Archive for the 'Luís Vaz de Camões' Category

desde o princípio ao ponto cego eu arremesso um eco sem fim…

[dom] 14 de dezembro de 2014
cae1-001
01.- Fla-Flu (Caetano Veloso/José Miguel Wisnik) // fla-flu… (instrumental) /// 02.- É só isso (Caetano Veloso/José Miguel Wisnik) // É só isso… (instrumental) /// 03.- Madre Deus (Caetano Veloso) // frente às estrelas / costas contra a madeira / no ancoradouro / de Madre Deus / meus olhos vão / com elas / no vão / meu corpo todo desmede-se / despede-se de si / descola-se do então / do onde / longe do longe / some o limite / entre o chão e o não / frente ao infindo / costas contra o planeta / já sou a seta / sem direção / instintos e sentidos / extintos / mas sei-me indo / e as coisas findas / muito mais que lindas / essas ficarão / dizia / a poesia / e agora nada / não mais nada não /// 04.- A cobra do caos (Caetano Veloso/José Miguel Wisnik) //  (instrumental) /// 05.- Mortal loucura (José Miguel Wisnik – sobre poema de Gregório de Matos) // Na oração, que desaterra … a terra, / Quer Deus que a quem está o cuidado … dado,  / Pregue que a vida é emprestado … estado, / Mistérios mil que desenterra … enterra. // Quem não cuida de si, que é terra, … erra, / Que o alto Rei, por afamado … amado, / É quem lhe assiste ao desvelado … lado, / Da morte ao ar não desaferra, … aferra. // Quem do mundo a mortal loucura … cura, / A vontade de Deus sagrada … agrada / Firmar-lhe a vida em atadura … dura. // O voz zelosa, que dobrada … brada, / Já sei que a flor da formosura, … usura, / Será no fim dessa jornada … nada. /// 06.- Big bang bang (Caetano Veloso/José Miguel Wisnik) // se tudo começou no big bang / só tinha que acabar no big mac / mas / se a partida já estava começada / quarenta minutos antes do nada / então / é / fla-flu / então / é / maracanã / lotado / de / pulsão / de / mais / e / o / sopro / divino / criador / cantou / fla-flu / faça / – / se / a / luz / flato-flou / flight-flucht / fiat lux / ptyx / e / expulsou / o / universo / do / universo / um /// 07.- Tão pequeno (Caetano Veloso – sobre poema de Luís de Camões) // Onde pode acolher-se um fraco humano, / Onde terá segura a curta vida, / Que não se arme e se indigne o Céu sereno / Contra um bicho da terra tão pequeno? /// 08 – Pesar do Mundo (Paulo Neves/José Miguel Wisnik) // pesar de tudo / pesar do peso / pesar do mundo / sobre si mesmo / pesar de nuvem / pesar de chumbo / pesar de pluma / pesar do mundo / desponta estrela / no vão imenso / por ti suspenso / à tua espera / tudo se afronta / pedra com pedra / a própria onda / quando se quebra / a melodia / onde me leva / onde alivia / onde me pesa / tudo se agita / durante a queda / o que sustenta / a nossa terra? / e nesse quando / somente um ritmo / peso e balanço / um som legítimo / canção sem medo / de você pra mim / ó meu segredo / te rezo assim: / desde o princípio / ao ponto cego / eu arremesso / um eco sem fim /// 09.- Onqotô  (Caetano Veloso/José Miguel Wisnik) // (instrumental) ///
***
trilha sonora nestes dias de silêncio e ponderações.
*
as vezes parece que você entrou num beco sem saída…
*
e a cada momento há uma escolha, mesmo que tudo pareça inabitavelmente árido… há um movimento lento e mineral. e se o que faço não me faz sentido por vezes, espero… há de haver, para depois do ponto cego, algum fragmento solar que dê origem à vida.
*
de tudo que a tv mostrou nestes dias só valeu rever eternal sunshine of the spotless mind. canção de fundoeverybody’s gotta learn sometime... e poema de referência: Eloisa to Abelard
*
e agora tenho febre. devo tomar um comprimido para acabar com a dor… e o que resta então é dormir, pois amanhã será um longo dia… e ontem-hoje tudo foi muito lento. e assim, no meio do nada, alternando palavras, eu, com minha dor, sigo sem saída, entre a lembrança e o desconhecer… “onqôto? ondqvô? qemqeusô? é só isso? nadanadanadanada”

claro-escuro epistemológico

[sáb] 28 de dezembro de 2013

dois pontos para um dia todo: caetano e companhia pela tarde (cê e onqotô, das série «re»descobertas sonoras). michael löwy e companhia pela manhã e tarde (das «re»leituras diárias).

