Archive for the 'Teoria Literária' Category

acho que é mais fácil mentir em estrangeiro

2019, janeiro 5, sábado

02:05 como é complexo esse emaranhado de coisas que fazemos. acordei nesse exato instante, com esse pensamento. poucos segundos antes de a tela do computador tornar-se clara, e de reparar conscientemente que minha mãe tosse em seu quarto.

mas ele, meu pai, não faz isto, a casa, exatamente por mim, mas sim, por ela, por minha mãe. por ela ter ficado.

02:31 quando ouço matilde… não é tanto pela explosão que suas imagens fazem em minha mente, mas pelo afeto da oralidade, como se alguém estivesse a conversar comigo, a dizer-me coisas, secretar delírios e silêncios no limiar da palavra. nesse acento da palavra.

[ou sotaque… porque acento não é palavra de fácil entendimento para outros de nós]

02:54 não descobri a origem da palavra sotaque, mas descobri que em árabe, palavra sawt [ صوت ] significa voz.

03:01 Chapéu de palha – Poema de Matilde Campilho

Fazes-me lembrar
um filme do Rohmer
ou o toldo vermelho
do Joaquim Manuel
Quando penso em ti
eu esqueço o lixo
que de manhã faz barulho
à minha porta
Pareces-te com o tempo
das amendoeiras
Tens tudo a ver com
a escadaria semi-invisível
que o mágico escavou
no rochedo atlântico
Sim tu pareces o Verão
Às vezes quando entras
quase dá para ouvir o ruído
do motor de um jipe
Um Lada Niva por exemplo
(de cor azul)
a assapar entre a poeira
e os eucaliptos
sempre em direção à praia
Fazes lembrar a alegria
de um risco na parede
desenhado a carvão
pela criança da manhã
É no verde dos teus olhos
que eu treino a disciplina
de uma explosão sossegada
que se vai revelando devagar
ao ritmo das estações concretas
E já agora também é no amarelo
dos teus olhos que eu descanso
da guerrilha do mundo moderno
Aquele que nos fez esquecer
a gargalhada de David
quando derrotou o gigante
(mas olha há sempre um riso
ecoando lento na caverna)
Estamos aqui para vencer a dor
E teu rosto diário faz lembrar
a vitória do tempo sobre o tempo
Porque afinal de contas tu
te pareces muito com a promessa
de uma fé vagarosa & livre
Pareces a coragem, pareces a paz
Pareces mesmo a madrugada egípcia
sobre a qual voa um passarinho.

***

03:17 e matilde me dá pistas de um mundo ainda inexplorado…

«É possível pensar que o carácter aparentemente desconexo de muitos dos textos da versão de 2010, a arritmia, a óbvia fealdade do vocabulário forçado, constituem processos conscientes de suspensão da linearidade discursiva e de problematização da relação de recepção: estes textos exigem menos uma relação de interpretação (de descodificação de um conteúdo semântico codificado enquanto poema) do que a estrita experiência das palavras. 

Não se trata de um jogo de recuperação do omisso, de colmatação da falha, mas da assunção da natureza fundadora da própria falha. É nesta falha que este livro se escreve. Vem expor o que há de arbitrário (tão consciente quanto intuitivo) no processo de escrita: não há nada de essencial; não há nada que não seja susceptível de transformação; não há nada que não possa ser devolvido ao nada.» contra mundum – crítica e literatura
se neste «contra mundum», acima, eu não identifico o autor, neste «contra mundum» abaixo, de Francisco Mendes da Silva há coisas inteiressantes também:

Pink Floyd – Time; Ian McEwan sobre novela; e uma citação de Evelyn Waugh

Ticking away the moments that make up a dull day
Fritter and waste the hours in an offhand way.
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way.
Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain.
You are young and life is long and there is time to kill today.
And then one day you find ten years have got behind you.
No one told you when to run, you missed the starting gun.
So you run and you run to catch up with the sun but it’s sinking
Racing around to come up behind you again.
The sun is the same in a relative way but you’re older,
Shorter of breath and one day closer to death.
Every year is getting shorter never seem to find the time.
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desperation is the English way
The time is gone, the song is over,
Thought I’d something more to say.
Home
Home again
I like to be here
When I can
When I come home
Cold and tired
It’s good to warm my bones
Beside the fire
Far away
Across the field
Tolling on the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spell
Compositor: Roger Waters
ou isto:

(…)

I believe the novella is the perfect form of prose fiction. It is the beautiful daughter of a rambling, bloated ill-shaven giant (but a giant who’s a genius on his best days). And this child is the means by which many first know our greatest writers. Readers come to Thomas Mann by way of “Death in Venice,” Henry James by “The Turn of the Screw,” Kafka by “Metamorphosis,” Joseph Conrad by “Heart of Darkness,” Albert Camus by “L’Etranger.” I could go on: Voltaire, Tolstoy, Joyce, Solzhenitsyn. And Orwell, Steinbeck, Pynchon. And Melville, Lawrence, Munro. The tradition is long and glorious. I could go even further: the demands of economy push writers to polish their sentences to precision and clarity, to bring off their effects with unusual intensity, to remain focussed on the point of their creation and drive it forward with functional single-mindedness, and to end it with a mind to its unity. They don’t ramble or preach, they spare us their quintuple subplots and swollen midsections.

