Archive for the 'Pablo Neruda – Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto' Category

kalu

[sáb] 6 de junho de 2015

sabe quando você demora para dormir porque tua cabeça está girando sem parar em muitos pensamentos… coisas que não deviam estar lá as três da manhã… algo do tipo que caminho seguir? como dizer as palavras? se sigo em silêncio ou se aceno?

***

e ai pela manhã, cedo, tu é acordado pelo toque do telefone. alguém te acordou e não foi teu despertador. você estragou tudo. você ferrou o dia… os planos, os compromissos. você se desencontrou de alguém. você dormiu demais no ponto. você perdeu. e desapontou… você furou algo que poderia ter sido bacana… certamente seria.

***

e então, de forma indolor, pragmática… já que não vou sair mais. e terei mesmo que pedir desculpas pessoalmente mais tarde. não vou ficar na fossa por cá não. vou é escrever este textinho, registrar isto. ter claro… que, as vezes, por querer ou não, eu sou esse cara que deixa as pessoas na mão… em furadas. mas sem me apenar… vou tirar para mim este dia, e por tudo em ordem… tudo que deixei de lado nestes tempos de greve. e tentar fazer desse dia algo mais pragmático e menos sonhador…

mesmo que minha cabeça insista em ficar girando e haja esse monte de coisas engasgadas aqui que precisam ser ditas…

***

tentei encontrar aquele trecho em que chico buarque canta humberto teixeira… para falar sobre as coisas tácitas, sobre nossas palavras ditas, não ditas, esperadas, e por serem ditas…

Kalu /// Composição: Humberto Teixeira // Kalu, Kalu / Tira o verde desses óios di riba d’eu / Não me tente se você já me esqueceu / Kalu, Kalu / Esse oiá despois do que se assucedeu / Com franqueza só não tendo coração / Fazê tar judiação / Você tá mangando di eu / Com franqueza só não tendo coração / Fazê tar judiação / Você tá mangando di eu /.

e lembrei desta canção aqui também: Que Nem Kalu.

ps: vou ali fora dar um giro no mundo… e quando voltar termino as notas que ficaram por publicar. e cada verbo encapsulado dentro de uma garrafa lançarei ao mar, desde esta ilha de única árvore, e seguirão, os verbos engarrafados rumo ao desconhecido… para o diálogo futuro com os seres de outros mares, doutras ilhas…

***

o sobre o diálogo gatuno {que tem me instigado um bocado}:

O GATO, poema de Mário Quintana

«O gato chega à porta do quarto onde escrevo.
Entrepara…hesita…avança…

Fita-me.
Fitamo-nos.

Olhos nos olhos…
Quase com terror!

Como duas criaturas incomunicáveis e solitárias
Que fossem feitas cada uma por um Deus diferente.»

ODA AL GATO, poema de Pablo Neruda

«Los animales fueron
imperfectos,
largos de cola, tristes
de cabeza.
Poco a poco se fueron
componiendo,
haciéndose paisaje,
adquiriendo lunares, gracia, vuelo.
El gato,
sólo el gato
apareció completo
y orgulloso:
nació completamente terminado,
camina solo y sabe lo que quiere.

El hombre quiere ser pescado y pájaro,
la serpiente quisiera tener alas,
el perro es un león desorientado,
el ingeniero quiere ser poeta,
la mosca estudia para golondrina,
el poeta trata de imitar la mosca,
pero el gato
quiere ser sólo gato
y todo gato es gato
desde bigote a cola,
desde presentimiento a rata viva,
desde la noche hasta sus ojos de oro.

No hay unidad
como él,
no tienen
la luna ni la flor
tal contextura:
es una sola cosa
como el sol o el topacio,
y la elástica línea en su contorno
firme y sutil es como
la línea de la proa de una nave.
Sus ojos amarillos
dejaron una sola
ranura
para echar las monedas de la noche.

Oh pequeño
emperador sin orbe,
conquistador sin patria,
mínimo tigre de salón, nupcial
sultán del cielo
de las tejas eróticas,
el viento del amor
en la intemperie
reclamas
cuando pasas
y posas
cuatro pies delicados
en el suelo,
oliendo,
desconfiando
de todo lo terrestre,
porque todo
es inmundo
para el inmaculado pie del gato.

