Archive for the 'Música' Category

morphine – good

[seg] 17 de dezembro de 2018

preenchendo o diário online… finalizando as burocracias da atividade docente. ao lado… um mate, hecho con baldo,

e na trilha de fundo…

maxresdefault

Morphine – Good (Full Album)

00:00 1) Good 02:33 2) The Saddest Song 05:27 3) Claire 08:35 4) Have A Lucky Day 12:05 5) You Speak My Language 15:31 6) You Look Like Rain 19:12 7) Do Not Go Quietly Unto Your Grave 22:31 8) Lisa 23:22 9) The Only One 26:06 10) Test-Tube Baby/Shoot’m Down 29:16 11) The Other Side 33:10 12) I Know You (Part I) 35:27 13) I Know You (Part II) all rights owned by their respective owners

 

ideas come and go, stories stay

[dom] 16 de dezembro de 2018

«The philosopher Edna Ullmann-Margalit detected an inconsistency in this book and asked me Edna to justify the use of the precise metaphor of a Black Swan to describe the unknown, the abstract, and imprecise uncertain– white ravens, pink elephants, or evaporating denizens of a remote planet orbiting Tau Ceti. Indeed, she caught me red handed. There is a contradiction; this book is a story, and I prefer to use stories and vignettes to illustrate our gullibility about stories and our preference for the dangerous compression of narratives.
You need a story to displace a story. Metaphors and stories are far more potent (alas) than ideas; they are also easier to remember and more fun to read. If I have to go after what I call the narrative disciplines, my best tool is a narrative.
Ideas come and go, stories stay.» Excerpt: The Black Swan, by Nassim Nicholas Taleb

The metaphor of the black swan is not at all a modern one—contrary to its usual attribution to Popper, Mill, Hume, and others. I selected it because it corresponds to the ancient idea of a “rare bird.” The Latin poet Juvenal refers to a “bird as rare as the black swan”

— Taleb, Nassim Nicholas (2010). The Black Swan: Second Edition: The Impact of the Highly Improbable Fragility

[Lat., Rara avis in terris, nigroque simillima cygno.]
     - Juvenal (Decimus Junius Juvenal), Sátiras (VI, 165) 

Led Zeppelin: Swan Song

Schubert :Standchen (Schwanengesang, D 957: no 4)

***

depois de algumas horas de calor infernal por aqui, vai terminando o Heat 12 do Round 3. Slater derrotou Toledo. Medina monstro passou… Wilson ainda no páreo. Billabong Pipe Masters it’s on! só mais tarde… lá pelas 15h. será que consigo dormir? sessão térmica de 28ºC, duvido…

 

o dorso da baleia solitária

[dom] 16 de dezembro de 2018

não sei o que me dá… mas a [auto]regra que havia – de colocar no máximo apenas um registro  por dia – resolvi burlar por estes dias…

então aproveito e socializo essa beleza de Cassiana Maranha 

[poema.filme.narração/poem.film.voice over CASSIANA MARANHA música/music Sigur Rós – Fjögur píanó para ler o poema completo (to read the full poem): https://www.facebook.com/cassiana.mar…]

e suas referências:

Veleiro, de Matilde Campilho © Todos os direitos reservados.

Bem: as palmeiras brilham mais que o ouro. Walter Benjamin tinha razão sobre os círculos — quanto mais se roda em volta do amor, mais o amor se expande. A filosofia é uma matemática muito esclarecedora e qualquer dia ainda vai salvar o mundo. Bem, quatrocentos anos depois e você & eu ainda somos uma espécie de Ferris Bueller’s Day Off. Ó, você viu os coros dos meninos na avenida? A alegria é um carro de bombeiros todo enfeitado de penas e cavalos bravos, atravessando tudo. A liberdade se faz inteira debaixo da palavra, entre um músico Tang e um jarro de Oaxaca. Os continentes se aproximam docemente e, como você me explicou, o selvagem europeu ainda vai soltar seu esplendor. Acredito muito naquilo que ninguém mais espera, principalmente depois que dei de caras com o dorso da baleia solitária. Todo canto tem um tom, e a maioria dos mamíferos se agrupam pelo reconhecimento de uma musicalidade comum. Sim, o fadista vai escolher o fadista, e as manadas de baleia costumam espalhar seu sopro de cerca de 20 hertz por oceanos infinitos. Em comunhão. Mas imagine você que em 1989 alguém descobriu uma baleia que canta solitária e a 52 hertz — sem primos, sem irmãos, sem melhor amigo, sem ilha onde fazer um pit stop. Ninguém vocaliza sua frequência, ouvido nenhum escuta seus 52 pontos. Há milagres. Depois do surgimento da baleia solitária, depois dos círculos de Benjamin, depois do desdobramento do poema XIX, depois do berlinde de Seymour Glass sendo girado no dedo do jogador de basquete, me diga, como não acreditar no brilho natural que diariamente resplandece no peito da terra? Bem, seu rosto de espanto frente ao sorvete de morango numa tarde de domingo é a manobra que puxa o lustro à pele do planeta. Benzinho, estamos invertendo a poesia de Eliot. Estamos curando o resfriado de Madame Sosostris, e esta coisa da alegria ainda vai dar muito certo. Seja como for, dê por onde der, seguimos usando o colar de pérolas que é feito dos olhos do marinheiro fenício. No que depender do amor, para além da paixão e para além do desejo: ninguém mais se afogará.

