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as tentações da manhã

2019, fevereiro 6, quarta-feira

6h35 mate feito. e já roncando. lá fora um coral… das mais variadas aves. ainda faz escuro, é o finalzinho da madrugada…

5h58 acordei, antes do despertador, e ainda envolto nas brumas do sonho… ou pesadelo?

dois motoqueiros estavam festando na casa do vizinho… então, eles resolvem adentrar o meu quintal… por aquela antiga entrada do cinamomo – que não existe mais faz uns vinte anos, no mínimo – e eu arremesso um lápis, que acerta a roda traseira, enquanto estacionam. ao tirarem os seus capacetes, eu descubro quem é ele e quem é ela. e peço desculpa, pela minha ignorância e brutalidade, eles sentem-se ofendidos… vieram me ver. ela veio me ver… ele acompanhava ela. aceitam minhas desculpas… conhecem minha casa… e de repente, vira e termina como uma propaganda de cerveja, bizarramente, como uma direta para o meu estado de homem-gelo. 

acordei neste instante. e ao percorrer os fragmentos destes sonhos… vão se somando outras imagens, sobrecamadas, numa amálgama, e seus possíveis significados… há elementos de coisas que eu pensei e vivi ontem… momentos, lugares, pessoas, medos e desejos. eu só não entendi qualé dos dois motoqueiros?!

06:51 a tentação é a soneca do despertador, essa vontade absurda de voltar a dormir… e a maquininha na mente dizendo… não tem problema nenhum chegar um bocadinho atrasado…

06:59 há uma avalanche de frases musicais… identifico todas, exceto a que deu o estarte. será que ela existe? fragmento: somos memória e desejo

07:03 não há mal nenhum em pegar o 7h25. e se eu soubesse da programação de hoje cedo… péssima hora, quando emprestei minha folhinha com a programação lá na segunda. talvez…

07:04 e a justificativa matemática: como eu faltei ontem, e não terei o certificado… e pelas minhas contas, pela carga horária que tenho, posso faltar 3 turnos na semana de formação… e se eu voltasse a dormir mais uma horinha? que tentação.

Somos-medo-e-desejo-Somos-feitos-de-silencio-e-som07:09 não é memória… é medo. lembrei…

e achei esse texto aqui de Cibele Prado Barbieri:

«Sobre amor e gozo, há certas coisas que não sei dizer…»

07:28 é… menos de 12 horas e eu já me arrependendo da vivo, instabilidade fudid… só caindo esse negócio… e ps: eu só vou pela tarde.

07:43 o sono novamente chegou.

deus te preteje

2018, dezembro 19, quarta-feira

«Preto, pobre, jogador e então músico. Ele poderia ser um clichê, mas preferiu estancar o sangue e reinventar-se. Assim, se refez e mostrou outra forma possível de se fazer artista».

Deus te preteje curumim
Mim fala língua de pingüim
Nem sim nem não nem nin nem são
Mim fala língua macarrão
Deus te preteje teu irmão
Mim fala língua de crivão
Crivão que vem do carabono
Onde é que tá o meu cambono
Onde é que tá o meu cambono
‘Ce deu tanta martelada
Que eu não fala portugás
Se mi fala inventada numa frágua
Num zá trás
Gil Vicente é mi ferreiro
Puruquê me fez primeiro
Mi chamando Furunando
Ele foi inventando
Mi sá negro de crivão
Hoje Gigante Negão!
Itamar Assumpção

***

«Experiência e expressão em Itamar Assumpção», por Ivan de Bruyn Ferraz

«Deus te preteje: a identidade e sentimento na música de Itamar Assumpção», por Lúcia Helena Oliveira Silva* e Wilton Carlos Lima Silva**

«ASSUMPÇÃO, Itamar. Pretobrás – Por Que Que Eu não Pensei Nisso antes? O Livro de Canções e Histórias de Itamar Assumpção» São Paulo: Ediouro, 2006. (organizadores, Luiz Chagas e Mônica Tarantino ; transcrições, Clara Bastos)

«Clara Crocodilo” e “Nego Dito”: dois perigosos marginais?», por Walter Garcia

doubles en nous mesmes: ficções e experimentos…

2018, dezembro 9, domingo

pelas discussões dos últimos dias (sobre religião, humanidade, racionalidade, consciência, condição humana)…

começamos por aqui:

