e pagar suas dívidas. tudo vai dar certo.

*

ontem pensava: estabelecer compromissos (me deixam em pânico). aquela mania de fugir.

*

recebi um comentário nessa postagem, hoje,

«O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.»

«Alguém estiver com medo, por exemplo, próximo, o medo dele quer logo passar para o senhor; mas, se o senhor firme aguentar de não temer, de jeito nenhum, a coragem sua redobra e tresdobra, que até espanta.» (p. 416)

«O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais.» (p. 458)

«Tu não acha que todo mundo é dôido? Que um só deixa de dôido ser é em horas de sentir a completa coragem ou o amor? Ou em horas em que consegue rezar?» (p. 603)

 

sobre exílios íntimos e outras ideias

[qua] 1 de março de 2017

a água do mate esquentou.

a arrumação de ontem trouxe uma inesgotável ranheira…

dormi as 4h30 (ou algo assim, porque acordei no meio disso com um grilo alucinando dentro do meu ouvido, literalmente). acordei era quase 8hoo. assim, pra começar o ano bem.

colo passagens minhas e alheias:

«Um homem que não teve seus silêncios,
o que teve na vida? É preciso
ter estado entre os outros, sozinho.» —  Geraldino Brasil

«Sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando, mas quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois.”  — João Guimarães Rosa, no livro “Grande Sertão: veredas» . Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988

***

«No piloto automático… olheiras nas aulas… dormindo em qualquer ônibus… precisando respirar… isso de 5 terceiros anos, 6 segundos e 11 primeiros vai me exigir um bocado. E a segunda semana de aula nem começou direito ainda…»   — Eu, há exatos um ano.

***

«O território é primeiramente a distância crítica entre dois seres de mesma espécie: marcar suas distâncias. O que é meu é primeiramente minha distância. Não possuo senão distâncias. Não quero que me toquem, vou grunhir se entrarem em meu território, coloco placas. A distância crítica é uma relação que decorre das matérias de expressão. Trata-se de manter à distância as forças do caos que batem à porta.»   — (DELEUZE, p. 127, 1997)

***

«Fixou o olhar em uma diminuta mancha escura na ponta dos dedos que tesouravam um cigarro. Deu um generoso trago aspirando a fumaça para os pulmões e lentamente a expirou, ainda olhando para os dedos: – Se vai continuar fotografando a minha vida, é preciso saber que eu estava feliz naquele quartinho. Porque, na verdade, eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas.»  (Mario Quintana em entrevista)

***

tarefas para logo mais: fixar porta e janela, limpar o outro quarto. // dar fim nos resíduos não orgânicos // peladar // preparar as aulas de logo mais // preencher professoronline? // …

autonomia… algo que está distante da escola.

[ter] 14 de abril de 2015

nota #1.

«Se há algo que os educandos brasileiros precisam saber, desde a mais tenra idade, é que a luta em favor do respeito aos educadores e à educação inclui que a briga por salários menos imorais é um dever irrecusável e não só um direito deles. A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética. Não é algo que vem de fora da atividade docente, mas algo que dela faz parte. O combate em favor da dignidade da prática docente é tão parte dela mesma quanto dela faz parte o respeito que o professor deve ter à identidade do educando, à sua pessoa, a seu direito de ser. Um dos piores males que o poder público vem fazendo a nós, no Brasil, historicamente, desde que a sociedade brasileira foi criada, é o de muitos de nós correr o risco de, a custo de tanto descaso pela educação pública, existencialmente cansados, cair no indeferentismo fatalistamente cínico que leva ao cruzamento dos braços. “Não há o que fazer” é o discurso acomodado que não podemos aceitar.» Paulo Freire. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. pág. 65.

Lembro desta frase em negrito pintada na parede da antiga APUFSC-SS. Quando saía do CFH/UFSC em direção a qualquer outra parte da ufsc. 2007/2008.

