Archive for the 'Paulo Leminski' Category

«o trabalho de um ser humano»

[seg] 2 de abril de 2018

ainda é madrugada. o relógio virou. 1h36

Suffering and its solution

This idea is echoed when Epictetus explains the source of human suffering: “What upsets people is not things themselves but their judgments about the things.”

Being upset about something is not a function of the thing that seems upsetting; rather, it is the judgment about that thing that causes the distress. Judgments, not external things or events, are the source of human suffering. The remedy to all this, according to Epictetus, is really just a shift in attitude toward the things that happen. When we can face the day, with full acknowledgment of what that day might entail, and recognize that still we must go on, we can move forward. That may mean letting go of the conception of how things ought to be, and accept them for what they are, even the most frustrating and depressing. Then, “the work of a human being” might not seem so daunting.

veja mais em: http://theconversation.com/how-the-stoicism-of-roman-philosophers-can-help-us-deal-with-depression-75593

***

É fácil falar que não quer ver
Tanta terra em mim
Ficam me olhando do canto do olho
Mas ninguém joga flor em mim

Tão difícil se aceitar
Quando seus espinhos só
Furam você

***

é tarde. matei aula hoje cedo. ainda não fiz o resumo dos textos.

Paulo Leminski – Ervilha da Fantasia (1985) – naked version

Documentário para TV realizado em 1985 por Werner Schumann com edição de Eduardo Pioli Alberti e Produção Executiva de Altenir Silva, Willy Schumann, Werner Schumann. (versao sem as musicas)

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Toni Platão e Orquestra Sinfônica Brasileira; performando «Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto»

«Até bem pouco tempo atrás poderíamos mudar o mundo. Quem roubou nossa coragem? Tudo é dor e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor. Quando o sol bater na janela do teu quarto, lembra e vê que o caminho é um só»

e o sol tá gostoso lá fora… e vou cá terminando o planejamento anual. ainda não fiz o resumo… ele estipulou até quarta-feira. vou amadurecendo a ideia de investir em apenas duas das quatro, e não sofrer mais.

 

ainda esperando godot

[qua] 21 de março de 2018

os milésimos… os segundos… os minutos… as horas vão se avolumando. e sono é tanto.

5h47


«sempre achando alguma coisa para vivermos». p. 104.

referências na aula de teoria literária>>
uma vela para dario – dalton trevisan
o erotismo – george bataille
vida – paulo leminski
casa grande e senzala – gilberto freyre
zero – ignácio de loyola brandão

8h50

seminário definido:

Feynman, a linguística e a curiosidade. Renato Miguel Basso e Roberta Pires de Oliveira. Matraga, rio de janeiro, v.19 n.30, jan./jun. 2012

11h45


essa é a canção que será cantada por nós professores… no dia da família

George Harrison – Here comes the sun

Here comes the sun (doo doo doo doo) / Here comes the sun, and I say / It’s all right / Little darling, it’s been a long cold lonely winter / Little darling, it feels like years since it’s been here / Here comes the sun / Here comes the sun, and I say / It’s all right / Little darling, the smiles returning to the faces / Little darling, it seems like years since it’s been here / Here comes the sun / Here comes the sun, and I say / It’s all right / Sun, sun, sun, here it comes / Sun, sun, sun, here it comes / Sun, sun, sun, here it comes / Sun, sun, sun, here it comes / Sun, sun, sun, here it comes / Little darling, I feel that ice is slowly melting / Little darling, it seems like years since it’s been clear / Here comes the sun / Here comes the sun, and I say / It’s all right / Here comes the sun / Here comes the sun, and I say / It’s all right / It’s all right

13h45


e essa… porque tenho um fone de ouvido… e posso ouvir música quando retorno para casa, depois das aulas da noite.