Caetano Veloso “Minhas Lágrimas”

Tão Pequeno — Caetano Veloso e José Miguel Wisnick

e abaixo excertos sobre as aventuras de karl marx contra o barão de münchhausen – compreendendo as páginas 114-130 abordando a relação entre ideologia e ciência sob uma perspectiva de marxista.

O marxismo ou o desafio do «princípio da carruagem»

(…) Enquanto visão de mundo, o marxismo é uma utopia revolucionária – no sentido em que precisamos anteriormente: a utopia é toda Weltanschauung que aspira a um estado de coisas ainda inexistente – mas nos Estados pós-capitalismo ele assume um caráter ideológico (o estalinismo); procuraremos examinar as implicações cognitivas destas duas possiblidades.

Ideologia e ciência segundo Marx

(…) Mais tarde, no Prefácio à Contribuição à crítica da economia política (1859), ele emprega uma significação mais ampla do termo: «as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, em suma, as formas ideológicas sob as quais os homens tomam consciência deste conflito e o levam até o fim».

(…) Como Marx concebia a contradição – ou articulação – entre ciência e ideologia no conhecimento social? Em que medida considerava a obra de seus predecessores ( e especialmente dos economistas clássicos ) como científica e/ou ideológica? A fórmula de « corte epistemológico entre ciência e ideologia » corresponderia à maneira pela qual o próprio Marx compreendia a inovação radical de sua obra? Estas questões delimitam um certo campo teórico que procuraremos explorar e que nos parece constitutivo da visão marxista da relação entre sociedade e conhecimento.

Em nossa opinião, é em algumas passagens do Dezoito Brumário que se encontra a definição marxista mais precisa, mais concreta e mais fértil das ideologias e das visões de mundo enquanto expressão de uma classe social determinada ( o conceito utilizado por Marx é o de « superestrutura » ). Trata-se de célebre parágrafo que analisa a relação entre representantes do partido democrático e sua classe, a pequena burguesia. Examinemos algumas das ideias que Marx sugere – explícita ou implicitamente – nesse texto de uma surpreendente riqueza.

a) É a classe que « cria e forma » as visões sociais de mundo ( « superestruturas »), mas estas são sistematizadas e desenvolvidas por seus « representantes políticos e literários », isto é, seus ideólogos ( ou utopistas ). A visão social de mundo (ideológica ou utópica) com seus diversos componentes corresponde não somente aos interesses materiais de classe mas também à sua situação social – conceito mais amplo, que permite superar a tentativa reducionista que relaciona as ideologias apenas ao « interesse » ( economicamente definido ).

b) Os intelectuais são relativamente autônomos com relação à classe. Eles podem ser separados dela por um « abismo » social e cultural; sua « situação pessoal » não deve ser de todo necessariamente a mesma que aquela da classe que ele representa. O que os faz representantes desta classe é a ideologia ( ou utopia ) que eles produzem.

c) O que define uma ideologia ( ou utopia ) não é esta ou aquela ideia isolada, tomada em si própria, este ou aquele conteúdo doutrinário, mas uma certa « forma de pensar », uma certa problemática, um certo horizonte intelectual ( « limites da razão »). De outro lado, a ideologia não é necessariamente uma mentira deliberada; ela pode comportar ( e comporta geralmente ) uma parte importante de ilusões e de auto-ilusões.

(…) A primeira observação que se impõe é a seguinte: o caráter « de classe » de um escrito de economia política não é, em si, uma indicação suficiente de seu valor, ou de sua ausência de valor, científico. Mais concretamente, para Marx a obra de um economista pode ser fundamentada sobre certas pressuposições ideológicas burguesas e ter, contudo, uma grande importância científica. Em outros termos: a problemática da autonomia relativa da ciência é, nos escritos de Marx, um complemento essencial (em geral implícito) à sua crítica das limitações ideológicas da economia política.

É nesta ótica que é necessário compreender a célebre distinção entre « clássicos » e « vulgares » que atravessa o conjunto de seus trabalhos econômicos e que define, no interior de uma mesma perspectiva burguesia, um polo autenticamente científico e um polo superficial e apologético ( desprovido de valor do ponto de vista do conhecimento ) (…).

Como explicar esta diferença capital, do ponto de vista da profundidade e da qualidade científica, entre economistas que se situam apesar de tudo no mesmo horizonte ideológico, em uma mesma « posição de classe »? Acham-se em Marx dois tipos de explicação bastante diversas para esta clivagem. Uma é de caráter primordialmente psicológico e moral (…) Entretanto, esta explicação não é senão uma aspecto de uma análise de conjunto mais profunda e mais rigorosa do problema, aspecto que seria falso e enganoso isolar de seu contexto global.

