Archive for the 'Márcia Angelita Tiburi' Category

inédito possível – contranarciso

2018, dezembro 19, quarta-feira

2h juliana escreveu isto: «Como discorre Gardner, não é utopia, apenas um inédito possível».

Será:

  • Michael E. Gardiner, autor de «The Dialogics of Critique: M.M. Bakhtin and the Theory of Ideology» [sem tradução para o pt-br]?

GOSTEI DA PESQUISA QUE FIZ… VOLTAR AQUI E LER MAIS COISAS DO PROF. GARDINER:

Publicações de periódicos referenciados
(2018) "Um autônomo Marcuse?"Repensando o marxismo 30 (2):232-25.
(2017) "Crítica do Aceleracionismo"Theory, Culture & Society 34 (1):29-52.
(2016) "Bakhtin na plenitude do tempo: a teoria bakhtiniana e o processo de educação social"(com Craig Brandist, Jayne White e Carl Mika), Educational Philosophy and Theory 2016:1-5.
(2016) "Bakhtin, Tédio e a 'Democratização do Ceticismo'The European Legacy 22 (2):163-184.
(2016) "Bakhtin e o 'general intellect'"Filosofia Educacional e Teoria 2016:1-16.
(2014) "A Multidão Contra-Ataca? Tédio na Era do Semiocapitalismo"New Formations , 82 (2):31-48 (edição especial sobre 'Mood Work').
(2012) "Henri Lefebvre e a 'Sociologia do Tédio'"Theory, Culture & Society 29 (2):37-62.
(2012) Ironia pós-romântica em Bakhtin e Lefebvre"História das Ciências Humanas 25 (3),51-69.]

acredito que o primeiro será mais promissor… mas não importa, há um punhado de coisas para ler e investigar.

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REINVENTANDO PAULO FREIRE O INÉDITO VIÁVEL

Paulo Freire trata da categoria do inédito viável nos livros Pedagogia do Oprimido e Pedagogia da Esperança, com espaço de 20 anos entre as duas publicações, uma na década de 1960, no exílio, e a outra já de retorno ao Brasil, na década de 1980.
A escritora e viúva de Paulo Freire, Ana Maria Araújo Freire, na Nota 1 do livro Pedagogia da Esperança, traz uma análise sobre o “inédito-viável”, reproduzida a seguir:

“Uma das categorias mais importantes porque provocativa de reflexões nos escritos da Pedagogia do Oprimido é o “inédito-viável”. Pouco comentada e arrisco dizer pouco estudada, essa categoria encerra nela toda uma crença no sonho possível e na utopia que virá, desde que os que fazem a sua história assim queiram, esperanças bem próprias de Freire.
Para Freire as mulheres e os homens como corpos conscientes sabem bem ou mal de seus condicionamentos e de sua liberdade. Assim encontram, em suas vidas pessoal e social, obstáculos, barreiras que precisam ser vencidas. A essas barreiras ele chama de “situações-limites”…

[continue a leitura aqui: REINVENTANDO PAULO FREIRE O INÉDITO VIÁVEL]

***

16h00 citando duas pessoas interessantes, uma que conheço e admiro, outra que ainda, um dia, gostaria de conhecer (anotei aqui porque dialogam com o tema de fundo e título desta postagem, ambos oriundos da citação anterior, acima, de juliana. todos via timeline, fb).

de luana,

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 23ªed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.

“A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa.”

de diogo,

«Tá difícil pagar as sessões de terapia… Então, tô fazendo um convênio com o consultório de psicoterapia do Seu Zuckerberg. Vai aí a sessão de hoje:
As vezes, quando a gente se depara com um problema “nosso”, da nossa alma, do nosso jeito próprio de ser, olhando bem pra dentro da gente, a gente não vê nada!! Virou moda o “mindfullness”, e a receita da felicidade buscando o “eu interior”, o seu próprio “centro”, yoga, coisa e tal. Eu faço, mas confesso que não dava muito certo, porque eu olhava pro “meu interior” e não via nada… Claro (!), eu sou uma pessoa vazia, isso não é novidade (pelo menos pra mim). Mas nessa busca interior resolvi olhar pra fora. Como eu sou um tardo-iluminista desconfiei que a humanidade já deveria ter suspeitado do “meu” problema, e confiei que ela já tinha pensado numa resposta. Fui procurar… nos livros, claro! Mas o meu iluminismo não é de enciclopedista, e como não quis descambar pra Descartes, confie que o mundo dos afetos auxiliaria a razão pura. É, apelei pra poesia, não tinha outra. Meu iluminismo tem seus limites… Aí eu bati com a cara no Leminski. E ele me respondeu assim, com esse poeminha que tá logo ali embaixo. Batata!! Aí a “verdade universal” apareceu (claro, pra mim, tardo-iluminista): a humanidade já resolveu muito dos “meus” problemas, e me emprestou a solução pra eu resolver da minha forma o problema nosso de cada dia. Putz, não é que a centralidade do “Eu” está no “Nós”?!?! Dale, Leminski:

“em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas

o outro
que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós” (Contranarciso, Paulo Leminski)»

Poema retirado da coletânea “Toda poesia”, ed. Cia. das Letras. Voz de Arnaldo Antunes.

