Archive for the 'Sonetos' Category

zéfiní, no mais… vida de artista

2018, dezembro 18, terça-feira

notas da madrugada:

relendo este hipertexto e seus fragmentos… reencontrei tantos personagens, eus de outras fases… o que me fez sentir vontade de virar papéis… redescobrir outros passados adormecidos, achar algumas lacunas destes personagens guardados pelas caixas e arquivos de papéis.

para o dia em que esqueça, eu reconheça-me, outros em mim.

e sobre o espaço, há um gato e um vaga-lume se encarando… há um vaga-lume neste quarto. dois gatos, um humano e tantas formigas, de tamanhos e formas distintas… mas ainda formigas. é tudo meio selvagem essa coisa de viver.

e há um pé direito alto neste quarto… era desejo, meu desejo há quase vinte anos atrás. mas nunca morei antes aqui… pelos labirintos da vida, pela separação de meus pais… o quarto que idealizei nunca havia sido meu de uso… e só neste ano é que vivi por cá (hospedando-me em casa de minha mãe, enquanto a minha segue em des/construção]… vou experienciando aquilo que ideei.

mas o ano voou e é tempo de partir… deixar o quarto com seu pé direito alto, a casa passageira… esse ano passando. conhecer um novo personagem… um novo lar.

[01h52 fim, por enquanto]

notas da manhã:

acorda cedo para finalizar o que não foi finalizado. prazo: 8 a.m. anota coisas para ler depois. controla o sono… foca. trabalho primeiro/distração depois. [06h57 fim, por enquanto]

***

A CONSOLIDAÇÃO DA SOCIAL DEMOCRACIA NO BRASIL: FORMA TARDIA DE DOMINAÇÃO BURGUESA NOS MARCOS DO CAPITALISMO DE EXTRAÇÃO PRUSSIANO-COLONIAL“, por Anderson Deo.

Sonnet 98 - William Shakespeare

«From you have I been absent in the spring,
When proud-pied April dress’d in all his trim
Hath put a spirit of youth in every thing,
That heavy Saturn laugh’d and leap’d with him.

Yet nor the lays of birds nor the sweet smell
Of different flowers in odour and in hue
Could make me any summer’s story tell,
Or from their proud lap pluck them where they grew;

Nor did I wonder at the lily’s white,
Nor praise the deep vermilion in the rose;
They were but sweet, but figures of delight,
Drawn after you, you pattern of all those.

Yet seem’d it winter still, and, you away,
As with your shadow I with these did play:»

«Ausente andei de ti na primavera,
Quando o festivo Abril mais se atavia,
E em tudo um’ alma juvenil pusera
Que até Saturno saltitava e ria.

Mas nem gorgeio d’ aves, nem fragrância
De flores várias em matiz e odores,
Moveram-me a compor alegre estância
Ou a colher, do seio altivo, as flores.

Nem me tocou a palidez do lírio,
Nem celebrei o vermelhão da rosa;
Eram não mais que imagens de um empíreo
Calcado em ti, padrão de toda cousa.

Inverno pareceu-me aquela alfombra,
E me pus a brincar com tua sombra.» 

SHAKESPEARE, William. Os melhores sonetos. Tradução de Ivo Barroso. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013.

notas da primeira tarde:

[12h18] há vários poemas esperando pelo fim. triste e estranho quando você se dá conta que só tem a passagem pra ir… falta a grana pra voltar. terminou? há mais uma tarde para a vida toda… é preciso ser a poesia. ontem alguém me dizia… exu não é o diabo não. e hoje, entre as nove e as onze, no «entre-acordado», na«soneca com chave» [hipnagogia], eu tive sonhos, guardo reminiscencias. sou um delírio ambulante… e é preciso partir, ‘bora.

[13:32] nota mental: não saia sem um pedaço de papel, uma caneta… pois as vezes é preciso anotar o itinerário de onde o pensamento te leva:

indo. acordo cedo, mas atraso pra vida, essa ali de fora… lá vou eu atrasado, correndo, no limite… e no mais, vida de artista. depois de minutos desenosando o fone pro ouvido… aleatoriamente ouço itamar¹, de onde parei na última vez, e nem lembro mais quando ouvi música no busão…

mas por esses dias… essa minha genética me faz querer o frio, pois essa dupla, el niño & verano estragam meu asseio… cinco minutos na rua e já tomei um [auto]banho de suor.

¹ Itamar Assumpção – Pretobrás: Por Que Que Eu Não Pensei Nisso Antes? (1998) Álbum Completo [Último álbum lançado em vida por Itamar, Pretobrás saiu em 1998 pelo selo Atração Fonográfica. Planejado como parte de uma trilogia, os dois álbuns seguintes foram lançados postumamente pelo selo Sesc]

01. 00:00 Cultura Lira paulistana 02. 05:36 Abobrinhas não 03. 07:59 Vá cuidar da sua vida 04. 12:04 Pretobrás 05. 16:07 Extraordinário 06. 17:11 Vida de artista 07. 20:52 Dor elegante 08. 24:20 Pöltinglen 09. 27:03 Vou de vai-vai 10. 31:09 Por que eu não pensei nisso antes 11. 36:28 Apaixonite aguda 12. 37:43 Já Que Tem Que 13. 41:03 Outras Capitais 14. 46:14 Ich Iiebe Dich 15. 48:44 Elke Maravilha 16. 50:35 Olho no Olho 17. 54:10 Reengenharia 18. 57:50 Pesadelo 19. 01:01:13 Amigo Arrigo 20. 01:02:18 Deus Te Preteje 21. 01:06:49 Queiram ou Não Queiram

