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a corrosão do caráter: conseqüências pessoais do trabalho no novo capitalismo

[ter] 11 de setembro de 2018

galeano

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«Sí, somos una civilización de soledades que se encuentran y desencuentran continuamente sin reconocerse. Ese es nuestro drama, un mundo organizado para el desvínculo, donde el otro es siempre una amenaza y nunca una promesa.» Eduardo Galeano, em entrevista para Ima Sanchís

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«»Nas próprias palavras do autor, caráter é (…) o valor ético que atribuímos aos nossos próprios desejos e às nossas relações com os outros, ou se preferirmos … são os traços pessoais a que damos valor em nós mesmos, e pelos quais buscamos que os outros nos valorizem (p. 10).

Diante das mudanças no mundo do trabalho, …como se pode buscar objetivos de longo prazo numa sociedade de curto prazo? Como se podem manter relações duráveis? (p.27)

a sociedade está em contínua revolta contra o tempo rotineiro, com o trabalho taylorista/fordista, e assim parece endossar as palavras de Adam Smith: a rotina embrutece o espírito, sendo o trabalho de rotina degradante (p. 41).

a reinvenção descontínua de instituição, ou seja, uma total ruptura do presente com o passado como forma de atacar a burocracia; a especialização flexível, isto é, … as empresas cooperam e competem ao mesmo tempo, buscando nichos no mercado que cada uma ocupa temporariamente, e não permanentemente, adaptando a curta vida de produto de roupas, têxteis ou peças de máquinas (p.59);

O problema do caráter nesse tipo de capitalismo é que há história, mas não existe narrativa partilhada com os outros e, assim, o caráter se corrói. O pronome “nós” é um perigo gigantesco para os capitalistas que vivem da desordem da economia e temem a organização e o ressurgimento dos sindicatos, e por isso, (…) um regime que não oferece aos seres humanos motivos para ligarem uns para os outros não pode preservar sua legitimidade por muito tempo (p.176)

Richard Sennett – A Corrosão do caráter: conseqüências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Trad. Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: Record, 1999. Excertos da resenha de Luiz Paulo Jesus de Oliveira, in: CADERNO CRH, Salvador, n. 30/31, p. 363-367, jan./dez. 1999.

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