Isso nos conduz ao segundo tipo de explicação avançada por Marx para dar conta da diferença científica entre os « clássicos » e os « vulgares », explicação que reabilita o materialismo histórico. Trata-se de uma análise que relaciona o desenvolvimento da economia política e o desenvolvimento da da luta de classes; ela não é contraditória com a análise psicológica, mas a supera e a integra como um momento subordinado.

É no Posfácio à segunda edição alemã de O Capital (1873) que Marx formula de forma mais precisa esta explicação:

« Na medida em que é burguesa… a economia política não pode continuar sendo uma ciência senão quando a luta de classes permanece latente ou não se manifesta senão por fenômenos isolados. Tomemos a Inglaterra, o período onde esta não havia ainda se desenvolvido, e é também este o período clássico da economia política ». Pelo contrário, após 1830, « na França e na Inglaterra a burguesia se apodera do poder político. Desde então, na teoria como na prática, a luta de classes reveste-se de formas mais e mais acentuadas, mais e mais ameaçadoras. Ela faz soar a hora da economia burguesa científica » (…)

Se nós retornamos à distinção marxista entre os clássicos e os vulgares, percebemos, portanto, que a explicação psicológica que ele avança (…) reconduz a uma explicação sociológica que ele desenvolve em outro lugar. As duas explicações não são contraditórias: mas é o social que esclarece e explica o psicológico. (…)

Evidentemente, há uma dose considerável de simplificação nesta análise de Marx ( que não deveria ser extrapolada de seu contexto histórico); mas a pesquisa metodológica, a forma rigorosa e ousada de ligar o desenvolvimento da economia política à marcha da história social, nos parece fundamental para dar conta da concepção marxista da dialética ciência/ideologia e de sua relação com a luta de classes.

Marx não ignorava que a sucessão cronológica das duas etapas da burguesia não era a única explicação social da oposição entre clássicos e vulgares; ela podia também se relacionar – especial no caso de Malthus, que é contemporâneo de Ricardo – à clivagens entre classes ou frações de classes no seio das camadas sociais dominantes. (…) Se os escritos de Ricardo são científicos, como poderiam estar ao mesmo tempo carregados de ideologia burguesa? (…) A constatação principal que se extrai daí é esta: apesar de sua boa-fé, de sua imparcialidade, de sua honestidade, de seu amor à verdade, a economia política clássica é burguesa, e sua ideologia de classe impõe limites à cientificidade. (…)

Trata-se, como o enfatizava o Dezoito Brumário, de um sistema de ilusões e atitudes, de uma certa forma de pensar, de uma certa problemática e de um certo horizonte intelectual ( aspectos inseparáveis que se condicionam reciprocamente, momentos diversos de uma mesma totalidade ideológica ).

É antes de tudo pela problemática que a ideologia ( burguesa ) se manifesta no terreno do conhecimento científico entre os clássicos. Realmente, a problemática, isto é, o sistema de questões, define o campo cognitivo de uma ciência. Ora, Ricardo e os clássicos não colocaram certas questões – que são para Marx essenciais.

Os clássicos descobriram que o valor era a expressão do tempo de trabalho, mas eles jamais se colocaram a questão de saber por que o trabalho tomava a forma de valor de objeto produzido. Por qual razão eles jamais levantaram esta questãos? De acordo com Marx, porque para eles « esta forma que demonstra claramente que ela pertence a uma sociedade na qual a produção domina o homem e não o homem a produção era para sua consciência burguesa uma necessidade tão evidentemente natural quanto o próprio trabalho produtivo ». Tocamos aqui uma clivagem decisiva, que expõe a diferença essencial entre a economia política e Marx: « a economia política clássica/científica é burguesa sobretudo porque para ela a produção burguesa é a produção em geral. Uma forma específica, historicamente dada, da produção – o capitalismo – é considerada por ela como absoluta, eterna, a-histórica, natural, e as contradições do modo de produção capitalista são explicadas como contradições naturais da produção enquanto tal ».

Isso nos conduz ao conceito de horizonte intelectual que se articula diretamente com o conceito de problemática, e que constitui em nossa opinião uma das imagens mais férteis e mais interessantes do campo teórico marxista que exploramos aqui ( mesmo que ele não tenha sido de maneira alguma desenvolvido). Este conceito nos permite localizar, de forma mais precisa, o papel da ideologia na constituição de um saber científico: ela lhe circunscreve os limites.

