Archive for the 'Tim Maia – Sebastião Rodrigues Maia' Category

o microbioma e o dia de reis

2019, janeiro 6, domingo

acordei cedo. tenho andado cansado e um tanto irritado…

acordei em tempo de ver minha mãe antes de ela ir trabalhar, e enquanto mateava, ela lembrou que hoje é dia de reis, dia de comer doce, pois era o dia de desmanchar a árvore e o presépio e as crianças comiam os doces da árvore.

na hora lembrei de tim.

A Festa do Santo Reis – Tim Maia

t54169105-b1424731487_s400Hoje é o dia do Santo Reis / Anda meio esquecido / Mas é o dia da festa do Santo Reis / Hoje é o dia do Santo Reis / Anda meio esquecido / Mas é o dia da festa do Santo Reis / Eles chegam tocando sanfona e violão / Os pandeiros de fita carregam sempre na mão / Eles vão levando, levando o que pode / Se deixar com eles, eles levam até os bode / É os bode da gente, é os bode méé / É os bode da gente, é os bode méé / Hoje é o dia do Santo Reis hum / Hoje é o dia do Santo Reis, hoje é o dia / Hoje é o dia do Santo Reis, é o dia da festa // Compositores: Marcio Leonardo Sossio
e ouvi isto pela tarde um bocado de caetano e de gil…

Back In Bahia – Gilberto Gil

download (1)Lá em Londres, vez em quando me sentia longe daqui / Vez em quando, quando me sentia longe, dava por mim / Puxando o cabelo / Nervoso, querendo ouvir Celly Campelo pra não cair / Naquela fossa / Em que vi um camarada meu de Portobello cair / Naquela falta / De juízo que eu não tinha nem uma razão pra curtir / Naquela ausência / De calor, de cor, de sal,de sol, de coração pra sentir / Tanta saudade / Preservada num velho baú de prata dentro de mim // Digo num baú de prata porque prata é a luz do luar / Do luar que tanta falta me fazia junto do mar / Mar da Bahia / Cujo verde vez em quando me fazia bem relembrar / Tão diferente / Do verde também tão lindo dos gramados campos de lá / Ilha do norte / Onde não sei se por sorte ou por castigo dei de parar / Por algum tempo / Que afinal passou depressa, como tudo tem de passar / Hoje eu me sinto / Como se ter ido fosse necessário para voltar / Tanto mais vivo / De vida mais vivida, dividida pra lá e pra cá // Lá em Londres, vez em quando me sentia longe daqui / Vez em quando, quando me sentia longe, dava por mim / Puxando o cabelo / Nervoso, querendo ouvir Celly Campelo pra não cair // Naquela fossa / Em que vi um camarada meu de Portobello cair / Naquela falta de juízo que eu não tinha nem uma razão pra curtir / Naquela ausência / De calor, de cor, de sal, de sol, de coração pra sentir / Tanta saudade / Preservada num velho baú de prata dentro de mim // Digo num baú de prata porque prata é a luz do luar / Do luar que tanta falta me fazia junto do mar / Mar da Bahia / Cujo verde vez em quando me fazia bem relembrar / Tão diferente / Do verde também tão lindo dos gramados campos de lá / Ilha do norte / Onde não sei se por sorte ou por castigo dei de parar / Por algum tempo / Que afinal passou depressa, como tudo tem de passar / Hoje eu me sinto / Como se ter ido fosse necessário para voltar / Tanto mais vivo / De vida mais vivida, dividida pra lá e pra cá

e que cabelo bonito o de caetano.

