Archive for the 'Lula Queiroga – Luís de França Guilherme de Queiroga Filho' Category

acredite ou não… é mais além

2019, janeiro 12, sábado

e para fechar o dia… a trilha sonora do dia. estou exausto, mas contente.

Olho de Peixe (1994) – Lenine & Marcos Suzano

1. Acredite ou Não (0:11) // Composição: Braulio Tavares e Lenine // Deu raposa na cabeça / Deu bicho no pé do samba / Deu federa na muamba / Deu surfista na central / Deu entulho no canal / E no jornal deu a notícia / Que no cofre da polícia / Muita prova se escondeu / Estranho! Bizarro! / Tudo isso aconteceu, / Acredite, ou não… Inesperado! / Normal só tem você e eu / Metaleiros no Maraca / Japonês na Apoteose / Caretice no Panaca / Overdose no esperto / Tempestade no deserto / Maremoto na piscina / Rififi na Palestina / Bangue-bangue no Borel / Estranho! Bizarro! / Tudo isso aconteceu, / Acredite, ou não… Inesperado! / Normal só tem você e eu / Quando o mar não tá pra peixe / Jacaré vai de canoa / Quando a banda não é boa / Vai play-back e tudo bem / Nesta vida sempre tem / Uma surpresa de emboscada / Muita carta foi marcada / E muito jogo se perdeu / Estranho! Bizarro! / Tudo isso aconteceu, / Acredite, ou não… Inesperado! / Normal só tem você e eu / Dexa que digam, que pensem / que falem / Dexa isso pra lá vem pra cá / o que que tem / Eu não to fazendo nada / você também / Faz mal bater um papo assim / gostoso com alguém / Estranho! Bizarro! / Tudo isso aconteceu, / Acredite, ou não… Inesperado! / Normal só tem você e eu /// 2. O Último Pôr do Sol (4:04) // Composição: Oswaldo Lenine Macedo Pimentel e Luís de França Guilherme de Queiroga Filho // A onda ainda quebra na praia / Espumas se misturam com o vento / No dia em que ocê foi embora / Eu fiquei sentindo saudades do que não foi / Lembrando até do que eu não vivi / Pensando nós dois // No dia em que ocê foi embora / Eu fiquei sentindo saudades do que não foi / Lembrando até do que eu não vivi / Pensando nós dois // Eu lembro a concha em seu ouvido / Trazendo o barulho do mar na areia / No dia em que ocê foi embora / Eu fiquei sozinho olhando o sol morrer / Por entre as ruínas de Santa Cruz / Lembrando nós dois // No dia em que ocê foi embora / Eu fiquei sozinho olhando o sol morrer / Por entre as ruínas de Santa Cruz / Lembrando nós dois // Os edifícios abandonados / As estradas sem ninguém / Óleo queimado, as vigas na areia / A lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos / Por entre os dedos da minha mão / Passaram certezas e dúvidas // Pois no dia em que ocê foi embora / Eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém / O último homem no dia em que o sol morreu / Pois no dia em que ocê foi embora / Eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém / O último homem no dia em que o sol morreu  / Pois no dia em que ocê foi embora / Eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém / O último homem no dia em que o sol morreu /// 3. Miragem do Porto (7:54) // Eu sou aquele navio / no mar sem rumo e sem dono. / Tenho a miragem do porto / pra reconfortar meu sono, / e flutuar sobre as águas / da maré do abandono / Ê lá no mar / Eu vi uma maravilha. / Vi o rosto de uma ilha / Numa noite de luar / Êta luar / Lumiou o meu navio, / Quem vai lá no mar bravio / Não sabe o que vai achar / E sou a ilha deserta / Onde ninguém quer chegar. / Lendo a rota das estrelas, / na imensidão do mar / chorando por um navio / ai, ai, ui, ui / Que passou sem lhe avistar. / Ê lá no mar / Eu vi uma maravilha. / Vi o rosto de uma ilha / Numa noite