(…)

Sem dúvida alguma, estamos aqui diante de um conceito de ideologia que não tem nada a ver com a mentira, a falsificação ou a mistificação: não é vontade de conhecer a verdade por parte dos clássicos que está colocada em questão, mas a possibilidade de conhecê-la, a partir de sua problemática e no quadro de seu horizonte de classe. Isso não impede que, no interior destes limites, sua busca possa produzir conhecimento científicos importantes: a ideologia burguesa não implica a negação de toda ciência, mas a exigência de barreiras que restringem o campo de visibilidade cognitiva.

A respeito de certas ideias de Ricardo e de seus discípulos, Marx comenta: « Isto é o nível mais elevado que se pode atingir a partir do ponto de vista (Standpunkt) capitalista ». Existe assim, segundo ele, uma espécie de máximo de conhecimento possível além do qual sua ideologia de classe não permite à economia política burguesa chegar.

Horizonte, perspectiva, ponto de vista, campo de visibilidade: estas metáforas óticas não devem evidentemente ser compreendidas em um sentido literal; simplesmente elas permitem colocar em evidência que o conhecimento, o saber (« a visão ») estão estreitamente ligados à posição social (« altura ») do observador científico.

Ricardo personifica o máximo de saber possível no seio da perspectiva burguesa na medida em que ele representa os setores mais revolucionários, mais avançados, mais progressistas da burguesia industrial. Isso significa que para Marx o progressismo é sempre o ponto de vista mais favorável ao conhecimento? (…)

Na realidade, Marx está longe de partilhar este tipo de evolucionismo reducionista ou de « progressimo » vulgar. Suas análises sobre certos economistas « passadistas », críticos do modo de produção industrial/capitalista, em especial Sismondi, o demonstram. Já no Manifesto comunista, criticando inteiramente os aspectos « reacionários » contidos na utopia do « socialismo pequeno-burguês », Marx e Engels não deixavam de reconhecer o valor de Sismondi que « analisou, com uma grande perspicácia, as contradições inerentes às condições modernas de produção ».

(…)

Retomando nossa metáfora ótica, poderíamos dizer que para Marx, Sismondi não representa um ponto de vista « mais elevado », um horizonte científico mais vasto que Ricardo, mas uma perspectiva diferente, um ângulo de observação distinto, assentado sobre uma posição de classe diferente, que lhe permite perceber toda uma dimensão da realidade social invisível a partir do observatório ricardiano – ao preço de uma cegueira sobre aspectos essenciais desta realidade perceptíveis no campo de visibilidade teórica da economia política clássica. Este jogo de claro-escuro epistemológico, esta dialética paradoxal entre utopia « reacionária », ideologia « progressista » e a ciência social – presentes em Marx como sugestão ou corolário implícito – indicam a necessidade de superar toda visão linear e evolucionista do desenvolvimento da ciência social e sua relação com o campo da luta de classes.

(…)

A partir de 1830, como vimos, abre-se um novo período. Em seu livro Miséria da filosofia (…) Marx acrescenta: « Mas à medida que a história avança e com ela a luta do proletariado se delineia mais claramente, eles (os socialistas e comunistas) não têm mais necessidade de procurar a ciência em seu espírito, mas apenas devem se dar conta do que se passa diante dos seus olhos e expressá-lo…. A partir deste momento, a ciência produzida pelo movimento histórico, e se associando a ele com plena consciência de causa, deixou de ser doutrinária: ela se tornou revolucionária ». Não há dúvida que Marx considerava a sua própria obra e de Engels como pertencente a esta ciência revolucionária que se associa às lutas do proletariado com plena consciência de causa. Mas é importante enfatizar que esta ciência foi, na sua opinião, « produzida pelo movimento histórico ». Em outras palavras, o que permitiu a Marx e Engels superar os limites do socialismo ricardiano e/ou « doutrinário » foi a nova etapa histórica da luta de lasses que começa a partir de 1830 – em particular, o avanço do movimento operário e de seu combate contra o capital.

No Posfácio de 1873, Marx expressa de forma mais concreta e explícita a posição de classe que reivindica para si: « Na medida em que esta crítica [da economia política burguesa – Michael Löwy] representa uma classe, esta não pode ser senão aquela cuja missão histórica é derrubada (umwälzung) do modo de produção capitalista e a abolição final das classes – o proletariado ». A expressão « na medida em que esta crítica representa uma classe » é altamente significativa: em nossa opinião, ela remete à problemática da autonomia relativa da ciência, isto é, Marx indica por isso que seu livro não deveria ser reduzido à dimensão « representação de classe », mesmo se ele reivindica para si, sem hesitação, um ponto de vista probletário.

