Archive for the 'Teoria Literária' Category

conversa fiada… do you speak bristol?

2018, dezembro 4, terça-feira

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ever noticed how Bristolians put an L on the end of their words? 

[só pq estava aqui nos rascunhos… há dias… perdi o dia, mas esse acento é interessante…]

***

«Se fiamos num bem, que a mente cria,

                  Que outro remédio há aí senão ser triste?    

Antero de Quental, Sonetos»

resfriado. cansado. eu até tentei, mas não consigo sair dessa cama hoje. nem desse labirinto dos últimos dias… não consigo fazer coisas básicas.

[_] questões de teoria literária [função discente]
[_] questões para o jogo sociológico [função docente]
[_] preencher diários [função docente]
[_] ir trabalhar [sobrevivência]
[_] ajudar na construção da casa [família]
[x] estar com família [vida]
***
levantei… depois que insistiram, mas faltei.
e podei árvores… pra me distrair de ficar pensando nessas coisas que tenho que fazer e não faço. cravei um espinho no dedo, pra lembrar dele pelo resto da semana… tudo está doendo.
mas vi o sol branco [fff5f2] se pôr num céu rosa-azul, com uma borda tipo efeito 3D [anáglifo]. eu sei, as cores não eram essas… eu apenas estava fritando meus olhos ao expor meus fotorreceptores cruamente, sem filtro algum, por dois minutos enquanto o sol desaparecia.

jubiabá

2018, novembro 26, segunda-feira

3h59 notas para ler/ver

Jubiabá / Jorge Amado; posfácio de Antônio Dimas. — São Paulo : Companhia
das Letras, 2008.

Jubiabá / Direção: Nelson Pereira dos Santos / 1986 ‧ Drama/Romance ‧ 1h 40m

***

19h27. hora de ir… depois de um dia inteiro de trabalho pesado, não dei tempo para pensar em nada, apenas desembestei e fiquei mexendo nas coisas… encanamentos, aterros, deck…

Los Ángeles Azules – Nunca Es Suficiente ft. Natalia Lafourcade

***

 

21h00 – tomando nota – última aula do semestre de 2018/2.
«O sistema pós-industrial tem-se mostrado resistente aos mecanismos de luta modernos — sindicato, partido. Ao mesmo tempo gigantesco e diferençado, ele não forma um todo e não possui centro. Tendo pulverizado a massa numa nebulosa de consumidores isolados, com interesses diferentes, ele absorve qualquer costume, qualquer ideia, revolucionários ou alternativos. Pois é flexível e variado o suficiente para nele conviverem os comportamentos e as idéias mais disparatadas. Para vingar, mesmo as idéias anti-sistema deveriam entrar pelos meios de massa, serem consumidas em grande escala de modo personalizado, mas isto significaria tornarem-se mais uma mercadoria do sistema. O próprio Estado, que poderia ser um centro mortal, é antes um investidor na economia e na pesquisa, um administrador de serviços, um encarregado da defesa externa, em vez de ser, fundamentalmente, um aparelho de repressão política.
Desse modo, o circuito informação-estetização-erotização-personalização realiza o controle social, agora na forma soft (branda, discursiva), em oposição à forma moderna hard (dura, policial). O consumo e atuação no cotidiano são os únicos horizontes oferecidos pelo sistema. Nesse contexto, surge o neo-individualismo pós-moderno, no qual o sujeito vive sem projetos, sem ideais, a não ser cultuar sua auto-imagem e buscar a satisfação aqui e agora. Narcisista e vazio, desenvolto e apático, ele está no centro da crise de valores pós-moderna. (pp 30-31)» SANTOS, Jair Ferreira dos. O que é Pós-Moderno. São Paulo: Brasiliense, 2004. – Coleção primeiros passos; 165) 22ª reimpr. da 1ª ed. de 1986.

kosuth

Ficha Técnica – Relógio (um e cinco):
Autor: Joseph Kosuth 
Coleção: Tate 
Ano: 1965 Técnica: Relógio, Impresso e Fotografia em prata coloidal

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1979/82)

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Jenny Holzer. Untitled (Don’t Talk Down to Me), from Inflammatory Essays (Jenny Holzer #1998.914.10) prints, offset lithograph.

 

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Andy Warhol. Marilyn Diptych (1962). Acrylic paint on canvas

Marilyn 1974 by James Rosenquist born 1933

James Rosenquist Marilyn 1974
Not on view [Lithograph. composition]

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Barbara Kruger Untitled (we will no longer be seen and not heard), 1985. Nine framed lithographs

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John Baldessari. Heel, 1986

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Sherrie Levine, After Walker Evans, 1981 [photograph,
gelatin silver print]

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Barbara Kruger. Untitled (We won’t play nature to your culture). 1983. [photograph,
gelatin silver print]

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Cindy Sherman. Untitled Film Still #62, 1980.

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Mary Kelly. Detail – Post-Partum Document, 1973-79 (Post-Partum Document is a six-year exploration of the mother-child relationship)
[Perpsex units, white card, sugar paper, crayon]

wang-guangyi-coca-cola (1)

Lithograph printed in colors on wove paper]


***

21h29 um espera, um demora, um erro, uma espera maior ainda, mas registro os musgos crescendo entre a fresta que separa o céu e o chão. registro o letreiro luminoso… e abestalhado, que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado, mas estou aqui, experienciado o que muitas pessoas não terão oportunidade… e dou-me conta que: eu faço letras.