de luar / Êta luar / Lumiou o meu navio, / Quem vai lá no mar bravio / Não sabe o que vai achar / Ê lá no mar / Eu vi uma maravilha. / Vi o rosto de uma ilha / Numa noite de luar / Êta luar / Lumiou o meu navio, / Quem vai lá no mar bravio / Não sabe o que vai achar /// 4. Olho de Peixe (12:25) // Composição: Oswaldo Lenine Macedo Pimentel // Permanentemente, preso ao presente / O homem na redoma de vidro / São raros instantes / De alívio e deleite / Ele descobre o véu / Que esconde o desconhecido, / desconhecido / E é como uma tomada à distância / grande angular / É como se nunca estivesse existido dúvida, / Existido dúvida / Evidentemente a mente é como um baú / E homem decide o que nele guardar / Mas a razão prevalece, / Impõe seus limites / E ele se permite esquecer de lembrar, / Esquecer de lembrar / É como se passasse a vida inteira / Eternizando a miragem / É como o capuz negro / Que cega o falcão selvagem, / O falcão selvagem / Se na cabeça do homem tem um porão / Onde moram o instinto e a repressão / (diz aí) / O que tem no sótão? / O que tem no sótão? / O que tem no sótão? / Se na cabeça do homem tem um porão / Onde moram o instinto e a repressão / (diz aí) / O que tem no sótão? / O que tem no sótão? / O que tem no sótão? / O que tem no sótão? / O que tem no sótão? / O que tem no sótão? /// 5. Escrúpulo (14:53) // É muito além / É mais do que devia / Excesso que dá / De toda delicadeza… // Portanto, contudo, todavia / Toda vez você desvia / O rumo do assunto / E nunca que chega junto / E nunca que chega / Ao centro da questão / Escrúpulo!… // Você não fala pelas costas / Você não fala pelos cotovelos / Passa noites em claro / Mordendo a fronha / E escolhendo frases / De efeito moral / E nunca que você dá jeito / E nunca que ninguém / Dá jeito na situação / Escrúpulo!… // O tímido medo do ridículo / É sempre no limite / Que você decide / Decide se vai, ou se fica / Ou se foge / Decide, revide ou decide / Perdão!… // Você não sabe / Muito bem ao certo / Com que medida / Pode ser medido / O que é que move lá no fundo / Da verdade oculta / O que é que assusta / O seu coração / Você persegue a causa / E nunca que percebe / A causa da destruição / Escrúpulo!… // Odeio ficar fazendo rodeio / E pelo tolo receio / De ouvir um não / E dando passos em falso / Andando em círculo / O pé atrás, o impasse / O nó na garganta / Então já não adianta / Agora já não adianta / Mudar a decisão / Escrúpulo!… // O tímido medo do ridículo / É sempre no limite / Que você decide / Decide se vai, ou se fica / Ou se foge / Decide, revide ou decide / Perdão!… /// 6. O Que É Bonito? (18:57) // O que é bonito / É o que persegue o infinito / Mas eu não sou / Eu não sou, não… / Eu gosto é do inacabado / O imperfeito, o estragado que dançou / O que dançou… / Eu quero mais erosão / Menos granito / Namorar o zero e o não / Escrever tudo o que desprezo / E desprezar tudo o que acredito / Eu não quero a gravação, não / Eu quero o grito / Que a gente vai, a gente vai / E fica a obra / Mas eu persigo o que falta / Não o que sobra / Eu quero tudo / Que dá e passa / Quero tudo que se despe / Se despede e despedaça / O que é bonito… /// 7 Caribenha Nação/Tuaregue e Nagô (22:38) // Composição: Bráulio Tavarez e Lenine // Lá / Onde o mar bebe o Capibaribe / Coroado leão / Caribenha nação / Longe do Caribe. / Tuaregue Nagô / É a festa dos negros coroados / Num batuque que abala o firmamento; / É a sombra dos séculos guardados / É o rosto do girassol dos ventos. / É a chuva, o roncar de cachoeiras, / Na floresta