Jorge Drexler – Aquiles por su talon es Aquiles

Se es lo que se es / lo que siempre se ha sido / Se siente lo que se siente / en el centro del centro silente / tenga o no tenga evidente sentido / Y rara vez se es tal y como se quiere / se llora lo que se llora / uno no elige de quien se enamora / ni elige qué cosas a uno lo hieren / Y en lo más sutil de los cuerpos sutiles / lejos de la noria de causas y efectos / se tiene el corazón que se trae por defecto / así como Aquiles, por su talón, es Aquiles / La sed, aquella sed / la que el agua no cura / La cruz de un presentimiento / que nos suelta hacia los cuatro vientos / con el mandamiento de buscar a oscuras / Y en lo más sutil de los cuerpos sutiles / lejos de la noria de causas y efectos / se tiene el corazón que se trae por defecto / así como Aquiles, por su talón, es Aquiles / Se es lo que se es

22h20

uma arquitetura de ruínas e o outono

[ter] 20 de março de 2018

ESTRAGON: «Sou assim. Ou esqueço em seguida, ou não esqueço nunca».

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os personagens vão esboroando-se.

***

Across the universe // Words are flowing out like endless rain into a paper cup, / They slither while they pass, they slip away across the universe. / Pools of sorrow, waves of joy are drifting through my opened mind, / Possessing and caressing me. // Jai Guru Deva Om / Nothing’s gonna change my world, (4x) // Images of broken light which dance before me like a million eyes, / They call me on and on across the universe. / Thoughts meander like a restless wind inside a letter box, / They tumble blindly as they make their way across the universe. // Jai Guru Deva Om (…) // Sounds of laughter, shades of earth are ringing / Through my open ears inciting and inviting me. / Limitless, undying love, which shines around me like a million suns, / And calls me on and on across the universe. // Compositores: John Lennon / Paul Mccartney
***
Lista de referências do dia (aula de teoria literária 1):
O Estrangeiro – Albert Camus
O Narrador: Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov – Walter Benjamin
O Uso da Poesia e o Uso da Crítica – T. S. Eliot
O deserto dos tártaros – Dino Buzzati
Catatau – Paulo Leminski
Mimesis – Erich Auerbach
A Book of Nonsense –  Edward Lear
e daí…

«Nessas análises, a imagem do caos, uma força sem forma ou de forma indefinível¹⁷⁵, indescritível, me parece inevitável. Ela está instalada já na fragmentação e apenas reverbera na variedade de idiomas e na abundância de vozes.

*
(Reporters.)
—Que fila comprida, rajada,
Triste serpenteia em Blackwell ?
Carrere, Tweed Boss,
Pelo cós
Um do outro . . . justiça cruel !
==Cubano Codezo, Young Esquire,
Um com outro a negaceiar,
Protheus cabalisticos,
Mysticos
Da Hudson-Canal-Delaware !
—Norris, leis azues de Connecticut !
Clevelands, attorney-Cujás,
Em zebras mudados
Forçados,
Dois a dois, aos cem Barrabás !
*

Uma vez que o caos é o estilhaçamento de toda coerência e unidade, a escritura sousandradina se apresenta, portanto, um caos poético, que percebe o sem sentido do mundo e livra-se das limitações do significado. Trata-se de uma forma-informe que busca acomodar o caos contemporâneo sem violentá-lo, sem organizá-lo, enfim, sem engavetá-lo. Desse modo, podemos dizer que, se para Carl Schmitt “não existe nenhuma norma que seja aplicável ao caos”¹⁷⁶, o caos também determina uma impossibilidade da norma e da lei, principalmente, se pensarmos a língua como essa ordenação. Contudo, mesmo predominando esse caráter caótico e informe, não se pode olvidar a existência de uma regularidade métrica na forma de O Guesa. De maneira geral, o poema foi escrito sobre uma estrutura homogênea de quartetos decassílabos, rimas cruzadas (abab) ou enlaçadas (abba). Nos dois infernos, no entanto, na maioria das vezes (as exceções são abundantes), as estrofes são formadas por cinco versos com metros desiguais e rimas abccb, sendo o quarto verso sempre curto, como um eco, o que permite um efeito maior de deformação. Essa estrutura formal nos remete, naturalmente, à versificação fixa típica do limerick (ou limerique)¹⁷⁷, como já foi apontado por Luiza Lobo¹⁷⁸ e antes dela pelos irmãos Campos¹⁷⁹

(PATHFINDER meditando á queda do NIAGARA 🙂
—Oh ! quando este oceano de barbaros,
Qual esta cat’racta em roldão,
Assim desabar
A roubar . . .
Perdereis, Barão, até o ão !