via https://nanu.blog.br/veleiro-matildecampilho/

marful, tris-tras

[dom] 16 de dezembro de 2018

Tris-tras, por Marful

Eu nom sei que tes nos olhos, que se me miras tu matas
matas-me se pr’a mim ris, matas-me quando me falas.
Meus olhos choram por ver-te meu coraçom por amar-te
meus pés por chegar a ti meus braços por abraçar-te.
Desejava de te ver, trinta dias cada mês
cada semana o seu dia e cada dia umha vez.
Tes os olhinhos azuis inda agora reparei
se reparara mais cedo nom amava a quem amei.
Ai de mim que já nom podo cantar esta cantiguinha
dim que o amor é tam cego que nom sabe de maliÍcia
durante os primeiros anos todo é rosa sem espinhas.
Hà mulheres que lamem as latas como gatas
se nom che chega este mundo fai-te astrounauta
ai mulheres valentes que ensinam os dentes
ai mulheres que se pintam de caolim na Costa de Marfim di Rita
Riveiro; ai mulheres altas, redondas, coloradas
se nom che chega este mundo fai-te astronauta.

Composição: Dun Tema Do Repertorio De José Ramudo / Marcos Teira / Ugia Pedreira

Marful é un grupo de música galega composto por Ugia PedreiraMarcos TeiraPedro Pascual e Pablo Pascual

via certaspalavras.net, este blogue de Marco Neves, que sempre leio.

 

bela lugosi’s dead

[dom] 16 de dezembro de 2018

enquanto o sol torra lá fora. eu me refresco cá dentro. e tomo notas dos fragmentos ouvidos e lidos do dia.

***

Bauhaus /// Bela Lugosi’s Dead /// Compositores: Daniel Gaston Ash / Kevin Michael Dompe / David John Haskins / Peter John Murphy /// White on white translucent black capes / Back on the rack / Bela Lugosi’s dead / The bats have left the bell tower / The victims have been bled / Red velvet lines the black box / Bela Lugosi’s dead / Bela Lugosi’s dead / Undead, undead, undead / Undead, undead, undead / The virginal brides file past his tomb / Strewn with time’s dead flowers / Bereft in deathly bloom / Alone in a darkened room / The count / Bela Lugosi’s dead / Bela Lugosi’s dead / Bela Lugosi’s dead / Undead, undead, undead / Undead, undead, undead / Undead / Oh Bela / Bela’s undead / Oh Bela / Bela’s undead / Bela’s undead / Oh Bela / Bela’s undead / Oh Bela / Undead

 

street hassle

[sáb] 15 de dezembro de 2018
Street Hassle

Waltzing Matilda whipped out her wallet
Sexy boys smiled in dismay
She took out four twenties, ‘cause she liked brown figures
Everybody screamed for a day
Oh, babe, I’m on fire and, you know that I admire your body
Why don’t we slip away – hey
Although I’m sure you’re certain, it’s a rarity me flirtin’
She la la la this way – hey
Oh sha la la la la – sha la la la – hey
Baby, come on, let’s slip away
Luscious and gorgeous, oh what a hunk of muscle
Call out the National Guard
She creamed in her jeans as he picked up her knees
From off of the formica topped board
And cascading slowly, he lifted her wholly and boldly
Out of this world
And despite people’s derision proved to be more than diversion
Sha la la la la later on and then sha la la la la la
He entered her slowly and showed her where he was coming from
And then sha la la la la he made love to her gently
It was like she never ever come
And then sha la la la la when the sun rose and he made to leave
You know sha la la la la, sha la la la la
Neither one regretted a thing