Let’s take, as an arbitrary measure, something that is between twenty and forty thousand words, long enough for a reader to inhabit a world or a consciousness and be kept there, short enough to be read in a sitting or two and for the whole structure to be held in mind at first encounter—the architecture of the novella is one of its immediate pleasures. How often one reads a contemporary full-length novel and thinks quietly, mutinously, that it would have worked out better at half or a third the length. I suspect that many novelists clock up sixty thousand words after a year’s work and believe (wearily, perhaps) that they are only half way there. They are slaves to the giant, instead of masters of the form.

(…) de Ian McEwan, via page-turner, the nw ykr

ou isto cá…
Perhaps all our loves are merely hints and symbols; vagabond-language scrawled on gate-posts and paving-stones along the weary road that others have tramped before us; perhaps you and I are types and this sadness which sometimes falls between us springs from disappointment in our search, each straining through and beyond the other, snatching a glimpse now and then of the shadow which turns the corner always a pace or two ahead of us. Evelyn Waugh, in Brideshead Revisited.
***
04:35 mas como esse texto é uma tela em branco onde as palavras vão se amontoando… enquanto navego à deriva… o esperanto na sua timeline me aviva isto: #naruto é o crlh.

Jaspion – Abertura

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Letra: Keisuke Yamakawa / Composição: Watanabe Kikuaki 作詞:山川啓介
作曲:渡辺宙明

Come on Boy! つらい時ほど
Come on Boy! 笑おうぜ
そうさ勇気が すぐもどる
男だもんな 若さだもんな
心の炎が まぶしいもんな
ふりむけば 小さなきのう
目を上げれば 無限のあした

ジャスピオン 巨人でもこい
ジャスピオン 不足はないぜ
おれが おれが おれが正義だ
ジャスピオン

ふりむけば 小さなきのう
目を上げれば 無限のあした

Come on Boy! Tsurai toki hodo
Come on Boy! Waraou ze
sō sa yūki ga sugu modoru
otokoda mon’na waka-sada mon’na
kokoro no honō ga mabushī mon na
furimukeba chīsana kinō
me o agereba mugen no ashita
jasupion 巨Kina waru hodo
jasupion fusoku wa nai ze
ore ga ore ga ore ga seigida
jasupion

perco-me nos kanjis.

e ando a cata de editar outras postagens antigas… add imagens quando necessárias, corrigir links quebrados… add tags/categorias

e me deparo com este:

The Road Not Taken – Robert Frost 

Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.

05:55 amanheceu e eu não sei se tomo um café ou se vou dormir. mas dou cabo a essa coleção de colagens e insights coletados hoje. fim

conversa fiada… do you speak bristol?

2018, dezembro 4, terça-feira

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ever noticed how Bristolians put an L on the end of their words? 

[só pq estava aqui nos rascunhos… há dias… perdi o dia, mas esse acento é interessante…]

***

«Se fiamos num bem, que a mente cria,

                  Que outro remédio há aí senão ser triste?    

Antero de Quental, Sonetos»

resfriado. cansado. eu até tentei, mas não consigo sair dessa cama hoje. nem desse labirinto dos últimos dias… não consigo fazer coisas básicas.

[_] questões de teoria literária [função discente]
[_] questões para o jogo sociológico [função docente]
[_] preencher diários [função docente]
[_] ir trabalhar [sobrevivência]
[_] ajudar na construção da casa [família]
[x] estar com família [vida]
***
levantei… depois que insistiram, mas faltei.
e podei árvores… pra me distrair de ficar pensando nessas coisas que tenho que fazer e não faço. cravei um espinho no dedo, pra lembrar dele pelo resto da semana… tudo está doendo.
mas vi o sol branco [fff5f2] se pôr num céu rosa-azul, com uma borda tipo efeito 3D [anáglifo]. eu sei, as cores não eram essas… eu apenas estava fritando meus olhos ao expor meus fotorreceptores cruamente, sem filtro algum, por dois minutos enquanto o sol desaparecia.

jubiabá

2018, novembro 26, segunda-feira

3h59 notas para ler/ver

Jubiabá / Jorge Amado; posfácio de Antônio Dimas. — São Paulo : Companhia
das Letras, 2008.