O que se percebe, a partir disso, é uma tensão (principalmente neste segundo inferno) entre uma (quase) ordenação métrica do sistema retórico poético e um caos linguístico, uma desordem formal (um verdadeiro informe), que a todo tempo corrói a ordem¹⁸⁰. Um paradoxo no qual o poema se arma e que não se resolve. Como nos informa Agamben, “preciosismo métrico e trobar clus instauram na língua desníveis e polaridades que transformam a significação em um campo de tensões destinadas a continuarem insatisfeitas”¹⁸¹. Esses desníveis e polaridades, podemos pensar aqui, são mesmo o resultado do choque entre uma forma rígida e o absurdo da linguagem, enquanto incomunicabilidade, enquanto artificialidade, ou dos idiomas, enquanto insuficientes na tradução do real, enquanto exibem uma unidade que é sempre falsa.» In: Sousândrade-Guesa em “O Inferno de Wall Street”: poéticas políticas, de Ana Carolina Cernicchiaro

notas de rodapé:

¹⁷⁵ “Caos; massa bruta e informe, que não passava de um peso inerte, conjunto confuso das sementes das coisas”. OVÍDIO. As Metamorfoses. Trad. David Jardim Júnior. Rio de Janeiro: Ediouro, 1983.
¹⁷⁶ SCHMITT, Carl apud AGAMBEN, Giorgio. Homo Sacer. op. cit. p. 24.
¹⁷⁷ Dirce Waltrick do Amarante afirma que, no Brasil, “os limeriques teriam influenciado, segundo a crítica, escritores tão diferentes entre si como, por exemplo, na segunda metade do século XIX, o maranhense Joaquim de Sousa Andrade (ou Sousândrade, como se autodenominava) e, no século XX, Clarice Lispector”. AMARANTE, Dirce Waltrick. Sr. Lear Conhecê-lo é um prazer – O nonsense de Edward Lear. Tese (Doutorado). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006. p. 260. Uma pesquisa sobre a aproximação entre a forma dos limeriques e a versificação dos dois infernos sousandradinos merece ser melhor aprofundada, pois nos levaria a pensar outras importantes discussões, como a própria tradição do limerique no Brasil, mas deixo esse assunto para um futuro trabalho, aqui cabe pensar essa proximidade como uma ordenação em meio ao caos.
¹⁷⁸ “Provavelmente [Sousândrade] travou contato com o limerick na sua viagem à Inglaterra em 1856, e considerou este tipo de verso, irônico, popular, de tradição oral, usado para temas indecentes, ou então para cantigas infantis tradicionais, apropriado à crítica que encetava”. (LOBO, Luiza. Épica e Modernidade em Sousândrade. op. cit. p. 129).
¹⁷⁹ Cf. “Estilística Sousândradina (Aspectos Macroestéticos)”. In: “Sousândrade: O terremoto clandestino”. op. cit.
¹⁸⁰ Na análise que faz da desconstrução derridiana em “Mitologia do Caos no Romantismo e na Modernidade”, o professor da Universidade de Berlim, Winfried Menninghaus, explica que essa descoberta do caos na ordem é mesmo um projeto romântico: “a desconstrução derridiana descobre em todas as ordens aparentemente fechadas e oposições estáveis aspectos que lhes minam e finalmente apagam o controle. Nesse sentido, a desconstrução continua o projeto romântico de entremesclar toda identidade e todo sistema com tendências caótico-centrífugas”. MENNINGHAUS, Winfried. “Mitologia do Caos no Romantismo e na Modernidade”. Palestra feita pelo autor no Instituto de Estudos Avançados da USP em 8 de junho de 1994. In: Estudos Avançados. São Paulo, vol. 10, n. 27, maio/agosto de 1996.
¹⁸¹ AGAMBEN, Giorgio. Profanações. op. cit. p. 44.

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