Archive for the 'Mauro Luís Iasi' Category

o empréstimo da poesia

2019, março 8, sexta-feira

quando o despertador tocou, seriamente pensei em ficar na cama. não levantar. ceder. afinal desde de terça-feira de madrugada meu pé vai inchado e doendo.

e eu não te levo neruda, nem drummond (mas eu sei onde estão as antologias)… nem quintana, nem hilda, nem ana c, nenhuma mulher… mas eu vou, com um pacote de livros. e com o desejo que eu tenha um bom dia de trabalho.

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ps: voltando e editando… dei esse de presente.

mas como um país não é a soma de rios, leis, nomes de ruas, questionários e geladeiras

2018, novembro 6, terça-feira

acordo resoluto. são duas e dezoito. aqueço meu chá de guaco e passo unguento, vaporub.

fichar dois txts: A classe média no espelho A elite do atraso

e preparar slide da aula:

se der… corrigir as avaliações.

e se der ainda… finalizar as tarefas no moodle.

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«Uma coisa é um país,
outra uma cicatriz.»
Affonso Romano de Sant’Anna

já são três e onze… o tempo voa: dormir e ler amanhã:

O GOLPISMO PLUTOCRÁTICO E O ÓDIO À DEMOCRACIA: Reflexões na companhia de Jessé Souza, David Graeber e Jacques Rancière

e

AS FRATURAS DE UMA PÁTRIA PARTIDA – Por Mauro Iasi, Vladimir Safatle e Eduardo Viveiros de Castro

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já são vinte e duas e cinquenta e oito… depois de um dia nulo. não fiz nada além de esperar e dormir, com atestado para o dia, e com a receita de antialérgico, antibiótico e analgésico. mas logo mais… há um caminhão de coisas me esperando.

tem me faltado coragem para viver. ah, guimarães…

estou a beira do colapso.

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«Not to examine one’s practice is irresponsible;
to regard teaching as an experiment and to monitor
one’s performance is a responsible professional act.»
(Ruddock, 1984 apud Williams & Burden, 1997:55)

nota de rodapé:

RUDDOCK, J. Teaching as an art, teacher research and research-based teacher education.
Second Annual Lawrence Stenhouse Memorial Lecture, University of East Anglia, 1984 apud WILLIAMS, M. & BURDEN, R. L. Psychology for language teachers: a social constructivist approach. Cambridge: Cambridge University Press, 1997

SOUZA, Jessé José Freire de. A elite do atraso: da escravidão a Lava- jato. Rio de Janeiro: Casa da Palavra/Leya, 2017.

SOUZA, Jessé José Freire de. A classe média no espelho: Sua história, seus sonhos e ilusões, sua realidade. Rio de Janeiro: Estação Brasil/Sextante, 2018.

poema

 

 

lapsos de memória

2017, março 30, quinta-feira

é grave. a imagem dela vem… mas qual é mesmo o nome? ok, isto acontece. mas ultimamente tem acontecido demais… não lembrar o nome. nem quando eu fumava dois ou três finos por dia era assim. é recorrente e cada vez mais forte, assustadoramente, como aquela vez que a pessoa me cumprimentou, ela me conhecia, sabia meu nome, tinha algo de íntimo nela… como ela me tratou, calorosamente e de forma franca, aberta… devíamos nos conhecer e ter uma certa intimidade (o que é um tanto quanto lento comigo e isto me levou a crer que nossa relação não era curta) ou não (e esse ar de intimidade era apenas o jeito dela caso ela fosse do tipo de pessoa que diz oi e já é tua amiga de infância), mas isto não vem ao caso, porque ela me conhecia, sabia meu nome. e eu não, não sabia quem ela era. era pra mim uma pessoa estranha. apesar de toda cortesia, algo em mim foi frio, não me conectei, não refiz nos fios da memória o nosso laço… eu ignorava ela. eu apaguei, deletei. o assustador era eu.

esqueço diariamente os horários das aulas, a sequência da turmas… esqueço o dia da semana e/ou do mês. anoto no quadro, saio de sala, entre noutra, esqueço tudo de novo… esqueço o número do telefone de casa…

digo que minha memória é seletiva… o que é um tanto verdade, porque algumas coisas quando resolvo gravar mentalmente… eu não esqueço. mas o nome dela eu esqueci, será que é porque eu não optei por gravar? e deixei ali naquela zona aberta à desmemória?

dez horas depois tu lembra. e pensa… puta merda, era isso, na cara, tão fácil.

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o editor diz que há dez rascunhos abandonados… esperando por edição.

isto sem contar as notas soltas no pc e no celular.

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estou lendo: “O dilema de Hamlet: O ser e não ser da consciência” – Mauro Iasi – Ed. Viramundo

“Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre/ Em nosso espírito sofrer pedras e setas/ Com que a Fortuna, enfurecida nos alveja/ Ou insurgir-nos contra um mar de provações;/ E em luta pôr-lhes fim?”

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André Kertész – Bathing, Dunaharaszti