O PODER DA FICÇÃO NA SOCIEDADE

texto do vídeo abaixo disponível no excelente canal Casa do Saber

“Ficção: Poderosa Arma dos Homens” escrito por Claudia Feitosa-Santana baseado na seção sobre ficção do livro “Sapiens” de Yuval Noah Harari. Resumo: Quando o ponto de vista é compartilhado por todos nós, geralmente estamos falando de uma realidade objetiva como: água, floresta, baleia. Quando o ponto de vista é dificilmente compartilhado por todos, geralmente estamos falando de uma realidade subjetiva também conhecida como ficção. Quando uma realidade subjetiva é compartilhada por quase todo mundo, ela se parece com uma realidade objetiva. Dois exemplos: Deus e dinheiro, ficções aceitas pela maioria. Quanto mais gente acreditar numa realidade subjetiva, menos ela se parece com uma ficção. As ficções são extremamente necessárias para nossa organização em sociedade e nenhum outro animal no planeta tem a imaginação que nós temos: É difícil respeitar o direito alheio? Criamos a Lei. A vida nem sempre parece ter sentido? Criamos Deus. É difícil amar ao próximo como a si mesmo? Criamos a Religião. A vida é muito curta? Criamos a Vida Eterna e a Reencarnação. É difícil ter apenas um parceiro? Criamos o Casamento. As ficções partilhadas facilitam a cooperação. Dois evangélicos que não se conhecem podem juntos protestar contra o aborto e o casamento gay. Dois norte-americanos que nunca se viram vão para a guerra como irmãos em nome de sua nação. Dois funcionários de uma mesma corporação que não se conhecem são capazes de trabalhar num projeto juntos por meses e terminarem sem conhecer nada da vida pessoal um do outro. Realidade objetivas, fonte esgotável. Realidades subjetivas, fonte inesgotável de ficções. Nossas realidades subjetivas são muito mais poderosas que as objetivas e até mesmo a sobrevivência da água das florestas e das baleias depende da graça concedida por deuses, estados e corporações.

C

e pelo acaso, encontrar «experimenter» ou «o experimento de milgram», filme dirigido por Michael Almereyda (2015).

não peguei o começo e nem o final do filme, mas os poucos minutos que vi, despertou o desejo de vê-lo todo, e pesquisar mais sobre…

«Stanley Milgram (1933 – 1984) foi um psicólogo norte-americano  graduado da Universidade de Yale que conduziu a experiência dos pequemos mundos (a fonte do conceito dos seis graus de separação) e a Experiência de Milgram sobre a obediência à autoridade».

abaixo, uma citação do filme [01:06:04,059 –> 01:07:12,794]:

«Mas a obediência, a submissão, era mais comum. Eles dizem: “Não farei isso. Não farei mais isso.” Mas então, o que Montaigne dizia? “Somos duplos em nós mesmos. Não acreditamos no que acreditamos, e não podemos nos livrar do que condenamos.” Outro de meus experimentos. Hank, um estudante da graduação, era o chamado “cristal de massa”, olhando para um ponto fixo no espaço, olhando para “algo” não inexistente. Quando você aumenta as pessoas que olham para o alto, o número de pessoas que param e olham aumenta exponencialmente. Enquanto isso, Obediência à Autoridade foi traduzido para oito idiomas e indicado para um prêmio nacional.»

«Mais nous sommes, je ne sçay comment, doubles en nous mesmes, qui faict que ce que nous croyons, nous ne le croyons pas, et ne nous pouvons deffaire de ce que nous condammons.»  Idem, p. 619.

«Somos duplos em nós mesmos. Não acreditamos no que acreditamos, e não podemos nos livrar do que condenamos».

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chaoscontrol

Einige Kreise [several circles] / Schwarze Linien I [Black Lines]

Kandinsky – Chaos/Control

Da obediência ao consentimento: reflexões sobre o experimento de Milgram à luz das instituições modernas, por Sandra Leal de Melo Dahia

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A vida só pode ser compreendida para trás, mas tem que ser vivida para a frente.” Søren Kierkegaard