Archive for the 'Humberto Cavalcanti Teixeira' Category

kalu

[sáb] 6 de junho de 2015

sabe quando você demora para dormir porque tua cabeça está girando sem parar em muitos pensamentos… coisas que não deviam estar lá as três da manhã… algo do tipo que caminho seguir? como dizer as palavras? se sigo em silêncio ou se aceno?

***

e ai pela manhã, cedo, tu é acordado pelo toque do telefone. alguém te acordou e não foi teu despertador. você estragou tudo. você ferrou o dia… os planos, os compromissos. você se desencontrou de alguém. você dormiu demais no ponto. você perdeu. e desapontou… você furou algo que poderia ter sido bacana… certamente seria.

***

e então, de forma indolor, pragmática… já que não vou sair mais. e terei mesmo que pedir desculpas pessoalmente mais tarde. não vou ficar na fossa por cá não. vou é escrever este textinho, registrar isto. ter claro… que, as vezes, por querer ou não, eu sou esse cara que deixa as pessoas na mão… em furadas. mas sem me apenar… vou tirar para mim este dia, e por tudo em ordem… tudo que deixei de lado nestes tempos de greve. e tentar fazer desse dia algo mais pragmático e menos sonhador…

mesmo que minha cabeça insista em ficar girando e haja esse monte de coisas engasgadas aqui que precisam ser ditas…

***

tentei encontrar aquele trecho em que chico buarque canta humberto teixeira… para falar sobre as coisas tácitas, sobre nossas palavras ditas, não ditas, esperadas, e por serem ditas…

Kalu /// Composição: Humberto Teixeira // Kalu, Kalu / Tira o verde desses óios di riba d’eu / Não me tente se você já me esqueceu / Kalu, Kalu / Esse oiá despois do que se assucedeu / Com franqueza só não tendo coração / Fazê tar judiação / Você tá mangando di eu / Com franqueza só não tendo coração / Fazê tar judiação / Você tá mangando di eu /.

e lembrei desta canção aqui também: Que Nem Kalu.

ps: vou ali fora dar um giro no mundo… e quando voltar termino as notas que ficaram por publicar. e cada verbo encapsulado dentro de uma garrafa lançarei ao mar, desde esta ilha de única árvore, e seguirão, os verbos engarrafados rumo ao desconhecido… para o diálogo futuro com os seres de outros mares, doutras ilhas…

***

o sobre o diálogo gatuno {que tem me instigado um bocado}:

O GATO, poema de Mário Quintana

«O gato chega à porta do quarto onde escrevo.
Entrepara…hesita…avança…

Fita-me.
Fitamo-nos.

Olhos nos olhos…
Quase com terror!

Como duas criaturas incomunicáveis e solitárias
Que fossem feitas cada uma por um Deus diferente.»

ODA AL GATO, poema de Pablo Neruda

«Los animales fueron
imperfectos,
largos de cola, tristes
de cabeza.
Poco a poco se fueron
componiendo,
haciéndose paisaje,
adquiriendo lunares, gracia, vuelo.
El gato,
sólo el gato
apareció completo
y orgulloso:
nació completamente terminado,
camina solo y sabe lo que quiere.

El hombre quiere ser pescado y pájaro,
la serpiente quisiera tener alas,
el perro es un león desorientado,
el ingeniero quiere ser poeta,
la mosca estudia para golondrina,
el poeta trata de imitar la mosca,
pero el gato
quiere ser sólo gato
y todo gato es gato
desde bigote a cola,
desde presentimiento a rata viva,
desde la noche hasta sus ojos de oro.

No hay unidad
como él,
no tienen
la luna ni la flor
tal contextura:
es una sola cosa
como el sol o el topacio,
y la elástica línea en su contorno
firme y sutil es como
la línea de la proa de una nave.
Sus ojos amarillos
dejaron una sola
ranura
para echar las monedas de la noche.

Oh pequeño
emperador sin orbe,
conquistador sin patria,
mínimo tigre de salón, nupcial
sultán del cielo
de las tejas eróticas,
el viento del amor
en la intemperie
reclamas
cuando pasas
y posas
cuatro pies delicados
en el suelo,
oliendo,
desconfiando
de todo lo terrestre,
porque todo
es inmundo
para el inmaculado pie del gato.

Oh fiera independiente
de la casa, arrogante
vestigio de la noche,
perezoso, gimnástico
y ajeno,
profundísimo gato,
policía secreta
de las habitaciones,
insignia
de un
desaparecido terciopelo,
seguramente no hay
enigma
en tu manera,
tal vez no eres misterio,
todo el mundo te sabe y perteneces
al habitante menos misterioso,
tal vez todos lo creen,
todos se creen dueños,
propietarios, tíos
de gatos, compañeros,
colegas,
discípulos o amigos
de su gato.