E com o passar do tempo e das experiências, a vivência desta frase impregnou-me. Hoje, lendo um fala de uma professora da minha escola, e o quão distante ela vai, desta frase aí de cima… Sinto uma tristeza e uma indignação por dentro. Que porra de mundo de merda é este. Que porra de professores nossas universidades formam? que porra de seres esse sistema constrói…

E isto me lembra uma conversa com um companheiro grevista lá de Blumenau sobre como a escola é um dos espaços privilegiados de alienação da juventude. E em que medida, a disciplina de Sociologia, reforça e/ou desconstrói isto. E daí, a questão: o quanto nós cientistas sociais críticos somos capazes dentro da estrutura da escola? Uma estrutura, que por n vias, reproduz o status quo. Alienando e fetichizando as relações.

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nota #2 e #3

it’s a long way…

a terceira margem

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terapia

[dom] 9 de março de 2014

E antes da cama virar e os dias nascerem e noite findar. cá, cansado e submerso num tumulto interior percorro o tempo-espaço e me recordo de Guimarães… o velho guimarães e seus fabricos… sabemos, tu e eu, velho guimarães, nenhum de nós dois… não fomos terminados… apenas afinamos e desafinamos nesta travessia, e é preciso coragem para estar nu no tempo.

e deixo uma canção… que o amanhã será longo.

catar-se

[qua] 30 de março de 2011

clareza. no quê? foco? prioridades? ir para aula? que aula? que textos? desleixo. como vc vai dar aula assim? tem horários. dias bons e dias ruins. blah. arruma ali. escreve lá. um mate. lê o jornal. e aqueles mais de cinqüenta não lidos? numa caixa. uma dia leva embora. outro mate. nem pense em queimar. talvez um por dia para a biblioteca. e a terra para composteira? e a roupa de molho. cuidado, olha a hora. pequenas pulsões… um caos sentimental. falta amor. sexo só não dá. viaja então. mas viajo já. e ‘tava tudo tão claro, tão certo, tudo no seu lugar só esperando para acontecer. e não acontece nada e tudo ao mesmo tempo pois a vida é mais ou menos como guimarães rosa disse:

«esquenta e esfria, aperta e ».

obsessões. não ceder tão facilmente ao desejo. esse desejo de dor e de morte – ah! lupicínio. exercitar-se no exercício de se dar a si mesmo e ao outro, seja este outro algum tempo ou alguém. quem? eu, tu, eles… nós. nós de todos nós. uma árvore ia dizer hoje cedo que era eu metaforicamente. e a cbn repete a notícia o dia inteiro. e durmo e acordo e fico com alguns trechos reverberando… tanta lágrima tanta lágrima e sou vaso vazio… e outros.

e cinco horas atrás… Atahualpa Yupanqui cantando e explicando a história de ‘Duerme negrito’ http://t.co/lZ3cask

eu levei minha alma pra passear…

[seg] 11 de maio de 2009

“eu levei minha alma pra passear”… “viver é um etcétera”, ou “viver é um descuido prosseguido”… [] PEDAÇOS DO DIA: [DESSAS COISAS ANOTADAS EM TUDO QUE É LUGAR PARA ALGUM DIA FUTURO… E QUANDO VAIS ARRUMAR A VIDA TE ENCONTRAS…] UMA FALTA GRAVE HOJE. UM CRONOGRAMA PARA POR ESSA ANSIEDADE EM ORDEM. UM POUCO DE GUIMARÃES ROSA E NAÇÃO ZUMBI.

Grande Sertão: veredas [ “viver é um descuido prosseguido” …………………… “tivesse medo? o medo da confusão das coisas, no mover desses futuros, que tudo é desordem. e, enquanto houver no mundo um vivente medroso, um menino tremor, todos perigam – o contagioso. Mas ninguém tem a licença de fazer medo nos outros, ninguém tenha. o maior direito que é meu – o que quero e sobrequero -: é que ninguém tem o direito de fazer medo em mim.” / João Guimarães Rosa ]

“eu levei minha alma pra passear” Single Bossa Nostra. Album Fome de Tudo. Nação Zumbi. 2007.

quem a gente gosta de conversar, do igual ao igual, desarmado…

[sex] 5 de dezembro de 2008

Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu…
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.

Mário Quintana

Amigo, prá mim, é só isto:
é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual ao igual, desarmado.

Guimarães Rosa

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