Archive for the 'Itamar Assumpção – Francisco José Itamar de Assumpção' Category

o último reino de valhala

2019, janeiro 25, sexta-feira

e não é que há uma terceira temporada?!

hoje foi assim… abre a casa, fecha a casa, abre a casa, fecha a casa… chuva e sol, pancadas e raios… às vezes chove ali do lado enquanto aqui faz sol… as vezes chove aqui enquanto faz sol lá… noutras é sol e chuva ao mesmo tempo. mas quase sempre é eu absorto aqui dentro de casa, de mim… fiquei triste parte considerável do dia… por sentir esse sentimento ruim, de mágoa, dor… e não fiz nada além de ficar sozinho e para não pensar, apenas netflixei... acompanhando uhtred em the last kingdom.

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a trilha sonora do dia: Milágrimas | Ná Ozzetti

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e procurando uma imagem para ilustrar essa postagem, parei por cá, neste caligrama de apollinaire, no blog palavra de pantera

guillaume apollinaire, calligrammes, paris, gallimard1.0

deus te preteje

2018, dezembro 19, quarta-feira

«Preto, pobre, jogador e então músico. Ele poderia ser um clichê, mas preferiu estancar o sangue e reinventar-se. Assim, se refez e mostrou outra forma possível de se fazer artista».

Deus te preteje curumim
Mim fala língua de pingüim
Nem sim nem não nem nin nem são
Mim fala língua macarrão
Deus te preteje teu irmão
Mim fala língua de crivão
Crivão que vem do carabono
Onde é que tá o meu cambono
Onde é que tá o meu cambono
‘Ce deu tanta martelada
Que eu não fala portugás
Se mi fala inventada numa frágua
Num zá trás
Gil Vicente é mi ferreiro
Puruquê me fez primeiro
Mi chamando Furunando
Ele foi inventando
Mi sá negro de crivão
Hoje Gigante Negão!
Itamar Assumpção

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«Experiência e expressão em Itamar Assumpção», por Ivan de Bruyn Ferraz

«Deus te preteje: a identidade e sentimento na música de Itamar Assumpção», por Lúcia Helena Oliveira Silva* e Wilton Carlos Lima Silva**

«ASSUMPÇÃO, Itamar. Pretobrás – Por Que Que Eu não Pensei Nisso antes? O Livro de Canções e Histórias de Itamar Assumpção» São Paulo: Ediouro, 2006. (organizadores, Luiz Chagas e Mônica Tarantino ; transcrições, Clara Bastos)

«Clara Crocodilo” e “Nego Dito”: dois perigosos marginais?», por Walter Garcia

zéfiní, no mais… vida de artista

2018, dezembro 18, terça-feira

notas da madrugada:

relendo este hipertexto e seus fragmentos… reencontrei tantos personagens, eus de outras fases… o que me fez sentir vontade de virar papéis… redescobrir outros passados adormecidos, achar algumas lacunas destes personagens guardados pelas caixas e arquivos de papéis.

para o dia em que esqueça, eu reconheça-me, outros em mim.

e sobre o espaço, há um gato e um vaga-lume se encarando… há um vaga-lume neste quarto. dois gatos, um humano e tantas formigas, de tamanhos e formas distintas… mas ainda formigas. é tudo meio selvagem essa coisa de viver.

e há um pé direito alto neste quarto… era desejo, meu desejo há quase vinte anos atrás. mas nunca morei antes aqui… pelos labirintos da vida, pela separação de meus pais… o quarto que idealizei nunca havia sido meu de uso… e só neste ano é que vivi por cá (hospedando-me em casa de minha mãe, enquanto a minha segue em des/construção]… vou experienciando aquilo que ideei.

mas o ano voou e é tempo de partir… deixar o quarto com seu pé direito alto, a casa passageira… esse ano passando. conhecer um novo personagem… um novo lar.

[01h52 fim, por enquanto]

notas da manhã:

acorda cedo para finalizar o que não foi finalizado. prazo: 8 a.m. anota coisas para ler depois. controla o sono… foca. trabalho primeiro/distração depois. [06h57 fim, por enquanto]

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A CONSOLIDAÇÃO DA SOCIAL DEMOCRACIA NO BRASIL: FORMA TARDIA DE DOMINAÇÃO BURGUESA NOS MARCOS DO CAPITALISMO DE EXTRAÇÃO PRUSSIANO-COLONIAL“, por Anderson Deo.

Sonnet 98 - William Shakespeare

«From you have I been absent in the spring,
When proud-pied April dress’d in all his trim
Hath put a spirit of youth in every thing,
That heavy Saturn laugh’d and leap’d with him.

Yet nor the lays of birds nor the sweet smell
Of different flowers in odour and in hue
Could make me any summer’s story tell,
Or from their proud lap pluck them where they grew;

Nor did I wonder at the lily’s white,
Nor praise the deep vermilion in the rose;
They were but sweet, but figures of delight,
Drawn after you, you pattern of all those.