onde o tempo toma impulso, / É a força que doma a terra inteira / As bandeiras de fogo do crepúsculo. / Quando o grego cruzou Gibraltar / Onde o negro também navegou, / Beduíno saiu de Dacar / E o Viking no mar se atirou. / Uma ilha no meio do mar / Era a rota do navegador, / Fortaleza, taberna e pomar, / Num país tuaregue e nagô. / É o brilho dos trilhos que suportam / O gemido de mil canaviais; / Estandarte em veludo e pedrarias / Batuqueiro, coração dos carnavais. / É o frevo, a jogar pernas e braços / No alarido de um povo a se inventar; / É o conjuro de ritos e mistérios / É um vulto ancestral de além-mar. / Quando o grego cruzou Gibraltar / Onde o negro também navegou, / Beduíno saiu de Dacar / E o Viking no mar se atirou. / Era o porto para quem procurava / O país onde o sol vai se pôr / E o seu povo no céu batizava / As estrelas ao sul do Equador. /// 8. Lá e Lô (26:14) // Tanto faz se é pirata ou rei / Tanto faz se é pirata ou rei / O reinado de um rei / Nas mãos de um pirata de lei se apaga / Se apaga / Oh se apaga / Se apaga / Tanto faz se rei ou pirata, viu / Tanto faz se rei ou pirata / A nau de um pirata nas mãos de um rei de lata / Se afoga / Se afoga, oh se afoga / Se afoga / Tanto faz se o rei pirateou / ‘tô lá e lô / Tanto faz se o pirata reinou / Eu ‘tô de lá e lô / Tanto faz se o rei pirateou / ‘tô lá e lô / Tanto faz se o pirata reinou / Eu ‘tô de lá e lô / Tanto faz se o rei pirateou / ‘tô lá e lô / Tanto faz se o pirata reinou / ‘tô de lá e lô / Tanto faz se o rei pirateou / ‘tô lá e lô / Tanto faz se o pirata reinou / ‘tô de lá e lô / ‘Tô de lá e lô / ‘Tô de lá e lô / ‘Tô de lá e lô / ‘Tô de lá e lô /// 9. Leão do Norte (28:53) // Composição: Lenine e Paulo César Pinheiro // Sou o coração do folclore nordestino / Eu sou Mateus e Bastião do Boi Bumbá / Sou um boneco do Mestre Vitalino / Dançando uma ciranda em Itamaracá / Eu sou um verso de Carlos Pena Filho / Num frevo de Capiba, ao som da orquestra armorial / Sou Capibaribe num livro de João Cabral / Sou mamulengo de São Bento do Una / Vindo num baque solto de um Maracatu / Eu sou um auto de Ariano Suassuna / No meio da Feira de Caruaru / Sou Frei Caneca no Pastoril do Faceta / Levando a flor da lira pra Nova Jerusalém / Sou Luiz Gonzaga, eu sou do mangue também / Eu sou mameluco, sou de Casa Forte / Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte / Eu sou mameluco, eu sou de Casa Forte / Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte / Sou Macambira de Joaquim Cardoso / Banda de Pife no meio do Canavial / Na noite dos tambores silenciosos / Sou a calunga revelando o Carnaval / Sou a folia que desce lá de Olinda / O homem da meia-noite puxando esse cordão / Sou jangadeiro na festa de Jaboatão / Eu sou mameluco, sou de Casa Forte / Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte / Eu sou mameluco, sou de Casa Forte / Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte / Eu sou mameluco, sou de Casa Forte / Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte / Eu sou mameluco, sou de Casa Forte / Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte / Eu sou mameluco, sou de Casa Forte / Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte / Eu sou mameluco, sou de Casa Forte / Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte / Eu sou mameluco, sou de Casa Forte / Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte / Eu sou mameluco, sou de Casa Forte / Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte /// 10. A Gandaia das Ondas/Pedra e Areia (32:12) // Composição: Dudu Falcão e Lenine // É bonito se ver na beira da praia / A gandaia das ondas que o barco balança / Batendo na areia, molhando os cocares dos coqueiros / Como guerreiros na dança // Oh, quem não viu vai ver / Oh, quem não viu vai ver / Oh, quem não viu vai ver / Oh, quem não viu vai ver / A onda do mar crescer // Olha que brisa é essa / Que atravessa a imensidão do mar / Rezo, paguei promessa / E fui a pé daqui até Dakar / Praia, pedra e areia / Boto e sereia / Os olhos de Iemanjá / Água, mágoa do mundo / Por um segundo / Achei que estava lá / Olha que luz é essa / Que abre caminho pelo chão do mar / Lua, onde começa / E onde termina / O tempo de sonhar / Praia, pedra e areia / Boto e sereia / Os olhos de Iemanjá / Água, mágoa do mundo / Por um segundo / Achei que estava lá / Eu tava na beira da praia / Ouvindo as pancadas das ondas do mar / Não vá, oooh, morena / Morena lá / Que no mar tem areia /// 11. Mais Além (35:18) // Composição: Braulio Tavares, Ivan Santos, Lenine e Lula Queiroga // A leste das montanhas da nação Cherokee / Um índio na motocicleta cruza o deserto / Ao longe o cemitério onde dorme o pai, / Mas ele sabe que seu pai não está ali, / É mais além / Mais além / A linha que separa / O mar do céu de chumbo / A gaivota caça o peixe radioativo / O náufrago retém a última miragem / E morre como se continuasse vivo / É mais, é mais além / (Mais além) / Um pouco de exagero, não é nada demais / Um olho nas estrelas, outro olho aqui / O astrônomo lunático / Brincando com o sol / Descobre que a distância / Não é mais que um cálculo / É mais, é mais, é mais além / (Mais além) / A lua metafísica na poça de lama, / Ponteiros que disparam / Ao contrário das horas / Hora de saber o que mudou em você, / Que olha no espelho e não vê ninguém / É mais, é mais, é mais, é mais além / (Mais além) / O homem sobre a areia como era no início / Roçando duas pedras, uma em cada mão / Descobre a fagulha / Que incendeia o paraíso / E imaginou que havia inventado Deus / É mais, é mais, é mais, é mais, é mais além / (Mais além) /// maxresdefault (1)Olho de Peixe (1994) – Lenine & Marcos Suzano /// Lenine – Voz, Vocais e Violão / Marcos Suzano – Percussão / Carlos Malta – Saxofone / Eduardo Siddha – Percussão acidental / Fernando Moura – Teclados / Paulo Muylaert – Guitarra.

o dia em que faremos contato?!

2009, setembro 6, domingo

# 1. A Ponte [ Como é que faz pra lavar a roupa? / Vai na fonte, vai na fonte / Como é que faz pra raiar o dia? / No horizonte, no horizonte / Este lugar é uma maravilha // … / A ponte não é de concreto, não é de ferroNão é de cimentoA ponte é até onde vai o meu pensamento /A ponte não é para ir nem pra voltar // … / A ponte é o abraço do braço do mar / Com a mão da maré / A ponte não é para ir nem pra voltar / A ponte é somente pra atravessar / Caminhar sobre as águas desse momento // Nagô, nagô, na Golden Gate / Entreguei-te / Meu peito jorrando meu leite / Mas no retrato-postal fiz um bilhete / No primeiro avião mandei-te / Coração dilacerado / De lá pra cá sem pernoite /De passaporte rasgado / Sem ter nada que me ajeite /Coqueiros varam varandas no Empire State /Aceite / Minha canção hemisférica /A minha voz na voz da América / Cantei-te… / LENINE, LULA QUEIROGA ]  # 2. Hoje Eu Quero Sair Só [Se você quer me seguir, Não é seguro / Você não quer me trancar, num quarto escuro /Às vezes parece até, Que a gente deu um nó / Hoje eu quero sair só // Você não vai me acertar, À queima-roupa / Vem cá, me deixa fugir, me beija a boca / Às vezes