Yo no.
Yo no suscribo.
Yo no conozco al gato.
Todo lo sé, la vida y su archipiélago,
el mar y la ciudad incalculable,
la botánica,
el gineceo con sus extravíos,
el por y el menos de la matemática,
los embudos volcánicos del mundo,
la cáscara irreal del cocodrilo,
la bondad ignorada del bombero,
el atavismo azul del sacerdote,
pero no puedo descifrar un gato.
Mi razón resbaló en su indiferencia,
sus ojos tienen números de oro.»

***

e os próximos poemas?

o homem que engarrafava nuvens

[ter] 2 de junho de 2015

#1. lembrar transpor notas manuscritas sobre filme supracitado no título. [ps:ficará para quando eu regressar de chapecó]

#2. agora bem rápido… atrasado estou para reunião pela base e há assembleia da categoria em menos de uma hora e meia. o tempo voa… e eu deslizo como um caramujo. e o angustiante disto tudo é saber que a direção sindical cutista já armou o golpe contra a base. até o momento, contra a inúmeras faces do capital, entre elas a direção sindical, conseguimos contra-golpes que tem dado sobrevida a esta greve de resistência, e histórica. mas e agora josé? chapecó é para fud…

#3. corrigir falha da placa mãe – meus estresse da manhã.

#4. e estranhamento hoje estou sentindo-me humano. nem super, nem sub. apenas um sujeito repleto de defeitos que mais erra do que acerta, mas segue vivo, cheio de dúvidas, quase nenhuma certeza e atento aos olhares… e acenos.

#5. ir ao médico para ver essa alergia no nariz… estou a descascar-me.

#6. tomar nota/transcrever passagens das páginas 125 até 135 do livro «a desumanização» [ps:ficará para quando eu regressar de chapecó]

#7. sabe por que meus relacionamentos cedo ou tarde não dão certo?! porque em algum dado momento fecho-me em copas com alguma coisa que não consigo resolver – normalmente vinculado a algum sentimento de inferioridade. que tem sua origem lá na infância… nos abusos, no abandono… na violência física e verbal sofrida. é preciso romper isto que é da ordem do insconsciente trazendo para a ordem do autoconsciente… mas mesmo racionalizando ainda assim não impede-me de mergulhar na minha escuridão abissal.

engraçado como este pensamento hoje me veio de forma tão clara e exata: “eu sou um cara bacana, as pessoas gostam de mim… e eu noiando tudo”.

essa síntese deve-se a retomada da leitura – e abri aqui uma digressão para dizer que gosto e não gosto deste livro… porque me parece absurdo pensamentos tão profundos e complexos, na elaboração de referências e imagens, num ambiente tão esdrúxulo como local e idade dos personagens… mas isto pode ser apenas preconceito cultural. atentei-me para isto hoje. a possibilidade de ser apenas preconceito meu, e relaxei desta encanação…

mas voltando agora da digressão, eu dizia que: – a retomada da leitura e somada ao fato de estar a remoer há dias essa sensação de que… a vida, por mais que seja triste, é ainda absurdamente tão bela e surpreendente… mas eu sempre nessa dificuldade de aceitar… o que vem e, sobretudo, o que posso dar aos outros,

e a mim.

relaxa bicho. se deixe levar… afinal, como pensaste hoje pela manhã: nem super, nem sub.

#8. eu vou para chapecó.

#9. não esquecer do livropoema do gullar: Um gato chamado Gatinho.

***

jogos para atores e não-atores

[sáb] 25 de outubro de 2014

bom dia. vamos lá… que a reunião de hoje valha… porque há tempos ando…

«… Sem tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em lugares onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte… Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.». Fragmento de texto de Ricardo Gondim.

abaixo abujamra lê “o valioso tempo dos maduros”, de ricado gondim

***

enquanto uns primam pelo fetiche da nota… eu tento me desfazer de todos os instintos autoritários na busca do diálogo. e a pergunta é: avaliar quando? o quê? quem? como? e para quê?

***

formação de professores e um grupo de teatro dos alunos… preciso aprender mais.

«O TEATRO POSSÍVEL: uma experiência de ensino de teatro em uma turma
de Curso Normal, de Maillin Voutto Rezende»

«SOCIOLOGIA ÉPICA: ENSAIO SOBRE SUJEITOS E NÃO-SUJEITOS DO
CONHECIMENTO, de Débora Angélica dos Santos Oliveira»

música de fundo… afinal eu tenho pressa.

Engenheiros do Hawaii- A Promessa

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