Archive for the 'Ivo Tonet' Category

a dialética na distância entre intenção e gesto

[qua] 5 de novembro de 2014

Leitura do busão… de ontem anotada hoje e que será postada amanhã [quinta-feira]

«O Ponto de partida, para Marx, está no fato de que entre as ideias e o mundo objetivo, externo à consciência, se desdobra uma intensa mediação que tem no trabalho a sua categoria fundante. Tipicamente, é pelo trabalho que os projetos ideias são convertidos em produtos objetivos, isto é, que passam a existir fora da consciência. E, do mesmo modo tipicamente, é reconhecendo as novas necessidades e possibilidades objetivas abertas pelo desenvolvimento material que a consciência pode formular projetos ideais que orientam os atos de trabalho. Realidade objetiva e realidade subjetiva são, assim, dois momentos distintos, mas sempre necessariamente articulados, do mundo dos seres humanos.
Essa relação entre consciência e objetividade é muito complexa, tão complexa como o mundo dos seres humanos. O que nos interessa, agora, é que nessa relação intervém uma determinação fundamental: como o futuro é o desdobramento causal do presente, com todas as mediações e acasos possíveis, ele não é jamais uma decorrência direta e imediata da situação atual. Por isso – ou seja, como o futuro ainda não aconteceu – a consciência pode antecipar apenas parcialmente as consequências futuras de nossas ações. Há, por isso, tipicamente, sempre uma distância entre ‘intenção e gesto’. As consequências dos atos humanos tendem a divergir, em algum grau, da finalidade que está nas suas bases, gerando novas necessidades e possibilidades e, desse modo, obrigando-nos a uma nova ação para atuar sobre as consequências dos nossos atos. Essa situação é caracterizada, por Lukács, como aquele ‘período de consequências’ no qual o ato retroage sobre a consciência por meio dos efeitos que provoca.» O conhecimento, em Introdução à filosofia de Marx. De Sérgio Lessa e Ivo Tonet.

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da escola hoje: grupo de teatro – extracurricular; o preço do amanhã nos primeiros anos; e último dia para o projeto ‘tema livre’ com os segundos anos.

música de trabalho

[seg] 20 de outubro de 2014

e a vontade de fazer nada, mais o corpo exausto pelo excesso de ontem… faço um edição na página ‘dossiê mayakóvski, a mais visitada e compartilhada deste blogue, adicionando a tag:  maiakóvski (влади́мир влади́мирович mаяко́вский).

e a trilha sonora da tarde é Tropicália 2;

e a fundamentação filosófica para as aulas de hoje é: «a relação do ser humano com a natureza: o trabalho. i) para existirem, os seres humanos devem necessariamente transformar a natureza. esse ato de transformação é o trabalho. o trabalho é o processo de produção da base material da sociedade pela transformação da natureza. é, sempre, a objetivação de uma prévia-ideação e a resposta a uma necessidade concreta. da prévia-ideação à sua objetivação: isto é o trabalho. vale enfatizar que, para marx, nem toda atividade humana é trabalho, mas apenas a transformação da natureza. veremos mais adiante por quê. ii) ao transformar a natureza, o indivíduo também transforma a si próprio e à sociedade: a) todo ato de trabalho produz uma nova situação, na qual novas necessidades e novas possibilidades irão seguir; b) todo ato de trabalho modifica também o individuo, pois este adquire novos conhecimentos e habilidade que não possuía antes, bem como novas ferramentas que também antes não possuía; iii) todo ato de trabalho, portanto, dá origem a uma nova situação, tanto objetiva quanto subjetiva. essa nova situação possibilitará aos indivíduos novas prévias-ideações, novos projetos e, desse modo, novos atos de trabalho, os quais, modificando a realidade, dão origem a novas situações, e assim por diante. o trabalho e a sociedade. i) todo ato humano tem por base a evolução passada da sociedade, a situação presente concreta em que se encontra o indivíduo e suas aspirações e seus desejos para o futuro. não há ato humano fora da história, fora da sociedade. ii) a objetivação resulta, sempre, em três níveis de generalização: a) o nível objetivo: o objeto produzido passa a ser influenciado e a influenciar toda a sociedade. sua história adquire, assim, uma dimensão genérica: é, agora, parte da história humana, b) o nível subjetivo, que se subdivide em dois subníveis: b1) o conhecimento de um caso singular (como fazer este machado) se eleva a um conhecimento acerca da realidade em geral. esse conhecimento genérico da realidade pode ser aplicado em circunstâncias muito distintas daquelas em que se originou; b2) o conhecimento de um indivíduo se difunde por toda a sociedade, tornando-se patrimônio da humanidade. iii) o trabalho é o fundamento do ser social porque, por meio da transformação da natureza, produz a base material da sociedade. todo processo histórico de construção do indivíduo e da sociedade tem, nessa base material, o seu fundamento.» sérgio lessa e ivo tonet

ps: mas é preciso ir… há trabalho por fazer.

mas antes, um lembrete… trabalhar com a ‘música de trabalho‘ em sala. letra cá: Música de Trabalho // Legião Urbana // Renato Russo, Marcelo Bondá e Dado Villa-Lobos // Sem trabalho eu não sou nada / Não tenho dignidade / Não sinto o meu valor / Não tenho identidade / Mas o que eu tenho / É só um emprego / E um salário miserável / Eu tenho o meu ofício / Que me cansa de verdade / Tem gente que não tem nada / E outros que tem mais do que precisam / Tem gente que não quer saber de trabalhar / Mas quando chega o fim do dia / Eu só penso em descansar / E voltar p’rá casa pros teus braços / Quem sabe esquecer um pouco / De todo o meu cansaço / Nossa vida não é boa / E nem podemos reclamar / Sei que existe injustiça / Eu sei o que acontece / Tenho medo da polícia / Eu sei o que acontece / Se você não segue as ordens / Se você não obedece / E não suporta o sofrimento / Está destinado a miséria / Mas isso eu não aceito / Eu sei o que acontece / Mas isso eu não aceito / Eu sei o que acontece / Quando chega o fim do dia / Eu só penso em descansar / E voltar p’rá casa pros teus braços / Quem sabe esquecer um pouco / Do pouco que não temos / Quem sabe esquecer um pouco / De tudo que não sabemos // 

perguntar incomoda…

[qui] 16 de outubro de 2014

Gosto amargo ainda pela estupidez humana… [e essa sensação que a tua presença causa desconforto e incomoda os outros… A tua simples existência provoca o outro e não há como conciliar isto].

Ponho-me a remendar o forro feito… E tudo é precário e provisório, e agora só falta pintar. mas isto é para outro dia [há tantas coisas para outros dias… essa vida toda para outros dias as vezes cansa]. Agora é terminar de limpar e trabalhar nas notas, nos diários… que o tempo voa e amanhã há escola.

E de Ivo Tonet, para pensar esse dia dos professores, “Em uma sociedade de classes, não basta exercer com dedicação e seriedade a atividade educativa. É preciso perguntar: a quem ela serve?”

‘Bora trabalhar para transformar essa revolta em ação coletiva autoconsciente e, sobretudo, crítica. Os fascistas não passarão.

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