parece até que a gente deu um nó / Hoje eu quero sair só / Não demora eu ‘tô de volta… //  Vai ver se eu ‘tô lá na esquina, devo estar…  / Já deu minha hora e eu não posso ficar… / A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua… /A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua // … / Vem cá, me deixa fugir, me beija a boca / Às vezes parece até que a gente deu um nó / Hoje eu quero sair só / Não demora eu ‘tô de volta… // …  /A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua…  /A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua… // Vai ver se eu ‘tô lá na esquina, devo estar…  / Já deu minha hora e eu não posso ficar… / A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua… /A lua me chama, chama // Hoje eu quero sair só / Hoje eu quero sair só / Hoje eu quero sair só / Hoje eu quero sair só // A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua…/A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua… / Hoje eu quero sair só / Hoje eu quero sair só / Hoje eu quero sair só… /LENINE, MU CHEBABI, CAXA ARAGÃO] # 3. Candeeiro Encantado [Lá no sertão cabra macho não ajoelha, /nem faz parelha com quem é de traição, / puxa o facão, risca o chão que sai centelha, / porque tem vez que só mesmo a lei do cão. // è lamp, é lamp, é lamp… / é lampião // Meu candeeiro encantado… // Enquanto a faca não sai toda vermelha, /a cabroeira não dá sossego não, / revira bucho, estripa corno, corta orelha, / quem nem já fez Virgulino, o capitão. // é lamp… // já foi-se o tempo do fuzil papo amarelo, /pra se bater com o poder lá do sertão, /mas lampião disse que contra o  flagelo, / tem que lutar de parabelo na mão. //é lamp… // falta o cristão aprender com São Francisco, / falta tratar /o nordeste com o sul, /falta outra vez /lampião, trovão, corisco, /falta feijão / invés de mandacaru, falei? / falta a nação / acender seu candeeiro, / faltam chegar /mais gonzagas lá de Exú /falta o Brasil / de Jackson do pandeiro, / maculêlê, carimbó, / maracatu. /LENINE, PAULO CÉSAR PINHEIRO # 4. Etnia Caduca [É o camaleão diante do arco-íris /Lambusando de cores nos olhos da multidão / É como um caldeirão misturando ritmos e raças /É a missa da miscigenação // Um mameluco maluco /Um mulato muito louco / Moreno com cafuso / Sarará com caboclo // Um preto no branco / E um sorriso amarelo banguelo (bis) //  Galego com crioulo / Nissei com pixaim / Coriboca com loiro /Caburé com Curumim // É o camaleão e as  cores do arco-íris / Na maior muvuca /Ô… Etnia caduca /LENINE] # 5. Distantes Demais [Somos somente a fotografia / Dois navegantes perdidos do cais / Distantes demais // Somos instantes, palavras, poesia / Dois delirantes ficando reais // Distantes demais // Noite de sol / Loucos de amar / Quem poderia nos alcançar // Eu e você sem perceber / Fomos ficando iguais / Longe, distantes demais /LENINE, DUDU FALCÃO] # 6. O Dia Em Que Faremos Contato [A nave quando desceu, desceu no morro / Ficou da Meia-noite ao Meio-dia /Saiu, deixou uma gente / Tão igual e diferente / Falava e todo mundo entendia // Os Homens se perguntaram / Por que não desembarcaram / em São Paulo. Em Brasília ou em Natal / Vieram pedir socorro / Pois quem mora lá no morro / Vive perto do espaço sideral // Pois em toda via láctea / Não existe um só planeta / Igual a esse daqui / A galáxia ‘tá em guerra / Paz só existe na terra / A paz começou aqui // Sete Artes e dez mandamentos / Só tem aqui / Cinco sentidos, terra, mar firmamento /Só tem aqui /Essa coisa de riso e de festa / Só tem aqui / Baticum, Ziriguidum, Dois