– Street Hassle –

Hey, that cunt’s not breathing
I think she had too much of something or other
Hey, man, you know what I mean
I don’t mean to scare you
But you’re the one who came here
And you’re the one who’s gotta take her when you leave
I’m not being smart or trying to be pulling my part
And I’m not gonna wear my heart on my sleeve
But you know people get emotional
And sometimes they just don’t act rational
They think they’re just on TV – sha la la la, man
Why don’t you just slip her away
You know. I’m glad that we met man
It was really nice talking
And I really wish there was a little more time to speak
But you know it could be a hassle
Trying to explain myself to a police officer
About how it was that your old lady got herself stiffed
And it’s not like we could help
But there’s nothing no one could do
And if there was, man, you know I would have been the first
Only, someone turns that blue
Well, it’s a universal truth
And you just know: That bitch will never fuck again
By the way, that’s really some bad shit
That you came to our place with
But you ought be more careful round the little girls
It’s either the best or it’s the worst
Since I don’t have to choose, I guess I won’t
And I know, This is no way to treat a guest
But why don’t you grab your old lady by the feet
And just lay her out in the darkest street
And by morning, she’s just another hit and run

You know, some people got no choice
And they can never even find a voice
To talk with that they can even call their own
So the first thing, that they see
That allows them the right to be
Why, they follow it
You know, it’s called bad luck

Slip Away

Believe me, that’s just a lie
That’s what she tells her friends
There’s a real song, the real song
She won’t even admit it to herself
Narrow heart, the song let’s the people know
It’s a painful song
It’ll only say the truth
It lasts for sad songs
Twenty for wish
Wish it won’t make it so a pretty kiss and a pretty face
Can’t have it’s way
There’re tramps like us who were born to pay

Love has gone away
And there’s no one here now
And there’s nothing left to way
But, oh, how I miss him, baby
Oh, baby, come on and slip away
Come on, baby, why don’t you slip away

Love has gone away
Took the rings of my fingers
And there’s nothing left to say
But, oh how, oh how I need you, baby
Come on, baby, I need you baby
Oh, please don’t slip away
I need your loving so bad, baby, please don’t slip away

alright now! won’t you listen?

[sex] 14 de dezembro de 2018

em poucos minutos vai chover horrores

mas por enquanto, vamos neste mashup cabuloso…

Black Sabbath vs. Tim Maia – Sweet Leaf¹ / Ela Partiu²

*

quando regressava… um cobra cruzou o caminho… logo depois… uma aranha… e mais acima, uma lagartixa… achei engraçado, mas confesso que a primeira me deu um susto danado… mas é esse calor absurdo… essa estrada de chão batido… esse mato todo ao redor.

*

dia de despedida, acabou… fechei com todas as turmas da manhã e da noite. começar contagem regressiva… 4 dias para por os diários em dia, 1 dia para despedida das turmas que faltam… uma semana para férias.

*

amarrando fragmentos da aula de hoje (115/116) com excertos reproduzidos por Fábio de Oliveira Ribeiro, no seu texto “Vigilante-Censor Netflix Pós-Democrático

«A razão neoliberal se sustenta diante da hegemonia do vazio do pensamento expressa no visível empobrecimento da linguagem, da ausência de reflexão e de uma percepção democrática de baixíssima intensidade. Qualquer processo reflexivo ou menção aos valores democráticos representam uma ameaça a esse projeto de mercantilização do mundo. Não por acaso, a razão neoliberal levou à substituição do sujeito crítico kantiano pelo consumidor acrítico, do sujeito responsável por suas atitudes pelo ‘a-sujeito’ que protagoniza a banalidade do mal, que é incapaz de refletir sobre as consequências de seus atos.» (Sociedade sem Lei, Rubens R.R, Casara, editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2018, p. 94/95)

*

«…Os privilégios de uma classe condenam a outra à precariedade eterna, já que não lhe sobra tempo para nada. Enquanto isso, a classe opressora tem cada vez mais oportunidades de avançar e obter conhecimento e riqueza.