Jubiabá / Direção: Nelson Pereira dos Santos / 1986 ‧ Drama/Romance ‧ 1h 40m

***

19h27. hora de ir… depois de um dia inteiro de trabalho pesado, não dei tempo para pensar em nada, apenas desembestei e fiquei mexendo nas coisas… encanamentos, aterros, deck…

Los Ángeles Azules – Nunca Es Suficiente ft. Natalia Lafourcade

***

 

21h00 – tomando nota – última aula do semestre de 2018/2.
«O sistema pós-industrial tem-se mostrado resistente aos mecanismos de luta modernos — sindicato, partido. Ao mesmo tempo gigantesco e diferençado, ele não forma um todo e não possui centro. Tendo pulverizado a massa numa nebulosa de consumidores isolados, com interesses diferentes, ele absorve qualquer costume, qualquer ideia, revolucionários ou alternativos. Pois é flexível e variado o suficiente para nele conviverem os comportamentos e as idéias mais disparatadas. Para vingar, mesmo as idéias anti-sistema deveriam entrar pelos meios de massa, serem consumidas em grande escala de modo personalizado, mas isto significaria tornarem-se mais uma mercadoria do sistema. O próprio Estado, que poderia ser um centro mortal, é antes um investidor na economia e na pesquisa, um administrador de serviços, um encarregado da defesa externa, em vez de ser, fundamentalmente, um aparelho de repressão política.
Desse modo, o circuito informação-estetização-erotização-personalização realiza o controle social, agora na forma soft (branda, discursiva), em oposição à forma moderna hard (dura, policial). O consumo e atuação no cotidiano são os únicos horizontes oferecidos pelo sistema. Nesse contexto, surge o neo-individualismo pós-moderno, no qual o sujeito vive sem projetos, sem ideais, a não ser cultuar sua auto-imagem e buscar a satisfação aqui e agora. Narcisista e vazio, desenvolto e apático, ele está no centro da crise de valores pós-moderna. (pp 30-31)» SANTOS, Jair Ferreira dos. O que é Pós-Moderno. São Paulo: Brasiliense, 2004. – Coleção primeiros passos; 165) 22ª reimpr. da 1ª ed. de 1986.

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Ficha Técnica – Relógio (um e cinco):
Autor: Joseph Kosuth 
Coleção: Tate 
Ano: 1965 Técnica: Relógio, Impresso e Fotografia em prata coloidal

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1979/82)

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Jenny Holzer. Untitled (Don’t Talk Down to Me), from Inflammatory Essays (Jenny Holzer #1998.914.10) prints, offset lithograph.

 

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Andy Warhol. Marilyn Diptych (1962). Acrylic paint on canvas

Marilyn 1974 by James Rosenquist born 1933

James Rosenquist Marilyn 1974
Not on view [Lithograph. composition]

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Barbara Kruger Untitled (we will no longer be seen and not heard), 1985. Nine framed lithographs

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John Baldessari. Heel, 1986

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Sherrie Levine, After Walker Evans, 1981 [photograph,
gelatin silver print]

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Barbara Kruger. Untitled (We won’t play nature to your culture). 1983. [photograph,
gelatin silver print]

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Cindy Sherman. Untitled Film Still #62, 1980.

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Mary Kelly. Detail – Post-Partum Document, 1973-79 (Post-Partum Document is a six-year exploration of the mother-child relationship)
[Perpsex units, white card, sugar paper, crayon]

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Lithograph printed in colors on wove paper]


***

21h29 um espera, um demora, um erro, uma espera maior ainda, mas registro os musgos crescendo entre a fresta que separa o céu e o chão. registro o letreiro luminoso… e abestalhado, que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado, mas estou aqui, experienciado o que muitas pessoas não terão oportunidade… e dou-me conta que: eu faço letras.

22h05 faço poesia

[registro delas]

I. exercício sobre primeira e segunda natureza

nada morre na praia
nada é
nada e morre
desfôlego
nada na praia
nada e nada
na beira
no limite
quase do outro lado
quase nada, nada salvo
nada para o nado da volta.

foi assim (o fôlego),

que consegui.

II. como se fosse
fosse não ser
não fosse
o mesmo corpo
dolorido/violado
e o riso que insisto
triste ainda trago
é descabido
não te habita
não fosse
o mesmo corpo
sofrido/destratado
moído/triturado
nosso mito
o ser que não
não este corpo
é o mito
que habita
nosso ser
como se fosse
a gente não fosse
o mesmo corpo familiar
triste e doce,
habitando a hora
de abandonar-se
como se fosse
fosse não ser
um não fosse hipotético
um não fosse espectro
um corpo patético

III

ha um corpo podre
no caminho encarniça
a carne putrefa encarde o peito
a carne vísceras arde e expele
quem não mais há.

nota de rodapé:

DA ARTE COMO CONCEITO E DO CONCEITO DE ARTE: ready-made, espaço, tempo, significação, por Patrícia Maia