Mil e Um!! / Só tem aqui // A Nave Estremeceu, subiu de novo / Deixou um rastro de luz, ao meio-dia / Entrou de volta nas trevas, foi buscar futuras Léguas / Pra Conhecer o amor e a Alegria //A nave quando desceu, desceu no morro / Cheia de ET vestido de orixá /Vieram pedir socorro / E se deram vez ao morro / Todo o universo vai sambar… / Ô, vai sambar… / LENINE, BRAÚLIO TAVARES] # 7. A Balada Do Cachorro Louco [Eu não alimento nada duvidoso / Eu não dou de comer a cachorro raivoso / Eu não morro de raiva / Eu não mordo no nervo dormente // Eu posso até não achar o seu coração / E talvez esquecer o porquê da missão / Que me faz nessa hora aqui presente / E se a minha balada na hora H / Atirar para o alvo cegamente / Ela é pontiaguda / Ela tem direção / Ela fere rente / Ela é surda, ela é muda / A minha bala, ela fere rente // Eu não alimento nenhuma ilusão / Eu não sou como o meu semelhante / Eu não quero entender / Não preciso entender sua mente / Sou somente uma alma em tentação / Em rota de colisão / Deslocada, estranha e aqui presente // E se a minha balada na hora então / Errar o alvo na minha frente / Ela é cega, ela é burra / Ela é explosão / Ela fere rente / Ela vai, ela fica / A minha bala ela fere rente / LENINE, LULA QUEIROGA, CHICO NEVES] # 8. Aboio Avoado [Era um delírio danado / De queimar as pestanas dos olhos. / Um tremor batendo no peito / E esse adeus, que tem gosto de terra. //Ah! Meu amor! / Não se entregue sem mim / Ah! Meu amor! / Eu só quero avoar. / ZÉ ROCHA] # 9. Dois Olhos Negros [Queria ter coragem de saber / O que me prende, o que me paralisa / Serão dois olhos negros como os teus / Que me farão cruzar a divisa // É como se eu fosse pro Vietnã / Lutar por algo que não será meu / A curiosidade de saber / Quem é você… // Dois Olhos Negros! / Dois Olhos Negros! // Queria ter coragem de te falar / Mas qual seria o idioma? / Congelado em meu próprio frio / Um pobre coração em chamas // É como se eu fosse um colegial / Diante da equação, o quadro giz /A curiosidade do aprendiz / Diante de Você… // Dois Olhos Negros! / Dois Olhos Negros! / Dois Olhos Negros! / Dois Olhos Negros! // O ocultismo, o vampirismo e o voodoo / O ritual, a dança da chuva / A ponta do alfinete, o corpo nú / Os vários olhos da Medusa // É como se estivéssemos ali / Durante séculos fazendo amor / É como se a vida terminasse aqui / No fim do corredor… /LULA QUEIROGA] # 10. O Marco Marciano [Pelos auto-falantes do universo / Vou louvar-vos aqui na minha loa / Um trabalho que fiz noutro planeta / Onde nave flutua e disco voa: / Fiz meu marco no solo marciano / Num deserto vermelho sem garoa // Este marco que eu fiz é fortaleza. / E levando ao quadrado Gibraltar! / Torreão, levadiça, raio-laser / E um sistema internet de radar: / Não tem sonda nem nave tripulada / Que consiga descer nem decolar. // Construi o meu marco na certeza / Que ninguém, cibernético ou humano. / Poderia romper as minhas guardas / Nem achar qualquer falha no meu plano / Ficam todos em Fobos ou em Deimos / Contemplando o meu marco marciano // O meu marco tem rosto de pessoa / Tem ruínas de ruas e cidades / Tem muralhas, pirâmides e restos / De culturas, demônios, divindades: / A história de Marte soterrada / Pelo efêmero pó das tempestades // Construi o meu marco gigantesco / Num planalto cercado por montanhas / Precipícios gelados e falésias / Projetando no ar formas estranhas / Como os muros Ciclópicos de Tebas / E as fatais cordilheiras da Espanha // Bem na praça central um monumento / Embeleza meu