A esse aspecto econômico se soma o sadismo, presente no cerne de toda sociedade fundada no trabalho escravo. Ninguém escraviza o outro sem, ao mesmo tempo, negar-lhe a humanidade. Como o outro não deixa de ser humano e resiste na medida do possível, nem que seja por meio de pequenas sabotagens, a humilhação tem de ser reforçada a cada dia. É preciso mostrar que o outro é inferior e está ali apenas para servir.

Com o tempo, o exercício da humilhação se torna prazeroso, multiplicando-se sob as formas da piada suja, do chiste aparentemente apenas de brincadeira, do insulto direto, do preconceito de classe e de raça e, não menos importante, do abuso.» (A classe média no espelho, Estação Brasil, Rio de Janeiro,2018, p. 72)

*

«Obedecer e compreender uma regra social é antes de tudo uma prática aprendida, e não um conhecimento. A ‘prática’ pode ser articulável, pode explicitar razões e explicações para o seu ‘ser desse modo e não de qualquer outro’, quando desafiada a isso. Mas na maior parte das vezes esse pano de fundo inarticulado permanece implícito, comandando silenciosamente nossa atividade prática e abrangendo muito mais que a moldura das nossas representações conscientes.» (A tolice da inteligência brasileira, Jessé Souza, Leya, Rio de Janeiro, 2018, p. 175)

*

pela tarde, dormir no sofá, digitar notas, matear e passear com dora, a cã.

*

meio dia… almoço com a filha.

*

acordar no susto. ducha e correr. três aulas. dor no dente estranha e aleatória (Assim como veio, não voltou mais). aulas da manhã finalizadas. ração para o cão comprada e cochilo no ônibus.

*

nota de rodapé:

¹ Sweet Leaf / Black Sabbath / Composição: Bill Ward, Geezer Butler, Ozzy Osbourne e Tony Iommi // Alright now! / Won’t you listen? / When I first met you, didn’t realize / I can’t forget you or your surprise / You introduced me to my mind / And left me watching you and you kind / Oh, yeah / I love you / Oh, you know it / My life was empty, forever on a down / Until you took me, showed me around / My life is free now, my life is clear / I love you sweet leaf though you can’t hear / Oh, yeah! / Come on now, try it out / Straight people don’t know what you’re about / They put you down and shut you out / You gave to me a new belief / And soon the world will love you sweet leaf / Oh, yeah, baby! / Come on now! Oh, yeah! / Try me out, baby! / Alright! Oh, yeah-ah! / I want you part of this sweet leaf! / Oh, yeah! / Alright, yeah, yeah, yeah, oh, try me out / I love you, sweet leaf, oh

² Ela Partiu / Tim Maia // Composição: Beto Cajueiro e Tim Maia // Ela partiu, partiu e E nunca mais voltou / Ela sumiu, sumiu e nunca mais voltou / Ela partiu, partiu e nunca mais voltou / Ela sumiu, sumiu e nunca mais voltou / Se souberem onde ela está digam-me e eu vou lá buscá-la / Pelo menos telefone em seu nome, me dê uma dica, uma pista, insista / Ei! E nunca mais voltou, ela partiu, partiu e nunca mais voltou / Ela sumiu, sumiu e nunca mais voltou / Se eu soubesse onde ela foi, iria atrás / Mas não sei mais nem direção / Várias noites que eu não durmo / Um segundo / Estou cansado / Magoado, exausto…

que pedrada… the miseducation of eunice waymon

[dom] 9 de dezembro de 2018

   que pedrada…

essa mescla-musical é absurdamente perfeita… que foda!

As obras de Nina Simone e Lauryn Hill se encontram em “The Miseducation Of Eunice Waymon”

«O cara dos mash-ups perfeitos, Amerigo Gazaway, está de volta em mais um episódio sonoro espetacular criando parcerias inusitadas e certeiras». por 

