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i will not make any more boring art

2018, novembro 27, terça-feira

poucos minutos depois da meia noite… sono pesado. corpo desistindo. mas antes…

John Baldessari, I Will Not Make Any More Boring Art

***

19h07. um nove [que roberta publica no moodle]. que eu vou saber uma três horas depois, mas causará a sensação que sinto agora… de aceitação, de validação. de estar num ambiente familiar, de carinho e respeito, onde não preciso estar alerta, na retaguarda. tomo mate com meus pais, que privilégio, pode estar com meus pais – e saber que a seu modo e com suas limitações, eles me amam -, e minha filha, que admiro – e que nos amamos e, apesar de nossas loucuras, nos aceitamos todos. e com dora, chip e sorvete, mateamos… admirando e sonhando com a casa nova que vai em obras… um feito coletivo, que só existe pelo esforço de todos. ser humilde e agradecer diariamente pelo que tenho… foi esse sentimento/insight que senti ontem… não sentir-me ferido e magoado por não ser muitas vezes aquilo que eu gostaria ou acho que deveria ser… aceitar minha pequenez, minhas imperfeições, meus medos… sentir-me válido, possível… não paralisar demais.

13h08 tomo nota… no terminal…

exercício sobre olhar-se dentro do mundo
 
sobre ontem:
na despedida
o reencontro
comigo,
com essa coisa
meio silêncio, meio ruído
 
transbordando poesia…
 
e sobre a resiliência…
a forma de olhar,
o meu olhar sobre o mundo.
 
e sobre a gratidão,
ao meu velho pai,
por estarmos juntos
nessa irmã jornada
 
e sobre raízes…
minha mãe, que na aridez
da terra arrasada,
brotou floresta.
 
e sobre identificação…
o ser humano que nunca vi
e que passa agora por mim
lendo Heleieth Saffioti…
e me faz senti-la como se fosse
uma camarada de longa data…
uma irmã, que reencontro nessa luta
contra o patriarcado
e toda a estupidez humana.
 
e sobre a saudade…
o gosto da saliva
de um beijo na boca
como o desses jovens namorados
ao meu lado…
 
e sobre a tarde…
essa necessidade de grafar
meu estranho pertencimento
ao mundo…
poesia e resistência…
 
e sobre meus pelos, pele e nervos
minha camiseta vermelha –
meu peito-armadura,
meu grito ao amor
contra o medo do mundo:
 
tisan/santo antônio de lisboa/floripa. 27/11/2018

 

jubiabá

2018, novembro 26, segunda-feira

3h59 notas para ler/ver

Jubiabá / Jorge Amado; posfácio de Antônio Dimas. — São Paulo : Companhia
das Letras, 2008.

Jubiabá / Direção: Nelson Pereira dos Santos / 1986 ‧ Drama/Romance ‧ 1h 40m

***

19h27. hora de ir… depois de um dia inteiro de trabalho pesado, não dei tempo para pensar em nada, apenas desembestei e fiquei mexendo nas coisas… encanamentos, aterros, deck…

Los Ángeles Azules – Nunca Es Suficiente ft. Natalia Lafourcade

***

 

21h00 – tomando nota – última aula do semestre de 2018/2.
«O sistema pós-industrial tem-se mostrado resistente aos mecanismos de luta modernos — sindicato, partido. Ao mesmo tempo gigantesco e diferençado, ele não forma um todo e não possui centro. Tendo pulverizado a massa numa nebulosa de consumidores isolados, com interesses diferentes, ele absorve qualquer costume, qualquer ideia, revolucionários ou alternativos. Pois é flexível e variado o suficiente para nele conviverem os comportamentos e as idéias mais disparatadas. Para vingar, mesmo as idéias anti-sistema deveriam entrar pelos meios de massa, serem consumidas em grande escala de modo personalizado, mas isto significaria tornarem-se mais uma mercadoria do sistema. O próprio Estado, que poderia ser um centro mortal, é antes um investidor na economia e na pesquisa, um administrador de serviços, um encarregado da defesa externa, em vez de ser, fundamentalmente, um aparelho de repressão política.
Desse modo, o circuito informação-estetização-erotização-personalização realiza o controle social, agora na forma soft (branda, discursiva), em oposição à forma moderna hard (dura, policial). O consumo e atuação no cotidiano são os únicos horizontes oferecidos pelo sistema. Nesse contexto, surge o neo-individualismo pós-moderno, no qual o sujeito vive sem projetos, sem ideais, a não ser cultuar sua auto-imagem e buscar a satisfação aqui e agora. Narcisista e vazio, desenvolto e apático, ele está no centro da crise de valores pós-moderna. (pp 30-31)» SANTOS, Jair Ferreira dos. O que é Pós-Moderno. São Paulo: Brasiliense, 2004. – Coleção primeiros passos; 165) 22ª reimpr. da 1ª ed. de 1986.

kosuth

Ficha Técnica – Relógio (um e cinco):
Autor: Joseph Kosuth 
Coleção: Tate 
Ano: 1965 Técnica: Relógio, Impresso e Fotografia em prata coloidal

47271

1979/82)

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Jenny Holzer. Untitled (Don’t Talk Down to Me), from Inflammatory Essays (Jenny Holzer #1998.914.10) prints, offset lithograph.

 

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Andy Warhol. Marilyn Diptych (1962). Acrylic paint on canvas

Marilyn 1974 by James Rosenquist born 1933

James Rosenquist Marilyn 1974
Not on view [Lithograph. composition]

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Barbara Kruger Untitled (we will no longer be seen and not heard), 1985. Nine framed lithographs

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John Baldessari. Heel, 1986

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Sherrie Levine, After Walker Evans, 1981 [photograph,
gelatin silver print]

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Barbara Kruger. Untitled (We won’t play nature to your culture). 1983. [photograph,
gelatin silver print]

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Cindy Sherman. Untitled Film Still #62, 1980.

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Mary Kelly. Detail – Post-Partum Document, 1973-79 (Post-Partum Document is a six-year exploration of the mother-child relationship)
[Perpsex units, white card, sugar paper, crayon]

wang-guangyi-coca-cola (1)

Lithograph printed in colors on wove paper]


***

21h29 um espera, um demora, um erro, uma espera maior ainda, mas registro os musgos crescendo entre a fresta que separa o céu e o chão. registro o letreiro luminoso… e abestalhado, que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado, mas estou aqui, experienciado o que muitas pessoas não terão oportunidade… e dou-me conta que: eu faço letras.

22h05 faço poesia

[registro delas]

I. exercício sobre primeira e segunda natureza

nada morre na praia
nada é
nada e morre
desfôlego
nada na praia
nada e nada
na beira
no limite
quase do outro lado
quase nada, nada salvo
nada para o nado da volta.

foi assim (o fôlego),

que consegui.

II. como se fosse
fosse não ser
não fosse
o mesmo corpo
dolorido/violado
e o riso que insisto
triste ainda trago
é descabido
não te habita
não fosse
o mesmo corpo
sofrido/destratado
moído/triturado
nosso mito
o ser que não
não este corpo
é o mito
que habita
nosso ser
como se fosse
a gente não fosse
o mesmo corpo familiar
triste e doce,
habitando a hora
de abandonar-se
como se fosse
fosse não ser
um não fosse hipotético
um não fosse espectro
um corpo patético

III

ha um corpo podre
no caminho encarniça
a carne putrefa encarde o peito
a carne vísceras arde e expele
quem não mais há.

nota de rodapé:

DA ARTE COMO CONCEITO E DO CONCEITO DE ARTE: ready-made, espaço, tempo, significação, por Patrícia Maia