Oh fiera independiente
de la casa, arrogante
vestigio de la noche,
perezoso, gimnástico
y ajeno,
profundísimo gato,
policía secreta
de las habitaciones,
insignia
de un
desaparecido terciopelo,
seguramente no hay
enigma
en tu manera,
tal vez no eres misterio,
todo el mundo te sabe y perteneces
al habitante menos misterioso,
tal vez todos lo creen,
todos se creen dueños,
propietarios, tíos
de gatos, compañeros,
colegas,
discípulos o amigos
de su gato.

Yo no.
Yo no suscribo.
Yo no conozco al gato.
Todo lo sé, la vida y su archipiélago,
el mar y la ciudad incalculable,
la botánica,
el gineceo con sus extravíos,
el por y el menos de la matemática,
los embudos volcánicos del mundo,
la cáscara irreal del cocodrilo,
la bondad ignorada del bombero,
el atavismo azul del sacerdote,
pero no puedo descifrar un gato.
Mi razón resbaló en su indiferencia,
sus ojos tienen números de oro.»

***

e os próximos poemas?

¿quién quiere ser eterno testigo?

[dom] 10 de agosto de 2014

dias dos pais. ganhei presente e abraço da filha – de dois pais. e dei meu meio-abraço no meu pai. mas no fim do dia ficou aquela sensação de que não foi um bom dia… tantos pensamentos, tantas incertezas… tantas dúvidas sobre tudo e todos… e longe daquela sensação de pertencimento e tranquilidade da semana passada. hoje sinto uma tristeza profunda sob esta aparente calma. o meu silêncio e minha indiferença é uma frágil película de segurança. auto-seguro. o mundo é dor.

e hoje senti-me pequeno e só. há certos momentos que não possuímos a capacidade de comunicar, de fazer vazar o mágico e o trágico que temos cá dentro. e só nos cabe silenciar os soluços e adeuses.

yo me voy. estoy triste; pero siempre estoy triste.

o guardador de rebanhos

[dom] 15 de junho de 2014

#1 não tirei os pontos ainda. não entreguei o poster-explicativo. não toquei em nenhum material produzido pelos alunos. não fiz um monte de coisas necessárias. apenas rastejo lentamente entre os escombros diários. tudo me distrai… não há foco (ou coragem para subverter-se); e  indicando alguns livros ao meu primo, colega de casa, encontrei, posto que andava perdido,  em um livro de alberto caeiro (o ponto de partida desta postagem) um recado carinhoso dobrado que dizia assim:

«A linguagem é uma pele: esfrego minha linguagem no outro. É como se eu tivesse palavras ao invés de dedos. ou dedo nas pontas das palavras. Minha linguagem treme de desejo. A emoção vem de um duplo contato; de um lado, toda uma atividade de discurso vem, discretamente, indiretamente, colocar em evidência um significado único que é “eu te desejo”, e liberá-lo, alimentá-lo, ramificá-lo, fazê-lo explodir (a linguagem goza ao tocar a si mesma); por outro lado, envolvo o outro nas minhas palavras, eu o acaricio, o roço, me esforço em fazer durar o comentário ao qual submeto a relação.» Roland Barthes. Fragmentos de um discurso amoroso.

#2 o pensar:

e mergulho no tempo… ontem, ouvindo skank, mergulhei 15 anos no tempo. hoje, 6 – lendo este bilhete. assim a vida segue… fragmentária, aleatória, ordinária… não sou a promessa de 8 anos atrás – o jovem que se lançava apaixonadamente num universo novo… tampouco sou o sonho de 16 anos atrás – rebelde e infantil. sou apenas o labirinto caduco e sempre marginal, aislado, incapaz de estabelecer relações profundas e duráveis… «no fundo uma eterna criança que não sabe amadurecer…» sempre escapando de qualquer ser humano. e eu que já fiz terapia, já percorri intelectual e emocionalmente – mesmo que de forma momentânea e parcial – este caminho… que já visualizei a quantidade de feridas abertas, medos, traumas, violências sofridas e guardadas… tenho auto-consciência, mas me faz falta uma força, uma gana para emergir, para abrir-me. e essa vida é um simulacro, um espelho, nada é profundo… destarte os atrasos e os silêncios, este habitus.

#3 memórias afetivas incidentais:

Sofrer é outro nome / do ato de viver. Carlos Drummond de Andrade..

Una noche se acuestan con la muerte / en el lecho del mar… Pablo Neruda

Three o’clock in the morning / It’s quiet and there’s no one around
Just the bang and the clatter / As an angel runs to ground… U2

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