Archive for the 'Jantje Friese' Category

ode descontínua e remota para flauta e oboé – de ariana para dionísio

2019, janeiro 3, quinta-feira

buscando coisas sobre o fio de ariadna, dos fragmentos da série de ontem… me deparei com isto, via Mário Amora Ramos:

Canção VI ( Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé) por Ná Ozetti

(Poema de Hilda Hilst, musicado por Zeca Baleiro)

26815459_418119978623907_2978845414593381198_n

&

PRELÚDIOS-INTENSOS PARA OS DESMEMORIADOS DO AMOR.
I
Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.
Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.
Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.

Hilda HilstObra poética reunida, pág. 228

***

calor infernal… então a gente aproveita para ver a segunda temporada de Westworld

***

e eu ainda não acheio o fio de ariadne…

Nun habt ihr sie gehort die tochter des minos.
glaubt, sie zu kennen. ist sie nicht gut und schon?
einspinenn lassen habt ihr euch. von ihren worten. ihrem hübschen blick. doch glaubt mir. ein jeder, ob königstochter oder nicht, steht mit einem fuss im schatten. mit dem anderen im licht.

nimm das. es soll dich leiten. du musst tief hinein, bis in die mitte. dort im schatten wartet er. halb menrsch, halb tier. du musst schnell sein. triff ihn mitten ins herz. das ist mir einerlei. das band, das wir knüpfen… Versprich mir, das du es nie trennst.

Seit Tagen habe ich nichts gegessen. Meine Augen werden schwarz. Es geht zu Ende. So wie er einst ins Labyrinth hinabstieg… so steige ich nun in meins. Nun steh inch vor euch. Keines königs Tochter. Keines Mannes Weib. Keines Bruders Schwester. Ein loses Ende in der Zeit. So sterben wir alle gleich. Egal, in welches Haus geboren. Egal, in welches Gewand. Auf Erden kurz… oder lang gewesen. Nur ich selber knüpf mein Band. Selbst ob ich Hände reichte… oder Hände schlug… geht es für uns gleich zu Ende. Die dort oben haben uns längst vergessen. Sie richten uns nicht. Im Sterben bin ich ganz allein. Mein einziger Richter… Ich.

wir machen uns vor, dass wir frei sind. wir folgen dem immer gleichen pfad, wieder und wieder und wieder

2019, janeiro 2, quarta-feira

e já é quase dia 3.

passei as duas ultimas madrugadas vendo filme e marotonando duas séries na companhia de minha filha

o belo Bad Seeds

a instigante e comovente: a maldição de hill house

e misteriosa e complexa: dark;

os dois primeiros eram coisas que ela já viu, mas queria socializar comigo. e foi boa a parceria, foram três dias de muita conversa, lanche e bocado de tv. momentos assim de camaradagem são muito bons.

e é bom ter outra coisa pra fazer do que só ficar escrevendo aqui, e pensando na grana que eu preciso e não tenho pra terminar minha casa e pagar minhas contas. e fora a postagem do belchior, lema pra essa vida, nesse novo ano, e que eu já tinha programado, a última inserção aqui foi pela manhã do dia 31.

«There are more things in heaven and earth, Horatio, than are dreamt of in your philosophy»~Hamlet (1.5.167-8), Hamlet to Horatio

«Der Unterschied zwischen Vergangenheit, Gegenwart und Zukunft ist nur eine Illusion, wenn auch eine hartnäckinge…» «A diferença entre passado, presente e futuro e somente uma persistente ilusão…» Albert Einstein

Wir machen uns vor, dass wir frei sind. Wir folgen dem immer gleichen Pfad, wieder und wieder und wieder.  Jonas Kahnwald in: Dark – Cap. 10 – Alpha und Omega. minuto 36.

***

«as decisões da mente são apenas desejos, os quais variam de acordo com várias disposições» Spinoza, Ética, livro três, escólio da proposição dois

«não há na mente vontade livre ou absoluta, mas a mente é determinada a querer isto ou aquilo por uma causa que é determinada por sua vez por outra causa, e essa por outra e assim ao infinito» Spinoza, Ética, livro dois, proposição 48

«os homens se consideram livres porque estão cônscios das suas volições e desejos, mas são ignorantes das causas pelas quais são conduzidos a querer e desejar» Spinoza, Ética, apêndice do livro um.

***

e para fechar as referências de hoje:

para ler mais: Mary Wollstonecraft e as origens do feminismo