Yet seem’d it winter still, and, you away,
As with your shadow I with these did play:»

«Ausente andei de ti na primavera,
Quando o festivo Abril mais se atavia,
E em tudo um’ alma juvenil pusera
Que até Saturno saltitava e ria.

Mas nem gorgeio d’ aves, nem fragrância
De flores várias em matiz e odores,
Moveram-me a compor alegre estância
Ou a colher, do seio altivo, as flores.

Nem me tocou a palidez do lírio,
Nem celebrei o vermelhão da rosa;
Eram não mais que imagens de um empíreo
Calcado em ti, padrão de toda cousa.

Inverno pareceu-me aquela alfombra,
E me pus a brincar com tua sombra.» 

SHAKESPEARE, William. Os melhores sonetos. Tradução de Ivo Barroso. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013.

notas da primeira tarde:

[12h18] há vários poemas esperando pelo fim. triste e estranho quando você se dá conta que só tem a passagem pra ir… falta a grana pra voltar. terminou? há mais uma tarde para a vida toda… é preciso ser a poesia. ontem alguém me dizia… exu não é o diabo não. e hoje, entre as nove e as onze, no «entre-acordado», na«soneca com chave» [hipnagogia], eu tive sonhos, guardo reminiscencias. sou um delírio ambulante… e é preciso partir, ‘bora.

[13:32] nota mental: não saia sem um pedaço de papel, uma caneta… pois as vezes é preciso anotar o itinerário de onde o pensamento te leva:

indo. acordo cedo, mas atraso pra vida, essa ali de fora… lá vou eu atrasado, correndo, no limite… e no mais, vida de artista. depois de minutos desenosando o fone pro ouvido… aleatoriamente ouço itamar¹, de onde parei na última vez, e nem lembro mais quando ouvi música no busão…

mas por esses dias… essa minha genética me faz querer o frio, pois essa dupla, el niño & verano estragam meu asseio… cinco minutos na rua e já tomei um [auto]banho de suor.

¹ Itamar Assumpção – Pretobrás: Por Que Que Eu Não Pensei Nisso Antes? (1998) Álbum Completo [Último álbum lançado em vida por Itamar, Pretobrás saiu em 1998 pelo selo Atração Fonográfica. Planejado como parte de uma trilogia, os dois álbuns seguintes foram lançados postumamente pelo selo Sesc]

01. 00:00 Cultura Lira paulistana 02. 05:36 Abobrinhas não 03. 07:59 Vá cuidar da sua vida 04. 12:04 Pretobrás 05. 16:07 Extraordinário 06. 17:11 Vida de artista 07. 20:52 Dor elegante 08. 24:20 Pöltinglen 09. 27:03 Vou de vai-vai 10. 31:09 Por que eu não pensei nisso antes 11. 36:28 Apaixonite aguda 12. 37:43 Já Que Tem Que 13. 41:03 Outras Capitais 14. 46:14 Ich Iiebe Dich 15. 48:44 Elke Maravilha 16. 50:35 Olho no Olho 17. 54:10 Reengenharia 18. 57:50 Pesadelo 19. 01:01:13 Amigo Arrigo 20. 01:02:18 Deus Te Preteje 21. 01:06:49 Queiram ou Não Queiram

 

VIDA DE ARTISTA
de Itamar Assumpção

(De Pretobras I, 1998)

Na vida sou passageiro
Eu sou também motorista
Fui trocador, motorneiro
Antes de ascensorista
Tenho dom pra costureiro
Para datiloscopista
Com queda pra macumbeiro
Talento pra adventista
Agora sou mensageiro
Além de pára-quedista
Às vezes mezzo engenheiro
Mezzo psicanalista
Trejeito de batuqueiro
A veia de repentista
Já fui peão boiadeiro
Fui até tropicalista
Outrora fui bom goleiro
Hoje sou equilibrista
De dia sou cozinheiro
À noite sou massagista
Sou galo no meu terreiro
Nos outros abaixo a crista
Me calo feito mineiro
No mais, vida de artista.

***

eu sou a resistência. lembro de você toda vez, e isto tem sido recorrente, nestes últimos dias, que me pego admirando essas plantas miúdas que nascem sobre muros, telhados, paredes, entre lajotas… sobre o asfalto. têm sido recorrente a atração provocada pela existência delas sobre meu olhar… encantam-me esses seres vegetais, dessas miudezas da resistência às velhas árvores imemoriais.

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notas da segunda tarde:

meta de final de ano: ler essa bagaça toda. (Neuromancer, de William Gibson)

neuromancer

comecei pela tarde… no último dia letivo de 2018. agora só faltam os conselhos de classe e zéfini. estou livre para a leitura.

ps: zéfiní é mais bonito que c’est fini.

notas da noite:

tempestade e offline. polenta tostada e feijão carioca do meu velho pai. gargalhadas com ica (mãe) e luiza (sobrinha).

sono no sofá.

e meu pai, pela tarde, fez duas portas para minha futura casa… agora falta apenas os vidros para as janelas, a finalização da fiação elétrica e casa torna-se habitável… falta pouco para voltar para o meu novo lar.