 

VIDA DE ARTISTA
de Itamar Assumpção

(De Pretobras I, 1998)

Na vida sou passageiro
Eu sou também motorista
Fui trocador, motorneiro
Antes de ascensorista
Tenho dom pra costureiro
Para datiloscopista
Com queda pra macumbeiro
Talento pra adventista
Agora sou mensageiro
Além de pára-quedista
Às vezes mezzo engenheiro
Mezzo psicanalista
Trejeito de batuqueiro
A veia de repentista
Já fui peão boiadeiro
Fui até tropicalista
Outrora fui bom goleiro
Hoje sou equilibrista
De dia sou cozinheiro
À noite sou massagista
Sou galo no meu terreiro
Nos outros abaixo a crista
Me calo feito mineiro
No mais, vida de artista.

***

eu sou a resistência. lembro de você toda vez, e isto tem sido recorrente, nestes últimos dias, que me pego admirando essas plantas miúdas que nascem sobre muros, telhados, paredes, entre lajotas… sobre o asfalto. têm sido recorrente a atração provocada pela existência delas sobre meu olhar… encantam-me esses seres vegetais, dessas miudezas da resistência às velhas árvores imemoriais.

***

notas da segunda tarde:

meta de final de ano: ler essa bagaça toda. (Neuromancer, de William Gibson)

neuromancer

comecei pela tarde… no último dia letivo de 2018. agora só faltam os conselhos de classe e zéfini. estou livre para a leitura.

ps: zéfiní é mais bonito que c’est fini.

notas da noite:

tempestade e offline. polenta tostada e feijão carioca do meu velho pai. gargalhadas com ica (mãe) e luiza (sobrinha).

sono no sofá.

e meu pai, pela tarde, fez duas portas para minha futura casa… agora falta apenas os vidros para as janelas, a finalização da fiação elétrica e casa torna-se habitável… falta pouco para voltar para o meu novo lar.

conversa fiada… do you speak bristol?

2018, dezembro 4, terça-feira

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ever noticed how Bristolians put an L on the end of their words? 

[só pq estava aqui nos rascunhos… há dias… perdi o dia, mas esse acento é interessante…]

***

«Se fiamos num bem, que a mente cria,

                  Que outro remédio há aí senão ser triste?    

Antero de Quental, Sonetos»

resfriado. cansado. eu até tentei, mas não consigo sair dessa cama hoje. nem desse labirinto dos últimos dias… não consigo fazer coisas básicas.

[_] questões de teoria literária [função discente]
[_] questões para o jogo sociológico [função docente]
[_] preencher diários [função docente]
[_] ir trabalhar [sobrevivência]
[_] ajudar na construção da casa [família]
[x] estar com família [vida]
***
levantei… depois que insistiram, mas faltei.
e podei árvores… pra me distrair de ficar pensando nessas coisas que tenho que fazer e não faço. cravei um espinho no dedo, pra lembrar dele pelo resto da semana… tudo está doendo.
mas vi o sol branco [fff5f2] se pôr num céu rosa-azul, com uma borda tipo efeito 3D [anáglifo]. eu sei, as cores não eram essas… eu apenas estava fritando meus olhos ao expor meus fotorreceptores cruamente, sem filtro algum, por dois minutos enquanto o sol desaparecia.

sabrás que no te amo y que te amo

2007, junho 28, quinta-feira

SABERÁS que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo paracomeçar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo todavia.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desditoso

Meu amor te duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

xliv. neruda, pablo.
cien sonetos de amor

SABRÁS que no te amo y que te amo
puesto que de dos modos es la vida,
la palabra es un ala del silencio,
el fuego tiene una mitad de frío.

Yo te amo para comenzar a amarte,
para recomenzar el infinito
y para no dejar de amarte nunca:
por eso no te amo todavía.

Te amo y no te amo como si tuviera
en mis manos las llaves de la dicha
y un incierto destino desdichado.

Mi amor tiene dos vidas para armarte.
Por eso te amo cuando no te amo
y por eso te amo cuando te amo.

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Já contamos hoje..
só que é uma poesia proto-humana, parte-humana, pseudo-humana… Poesia pré-histórica…

E há de vir o tempo em que a poesia não apenas cantará, mas será sentida, vivida, realizada todo o tempo por nós, “quase-humanos”, que enfim seremos humanos. E ser humano é ser poético… Hoje somos quase poesia… E vou lutando, peleando, campeando, trabalhando para que a lavra que sangra da terra seja vida e não morte, seja poesia e não estupidez.
Poeta… te espero neste horizonte, e até lá, vamos arregaçar nossas mangas, calejar nossas mãos e palavras por um mundo humano :
Onde o amor sem posse, sem cor ou credo ou condição social seja possível… Onde amar, seja amar o outro que é parte de nós, e nós como parte do outro (o todo), que já são tantos outros como nós, capazes, proto-humanos… lutadores.