22h05 faço poesia

[registro delas]

I. exercício sobre primeira e segunda natureza

nada morre na praia
nada é
nada e morre
desfôlego
nada na praia
nada e nada
na beira
no limite
quase do outro lado
quase nada, nada salvo
nada para o nado da volta.

foi assim (o fôlego),

que consegui.

II. como se fosse
fosse não ser
não fosse
o mesmo corpo
dolorido/violado
e o riso que insisto
triste ainda trago
é descabido
não te habita
não fosse
o mesmo corpo
sofrido/destratado
moído/triturado
nosso mito
o ser que não
não este corpo
é o mito
que habita
nosso ser
como se fosse
a gente não fosse
o mesmo corpo familiar
triste e doce,
habitando a hora
de abandonar-se
como se fosse
fosse não ser
um não fosse hipotético
um não fosse espectro
um corpo patético

III

ha um corpo podre
no caminho encarniça
a carne putrefa encarde o peito
a carne vísceras arde e expele
quem não mais há.

nota de rodapé:

DA ARTE COMO CONCEITO E DO CONCEITO DE ARTE: ready-made, espaço, tempo, significação, por Patrícia Maia

liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda

2018, outubro 4, quinta-feira

chegaram…
#O Uso da Poesia e o Uso da Crítica, T. S. Eliot
#Por que Apenas Nós? Linguagem e Evolução, Noam, Chomsky
#Gramática na Escola, Roberta Pires de Oliveira
***

do conselho de classe de hoje… valeu pelas narrativas, os exemplos… essas entregas. quando um professor se emociona ao falar sobre o processo pedagógico… quando a gente sente arrepiar a pele… só posso dizer que a jaque é uma pessoa linda.

e que eu sinto falta disso em mim.

pensava sobre isso quando voltava para casa… como esse é o primeiro ano em que eu não faço nada diferente…

***

«Livre é o estado daquele que tem liberdade. Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.» Jorge Furtado

ROMANCE XXIV OU DA BANDEIRA DA INCONFIDÊNCIA

Através de grossas portas,
sentem-se luzes acesas,
– e há indagações minuciosas
dentro das casas fronteiras:
olhos colados aos vidros,
mulheres e homens à espreita,
caras disformes de insônia
vigiando as ações alheias.
Pelas gretas das janelas,
pelas frestas das esteiras,
agudas setas atiram
a inveja e a maledicência.
Palavras conjeturadas
oscilam no ar de surpresas,
como peludas aranhas
na gosma das teias densas,
rápidas e envenenadas,
engenhosas, sorrateiras.

Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
brilham fardas e casacas,
junto com batinas pretas.
E há finas mãos pensativas,
entre galões, sedas, rendas,
e há grossas mãos vigorosas,
de unhas fortes, duras veias,
e há mãos de púlpito e altares,
de Evangelhos, cruzes, bênçãos.
Uns são reinóis, uns, mazombos;
e pensam de mil maneiras;
mas citam Vergílio e Horácio
e refletem, e argumentam,
falam de minas e impostos,
de lavras e de fazendas,
de ministros e rainhas
e das colônias inglesas.

Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
uns sugerem, uns recusam,
uns ouvem, uns aconselham.

Se a derrama for lançada,
há levante, com certeza.
Corre-se por essas ruas?
Corta-se alguma cabeça?
Do cimo de alguma escada,
profere-se alguma arenga?
Que bandeira se desdobra?
Com que figura ou legenda?
Coisas da Maçonaria,
do Paganismo ou da Igreja?
A Santíssima Trindade?
Um gênio a quebrar algemas?

Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre sigilo e espionagem,
acontece a Inconfidência.
E diz o Vigário ao Poeta:
“Escreva-me aquela letra
do versinho de Vergílio…
E dá-lhe o papel e a pena.
E diz o Poeta ao Vigário,
com dramática prudência:
“Tenha meus dedos cortados,
antes que tal verso escrevam…
LIBERDADE, AINDA QUE TARDE,
ouve-se em redor da mesa.
E a bandeira já está viva,
e sobe, na noite imensa.
E os seus tristes inventores
já são réus – pois se atreveram
a falar em Liberdade
(que ninguém sabe o que seja).

Através de grossas portas,
sentem-se luzes acesas,
– e há indagações minuciosas
dentro das casas fronteiras.
“Que estão fazendo, tão tarde?
Que escrevem, conversam, pensam?
Mostram livros proibidos?
Lêem notícias nas Gazetas?
Terão recebido cartas
de potências estrangeiras?”
(Antiguidades de Nimes
em Vila Rica suspensas!

Cavalo de La Fayette
saltando vastas fronteiras!
Ó vitórias, festas, flores
das lutas da Independência!
Liberdade – essa palavra
que o sonho humano alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda!)

E a vizinhança não dorme:
murmura, imagina, inventa.
Não fica bandeira escrita,
mas fica escrita a sentença.

O Romanceiro da Inconfidência
CECÍLIA MEIRELES