+info:
https://amerigo.bandcamp.com

1. 0:00 Nina Simone & Lauryn Hill – Feeling Good 04:59
2. 4:59 Nina Simone & Lauryn Hill – Ready Or Not feat. The Fugees 05:29
3. 10:28 Nina Simone & Lauryn Hill – Doo Wop (That Thing) 04:24
4. 14:52 Nina Simone & Lauryn Hill – To Zion feat. Carlos Santana 05:46
5. 20:38 Nina Simone & Lauryn Hill – Fu-Gee-La feat. The Fugees 04:57
6. 25:37 Nina Simone & Lauryn Hill – The Sweetest Thing feat. John Forté 05:19
7. 30:56 Nina Simone & Lauryn Hill – Take It Easy 04:37
8. 35:33 Nina Simone & Lauryn Hill – Peace Of Mind 04:20
9. 39:55 Nina Simone & Lauryn Hill – Lost Ones 04:45
10. 44:41 Nina Simone & Lauryn Hill – Killing Me Softly 06:04
11. 50:11 Nina Simone & Lauryn Hill – If I Ruled The World feat. Nas 03:49
12. 54:01 Nina Simone & Lauryn Hill – How Many Mics feat. The Fugees 05:01
13. 59:02 Nina Simone & Lauryn Hill – So High feat. John Legend 03:54
14. 1:02:56 Nina Simone & Lauryn Hill – Care For What 02:55
15. 1:05:51 Nina Simone & Lauryn Hill – Angel Of The Morning 03:41
16. 1:09:32 Nina Simone & Lauryn Hill – The Miseducation of Eunice Waymon 05:00
17. 1:14:32 Nina Simone & Lauryn Hill – Fu-Gee-La (Refugee Camp Remix) [Bonus Track] 05:35

1:19:55 The Miseducation of Eunice Waymon (Official Teaser Video) [Bonus Track]

invisíveis e insensíveis ao olho nu

[sáb] 8 de dezembro de 2018

das coisas sensíveis

deitar sem ter hora pra levantar.
andar sob o vento sul.
dormir quando o corpo pede.
perceber as coisas com outro olhar.
(se) desculpar ao outro –
ler a miséria do mundo…
do propósito da existência
e das dificuldades de se viver.

8/12 sambaqui.

***

«Penso no desencadeamento da violência gratuita nos estádios e em outros lugares, nos crimes racistas ou nos sucessos eleitorais dos profetas da calamidade, diligentes em explorar e amplificar as expressões mais primitivas do sofrimento moral que são gerados, tanto e mais que pela miséria e a “violência inerte” das estruturas econômicas e sociais, por todas as pequenas misérias e as violências brandas da vida cotidiana.
Para ir além das manifestações aparentes, a propósito das quais se engalfinham aqueles que Platão chamava de doxósofos, “técnicos de opinião que se julgam sábios”, sábios aparentes da aparência, é preciso evidentemente remontar aos verdadeiros determinantes econômicos e sociais dos inumeráveis atentados contra a liberdade das pessoas, contra sua legítima aspiração à felicidade e à autorrealização, que hoje exercem não somente as leis impiedosas do mercado de trabalho ou de moradia, mas também os veredictos do mercado escolar, ou as sanções abertas ou as agressões insidiosas da vida profissional. Para isso é preciso atravessar a tela das projeções geralmente absurdas, às vezes odiosas, atrás das quais o mal-estar ou o sofrimento se escondem tanto quanto se expressam.
Levar à consciência os mecanismos que tomam a vida dolorosa, inviável até, não é neutralizá-las; explicar as contradições não é resolvê-las. Mas, por mais cético que se possa ser sobre a eficácia social da mensagem sociológica, não se pode anular o efeito que ela pode exercer ao permitir aos que sofrem que descubram a possibilidade de atribuir seu sofrimento a causas sociais e assim se sentirem desculpados; e fazendo conhecer amplamente a origem social, coletivamente oculta, da infelicidade sob todas as suas formas, inclusive as mais íntimas e as mais secretas.
Esta contratação, apesar das aparências, não tem nada de desesperador. O que o mundo social fez, o mundo social pode, armado deste saber, desfazer. Em todo caso é certo que nada é menos inocente que o laisser-faire: se é verdade que a maioria dos mecanismos econômicos e sociais que estão no princípio dos sofrimentos mais cruéis, sobretudo os que regulam o mercado de trabalho e o mercado escolar, não são fáceis de serem parados ou modificados, segue-se que toda política que não tira plenamente partido das possibilidades, por reduzidas que sejam, que são oferecidas à ação, e que a ciência pode ajudar a descobrir, pode ser considerada como culpada de não assistência à pessoa em perigo.
Embora sua eficácia, e por isso sua responsabilidade, sejam menores e em todo caso menos diretas, acontece o mesmo com todas as filosofias hoje triunfantes que, geralmente em nome dos costumes tirânicos que podem ter sido feitos da referência à ciência e à razão, visam invalidar toda intervenção da razão científica em política: a alternativa da ciência não é entre a desmedida totalizadora de um racionalismo dogmático e a renúncia esteta de um irracionalismo niilista; ela se satisfaz com verdades parciais e provisórias que ela pode conquistar contra a visão comum e contra a doxa intelectual e que estão em condições de fornecer os únicos meios racionais de utilizar plenamente as margens de manobra deixadas para a liberdade, isto é, para a ação política.» Bourdieu, Pierre. Pós-escrito (pp. 735-736). In: A Miséria do mundo. Coord. Pierre Bourdieu. 7. ed.- Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