marco marciano: / Um granito em enigma recortado / Pelos rudes martelos de Vulcano: / Uma esfinge em perfil contra o poente / Guardiã imortal do meu do meu Arcano / LENINE, BRAÚLIO TAVARES] # 11. Que Baque É Esse? [Ô Nega, que baque é esse? / Chegou pra me baquear. / Nega, tu não se avexe, / Meu corpo remexe / Sem se perguntar: Por quê? // Nega que baque é esse? / Ninguém pode me ajudar / Só mesmo com você / Quero ver o baque da vida virar. // O verão chegou, / O Sol já saiu / Pra tirar teu mofo / E o maracatu passou / Já com o bombo batendo fofo. / Só quem vai atrás / É capaz de entender / Toda essa magia / A nega dançando, / E a negada babando na fantasia / LENINE] # 12. Pernambuco para o mundo: Voltei Recife [Voltei, Recife / Foi a saudade / Que me trouxe pelo braço / Quero ver novamente “Vassoura” / Na rua abafando / Tomar umas e outras / E cair no passo // … / LUIS BANDEIRA]; Frevo ciranda [Eu fui à praia do Janga / Pra ver a ciranda / No meu cirandar – Ciranda // O mar estava tão belo / E um peixe amarelo / Eu vi navegar – Navegar //Não era peixe não era / Era Iemanjá / Rainha / Dançando a ciranda / Ciranda / No meio do mar / Ciranda. / CAPIBA]; Sol e chuva [Não não quero mais / Brincar de sol e chuva / Com você /  Não suporto mais / Brincar de sol e chuva / Com você / Eu não quero mais… // Para seu dedo tenho / Um dedal  / Pro seu conselho / Cara de pau  / Tenho dezembro  / Tenho janeiro /E se não me engano / Tenho fevereiro  / Se essa vida / É um desmantelo /Me mate /  Que eu sou /Muito vivo / Vivo /ALCEU VALENÇA]; Rios, Pontes e Overdrives [… / Rios Pontes e Overdrives, Impressionantes esculturas de lama / Mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue!!!! /Rios Pontes e Overdrives, Impressionantes esculturas de lama / Mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue! / … / CHICO SCIENCE, FRED ZERO QUATRO] # 13. Bundalelê [Chegou, chegou… / A nossa tribo é o tambor que acorda o carnaval. / Bebeu, sorriu, cantou… / E organizou o cartel do alto-astral. / Você que nada e não morre na praia, / Você que é da gandaia, me diz, / Você que é do prazer, / Abra os seus olhos pra ver,  /  O lado iluminado do país // O Rio de Janeiro continua rindo, / É fevereiro e o Suvaco ‘tá na rua, / Até o Cristo lá do alto vem segundo, / Abraçando o sol, até beijar a lua. //Aqui, / Qualquer tostão faz uma festa, / Aqui, / Qualquer maluco é cidadão, / Aqui já ‘tá tão bom, se melhorar não presta,  / Só falta consertar o resto da nação. // Valeu, / Lavar o verde e o amarelo, / Valeu, / Atravessar noventa e dois, / Me beija, / Me dá um gole de cerveja, / E o resto deixa pra depois. // É bundalelê / É bundalalá / Vou no vácuo do Suvaco, / Até onde me levar, // É bundalelê / É bundalalá / Juntei a tribo, / E ‘tô aqui pra anunciar… // Que o suvaco chegou… / LENINE, BRAÚLIO TAVARES] # 14. Mote Do Navio [Lá vem a barca / Trazendo o povo / Pra liberdade / Que se conquista // Venceu dragão do mar / Lá vem a barca /Venceu a tempestade /Lá vem a barca / Trouxe pra nossa casa / A força da mocidade //Lá vem a barca… // Pode chover balaço / Lá vem a barca /A noite amanhecer /Lá vem a barca / Marujo não descansa /Enquanto o povo perder // Lá vem a barca… // Plantar felicidade /Lá vem a barca /Na vida da nação /Lá vem a barca / É coisa de poeta / Navega na contra-mão // Lá vem a barca… //O mar não tá pra peixe /Lá vem a barca / Que some no vazio / Lá vem a barca /O mundo canta comigo / No mote desse navio //Lá vem a barca… / PEDRO OSMAR]

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