Pode-se agora procurar resumir a concepção que tinha o próprio Marx da relação entre sua obra e a de seus predecessores: não um « corte epistemológico » entre « a ciência » e « os ideólogos », mas uma Aufhebung dialética que nega/conserva/supera os momentos anteriores. Mais precisamente, a clivagem com Ricardo é, ao mesmo tempo, uma radical ruptura de classe e uma separação/continuidade ao nível científico. Sobre o terreno das visões sociais de mundo, os dois são representantes de posições de classe rigorosamente contraditórias, mas do ponto de vista científico existe, ao mesmo tempo, uma diferença essencial e um encadeamento parcial entre elas. Enquanto «homem de ciência », Marx reconhece sua dívida para com Ricardo ( assim como para com Sismondi etc.), dívida que o corte de classes não aboliu ( a diferença com os socialistas ricardianos representou mais, como procuramos demonstrar, dois momentos diferentes na evolução do mesmo ponto de vista de classe). A démarche de Marx tem a grande vantagem de evitar os dois recifes onde o marxismo posterior encalhará ( bastante frequentemente ), com uma vontade e uma obstinação sempre renovadas: o reducionismo sociológico ( ou ideológico ou econômico ) que não percebeu os confrontos teóricos e científicos senão em termos de interesse de classe, e o positivismo vergonhoso, que pretende dissociar inteiramente o desenvolvimento da ciência social ( e o marxismo em particular ) da luta de classe e dos conflitos ideológicos.”

***

e um debate

http://ssociologos.com/2013/06/27/el-memorable-debate-entre-foucault-y-chomsky/

Debate Chomsky/Foucault La Naturaleza Humana: Justicia versus poder (completo español)

os argonautas e a palmeira imperial de cuba

[seg] 23 de setembro de 2013

O texto ficou uma bosta. Mas enviei. Enfim, é o ônus de deixar tudo para o último segundo, literalmente. Mas hoje foi bacana: feira de ciência regional, ganhei uma muda de palmeira real, (Roystonea regia) revi alunos e alunos, colegas professores, conversei bastante… enfim, cansado, mas satisfeito. Das 4 atividade para hoje, fiz 2. E está tudo ótimo.

A Escola – Paulo Freire


“Escola é…

o lugar onde se faz amigos

não se trata só de prédios, salas, quadros,

programas, horários, conceitos…

Escola é, sobretudo, gente,

gente que trabalha, que estuda,

que se alegra, se conhece, se estima.

O diretor é gente,

O coordenador é gente, o professor é gente,

o aluno é gente,

cada funcionário é gente.

E a escola será cada vez melhor

na medida em que cada um

se comporte como colega, amigo, irmão.

Nada de ‘ilha cercada de gente por todos os lados’.

Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir

que não tem amizade a ninguém

nada de ser como o tijolo que forma a parede,

indiferente, frio, só.

Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,

é também criar laços de amizade,

é criar ambiente de camaradagem,

é conviver, é se ‘amarrar nela’!

Ora , é lógico…

numa escola assim vai ser fácil

estudar, trabalhar, crescer,

fazer amigos, educar-se,

ser feliz.”

_______________________________________________________

Estrofes 37-40, canto V. “Os Lusíadas” de Luiz Vaz de Camões. 

plano de navegação

[qua] 6 de outubro de 2010

uma máquina fotográfica. uma aula sobre arnold van gennep, e seus ritos de passagem.

plano: fotografar o passado, viver o presente e sonhar o futuro. e no fim, conversamos quase uma hora sobre o que é política para ti e para mim, sobre nossas relações, nossos pais, nossos amores… e a minha (nossa) crise com a universidade e o discurso acadêmico, ou mais precisamente, o conflito entre discurso e a ação nesse mundo do cão. como é dificil buscar a prática que realize, ou busque realizar, o que os discursos apontam. somos tão presos, a maioria de nós, a convenções e preconceitos estúpidos, que nos amarram, e por vezes, nos amputam, da possibilidade de contestação do que nos violenta.

e sinto que está chegando a hora de desvestir esta armadura da criança violentada e do menino rejeitado e observar o meio com olhos sensíveis [recuperar aquele cara que está aqui em algum lugar].

imagens do dia

observando o mar de todo dia

e à noite, enquanto matava parte da aula, registrando o passado.
um sofá

LISBON REVISITED
(1923)
Não: não quero nada
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
1923
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). – 247.
1ª publ. in Contemporânea, nº 8. Lisboa: 1923.

[Tanta Guerra, Tanto Engano…]

No mar tanta tormenta e tento dano,
Tantas vezes a morte apercebida;
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e indigne o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?

Os Lusíadas [I, 106] Camões

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto dos Anjos

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