***

isto acima são coisas do começo da madrugada, que rementem diretamente ao final da sexta-feira… às discussões em sala de aula, ao meu estado físico e psicológico… ao meu cansaço e minha esperança… às conexões entre as minhas leituras e aulas de sociologia, enquanto docente e pesquisador, e as minhas leituras e aulas de estudos linguísticos, enquanto discente.

agora pela tarde… sinto aquela velha ansiedade e um incontrolável irritação. inexplicável.

preciso de vento, para aplacar essa fúria que sinto. ‘bora lagartear, com um mate… deixar o sol arder e o vento sul lavar meu corpo irritado.

***

ps: se eu for esperto troco minha compulsão em colecionar livros por colecionar pdfs. queria a vida toda para ler… e tomar notas.

Uma aprendizagem, ou o livro dos prazeres

(Trecho)
E Lóri continuou na sua busca do mundo.
Foi à feira de frutas e legumes e peixes e flores: havia de tudo naquele amontoado de barracas, cheias de gritos, de pessoas se empurrando, apalpando o material a comprar para ver se estava bom – Lóri foi ver a abundância da terra que era semanalmente trazida numa rua perto de sua casa em oferenda ao Deus e aos homens. Sua pesquisa do mundo não humano, para entrar em contato com o neutro vivo das coisas que, estas não pensando, eram no entanto vivas ela passeava por entre as barracas e era difícil aproximar de alguma, tantas mulheres trafegavam com sacos e carrinhos.
Afinal viu: sangue puro e roxo escorria de uma beterraba esmagada no chão. Mas seu olhar se fixou na cesta de batatas. Tinham formas diversas e cores nuancizadas. Pegou uma com as duas mãos, e a pele redonda era lisa. A pele da batata era parda, e fina como a de uma criança recém-nascida. Se bem que, ao manuseá-la, sentisse nos dedos a quase insensível existência interior de pequenos brotos, invisíveis a olho nu. Aquela batata era muito bonita. Não quis comprá-la porque não queria vê-la emurchecer em casa e muito menos cozinhá-la.
Batata nasce dentro da terra.
E isso era uma alegria que ela aprendeu na hora: a batata nasce dentro da terra. E dentro da batata, se a pele é retirada, ela é mais branca do que uma maçã descascada.
A batata era a comida por excelência. Isso ela ficou sabendo, e era de uma leve aleluia.
Esgueirou-se entre as centenas de pessoas na feira e isso era um crescimento dentro dela. Parou um instante junto da barraca dos ovos.
Eram brancos.
Na barraca dos peixes entrefechou os olhos aspirando de novo o cheiro de maresia dos peixes, e o cheiro era a alma deles depois de mortos.
As pêras estavam tão repletas delas mesmas que, nessa maturidade elas quase estavam em seu sumo. Lóri comprou uma e ali mesmo na feira deu a primeira dentada na carne da pêra que cedeu totalmente. Lóri sabia que só quem tinha comido uma pêra suculenta a entenderia. E comprou um quilo. Não era talvez para comer em casa, era para enfeitar, e para olha-las mais alguns dias.
Como se ela fosse um pintor que acabasse de ter saído de uma fase abstracionista, agora, sem ser figurativista, entrara num realismo novo. Nesse realismo cada coisa da feira tinha uma importância em si mesma, interligada a um conjunto – mas qual era o conjunto? Enquanto não sabia, passou a se interessar por objetos e formas, como se o que existisse fizesse parte de uma exposição de pintura e escultura. O objeto então que fosse de bronze – na barraca de bugigangas para presentes, viu a pequena estátua mal feita de bronze – o objeto que fosse de bronze, ele quase lhe ardia nas mãos de tanto gosto que lhe dava lidar com ele. Comprou um cinzeiro de bronze, porque a estatueta era feia demais.
E de repente viu os nabos. Via os nabos. Via tudo até encher-se de plenitude e de visão e do manuseio das frutas da terra. Cada fruta era insólita, apesar de familiar e sua. A maioria tinha um exterior que era para ser visto e reconhecido. O que encantava Lóri. Às vezes comparava-se às frutas, e desprezando sua aparência externa, ela se comia internamente, cheia de sumo vivo que era. Ela estava procurando sair da dor, como se procurasse sair de uma realidade outra que durara sua vida até então.