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e ao lado o link para esse belo trabalho ‘vídeo do clipe de poema’  de Caio Henrique

23h09… estava quase dormindo, mas descobrir que o diogo tavares se foi, me despertou de uma forma incomoda. saltou… e o paraquedas reserva enrolou-se… tinha quase a minha idade.

23h51… edito tudo isto aqui: estava ali nos rascunhos… e na busca de referências, poemas e vídeos… cheguei nisto aqui:

Recalculando Rotas – Márcia Tiburi: Amor mamífero

a metáfora do tubarão

2018, outubro 16, terça-feira

há algumas notas para registrar… desses últimos dias.

mas só consigo dizer…

abordagens psicológicas e o big data… e lá vamos nós eleitores/consumidores para o abismo/matadouro.

«Qual é a melhor placa para eu fincar na areia?… A metáfora do tubarão no limite da ética».

preciso ler…

na fila:

ÉTICA E PÓSVERDADE de Christian Dunker, Cristovão Tezza, Julián Fuks, Marcia Tiburi e Vladimir Safatle

A ARQUEOLOGIA DO SABER de Michel Foucaul

Verdade e diferença no pensamento de Michel Foucault, por Cesar Candiotto

«Nos anos 1990, Woody Allen dizia que o mundo podia ser horrível, mas ainda era o único lugar onde se poderia comer um bife decente. Nos anos 2000, Cyfer, o personagem de Matrix que decide voltar para o mundo da ilusão, declara: “a ignorância é uma bênção”. Portanto, não deveríamos nos assustar quando o dicionário Oxford declara o termo “pós-verdade” a palavra do ano de 2016. Uma longa jornada filosófica e cultural foi necessária para que primeiro aposentássemos a noção de sujeito, depois nos apaixonássemos pelo Real, para finalmente chegar ao estado presente no qual a verdade é apenas mais uma participante do jogo, sem privilégios ou prerrogativas». A Pós-Verdade e seu tempo político  por Christian Dunker

***

El sembrador de fuego

El sembrador de fuego / O semeador de fogo / The fire sower

«O pintor deste quadro – neste caso, podemos dizer – criou coragem de reconhecer a existência de um medo geral e profundo, e de expressá-la através da sua arte, assim como outros tiveram a ousadia (ou não conseguiram evitar) de escolher como tema o desejo consciente ou inconsciente de destruição, que também é geral, tornando, deste modo, visível a desagregação que termina no caos. Eles o fizeram com a “superioridade” da paixão herostrática¹, que não conhece nem o temor, nem o que virá depois. Mas, o medo é uma confissão de inferioridade em que a pessoa, assustada pelo caos, almeja uma realidade firme e palpável, a continuidade do já existente, e a satisfação da mente, a cultura. Quem tem medo está ciente de que a desagregação do nosso mundo é o resultado da insuficiência dele, e que a este mundo falta algo essencial, que poderia evitar o caos. Contra o estado fragmentário do passado, o mundo tem que contrapor o anseio de ser total e inteiro. Mas já que isto, aparentemente, não pode ser encontrado na atualidade, então também não há possibilidade de imaginar aquilo que integra as partes num todo. Tornamo-nos céticos, e os ideais quiméricos de melhorar o mundo estão em cotação baixa. Por esse motivo também não se acredita, ou só se acredita parcialmente, nas velhas fórmulas que acabaram fracassando. A ausência de imagens de…

1 [HERÓSTRATO destruiu, em 365 a.C., o templo de Ártemis, em Éfeso, para eternizar o seu nome]». em «Um Mito Moderno Sobre Coisas vistas no Céu» Carl Gustav Jung

***

vento leste / garoa constante

rima istmo / estreito peito /

rema a eito / atravessa triste

a tarde estreita / dos continentes

ou oceanos / de gente deserta /

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«(…) 7. Farto também estou das tuas ideias claras e distintas a respeito de muitas outras coisas, e é só pra contrabalançar tua lucidez que confesso aqui minha confusão, mas não conclua daí qualquer sugestão de equilíbrio, menos ainda que eu esteja traindo uma suposta fé na “ordem”, afinal, vai longe o tempo em que eu mesmo acreditava no propalado arranjo universal (que uns colocam no começo da história, e outros, como você, colocam no fim dela), e hoje, se ponho o olho fora da janela, além do incontido arroto, ainda fico espantado com este mundo simulado que não perde essa mania de fingir que está de pé. (…) »«O ventre seco».  Raduan Nassar. In: Menina a caminho. Cia das Letras.