Retirado de: Lispector, Clarice. Uma aprendizagem, ou o livro dos prazeres. 18 ed. Rio de Janeiro: Ed. Francisco Alves, 1991. Pp. 144-6.

O SER E A LINGUAGEM EM UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES: um estudo sobre a obra de Clarice Lispector, por Luciana de Barros Ataide

ANA MIRANDA, LEITORA DE CLARICE LISPECTOR, por Taíse Neves Possani

O SENTIDO DA RELACAO ENTRE EDUCADOR E EDUCANDO NA CONSTITUICAO DE GRUPOS INTERDISCIPLINARES, por Vanessa Marques D Albuquerque

CARTAS DE CLARICE LISPECTOR:ENCONTROS MARCADOS E “MOVIMENTOS SIMULADOS”, por Fátima Cristina Dias Rocha

A ESCRITA DE SI NA CORRESPONDÊNCIA DE CLARICE LISPECTOR, por Fátima Cristina Dias Rocha

***

e às vezes tô clarice

«É pena que não possa dar o que se sente, porque eu gostaria de dar a vocês o que
sinto como uma flor» – Clarice Lispector

mas noutras… sou belchior

«Se você vier me perguntar por onde andei 
No tempo em que você sonhava 
De olhos abertos lhe direi 
Amigo eu me desesperava 
(…)
Eu quero é que esse canto torto feito faca 
Corte a carne de vocês…
Eu quero é que esse canto torto feito faca 
Corte a carne de vocês…»

À PALO SECO – BELCHIOR

ALUCINAÇÃO, 1976

rato de biblioteca

[dom] 2 de dezembro de 2018

curando a dor de garganta.

ouvindo música…

e rastreando alguns livros lidos lá por 1998-2001. não encontrei 22 no sistema. deixar pra lá.

***

The Beatles Rubber Soul

0:00 Drive My Car 2:29 Norwegian Wood 4:33 You Won’t See Me 7:53 Nowhere Man 10:37 Think For Yourself 12:56 The Word 15:39 Michelle 18:21 What Goes On 21:10 Girl 23:42 I’m Looking Through You 26:08 In My Life 28:35 Wait 30:50 If I Needed Someone 33:12 Run For Your Life

𝑻𝒉𝒆 𝑫𝒐𝒐𝒓𝒔 – 𝑻𝒉𝒆 𝑽𝒆𝒓𝒚 𝑩𝒆𝒔𝒕 𝑶𝒇 /𝑮𝒓𝒆𝒂𝒕𝒆𝒔𝒕 𝑯𝒊𝒕𝒔 ( 𝑭𝒖𝒍𝒍 𝑨𝒍𝒃𝒖𝒎) 2007.

01. Break on Through (To the Other Side) – 00:00 02. Light My Fire – 02:27 03. Love Me Two Times – 09:25 04. Hello, l Love You – 12:41 05. People Are Strange – 15:22 06. Strange Days – 17:36 07. Riders on The Storm – 20:48 08. L.A. Woman – 27:52 09. Touch Me – 35:53 10. Roadhouse Blues – 39:05 11. Peace Frog – 43:14 12. Love Street – 46:12 13. The Crystal Ship – 49:10 14. Soul Kitchen – 51:45 15. Love Her Madly – 55:18 16. Back Door Man – 58:59 17. Alabama Song (Whiskey Bar) – 1:02:32 18. Moonlight Drive – 1:05:49 19. The Unknown Soldier – 1:08:54 20. The End – 1:12:20

For What It's Worth by Buffalo Springfield

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