Asa Branca – Caetano Veloso

download (2)

Quando olhei a terra ardendo / Qua fogueira de São João / Eu perguntei a Deus do céu, uai / Por que tamanha judiação / Eu perguntei a Deus do céu, uai / Por que tamanha judiação / Que braseiro, que fornalha / Nem um pé de prantação / Por farta d’água perdi meu gado / Morreu de sede meu Alazão / Por farta d’água perdi meu gado / Morreu de sede meu Alazão / Inté mesmo a asa branca / Bateu asas do sertão / Intonce eu disse a deus Rosinha / Guarda contigo meu coração / Intonce eu disse a deus Rosinha / Guarda contigo meu coração / Hoje longe muitas léguas / Nessa triste solidão / Espero a chuva cair de novo / Para mim vortar pro meu sertão / Espero a chuva cair de novo / Para mim vortar pro meu sertão / Quando o verde dos teus olhos / Se espalhar na prantação / Eu te asseguro, não chore não, viu / Que eu vortarei, viu, meu coração / Eu te asseguro, não chore não, viu / Que eu vortarei, viu, meu coração // Compositores: Humberto Teixeira / Luiz Gonzaga

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e achei isto interessante essa reportagem de James Gallagher, da BBC:

«A maior parte do seu corpo não é humana»

resumidademente diz ela que somos mais micróbio do que humano. se contarmos todas as células, e retirarmos a parte do microbioma, resta apenas 43% humano.
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fiz bolhas nas mãos… ajudando na passagem da fiação. amanhã termina a parte elétrica da casa… segunda e terça é dia de encaixotar tudo daqui. quarta-feira limpeza da casa nova… e até domingo próximo mudança.

alright now! won’t you listen?

2018, dezembro 14, sexta-feira

em poucos minutos vai chover horrores

mas por enquanto, vamos neste mashup cabuloso…

Black Sabbath vs. Tim Maia – Sweet Leaf¹ / Ela Partiu²

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quando regressava… um cobra cruzou o caminho… logo depois… uma aranha… e mais acima, uma lagartixa… achei engraçado, mas confesso que a primeira me deu um susto danado… mas é esse calor absurdo… essa estrada de chão batido… esse mato todo ao redor.

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dia de despedida, acabou… fechei com todas as turmas da manhã e da noite. começar contagem regressiva… 4 dias para por os diários em dia, 1 dia para despedida das turmas que faltam… uma semana para férias.

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amarrando fragmentos da aula de hoje (115/116) com excertos reproduzidos por Fábio de Oliveira Ribeiro, no seu texto “Vigilante-Censor Netflix Pós-Democrático

«A razão neoliberal se sustenta diante da hegemonia do vazio do pensamento expressa no visível empobrecimento da linguagem, da ausência de reflexão e de uma percepção democrática de baixíssima intensidade. Qualquer processo reflexivo ou menção aos valores democráticos representam uma ameaça a esse projeto de mercantilização do mundo. Não por acaso, a razão neoliberal levou à substituição do sujeito crítico kantiano pelo consumidor acrítico, do sujeito responsável por suas atitudes pelo ‘a-sujeito’ que protagoniza a banalidade do mal, que é incapaz de refletir sobre as consequências de seus atos.» (Sociedade sem Lei, Rubens R.R, Casara, editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2018, p. 94/95)

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«…Os privilégios de uma classe condenam a outra à precariedade eterna, já que não lhe sobra tempo para nada. Enquanto isso, a classe opressora tem cada vez mais oportunidades de avançar e obter conhecimento e riqueza.

A esse aspecto econômico se soma o sadismo, presente no cerne de toda sociedade fundada no trabalho escravo. Ninguém escraviza o outro sem, ao mesmo tempo, negar-lhe a humanidade. Como o outro não deixa de ser humano e resiste na medida do possível, nem que seja por meio de pequenas sabotagens, a humilhação tem de ser reforçada a cada dia. É preciso mostrar que o outro é inferior e está ali apenas para servir.

Com o tempo, o exercício da humilhação se torna prazeroso, multiplicando-se sob as formas da piada suja, do chiste aparentemente apenas de brincadeira, do insulto direto, do preconceito de classe e de raça e, não menos importante, do abuso.» (A classe média no espelho, Estação Brasil, Rio de Janeiro,2018, p. 72)

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«Obedecer e compreender uma regra social é antes de tudo uma prática aprendida, e não um conhecimento. A ‘prática’ pode ser articulável, pode explicitar razões e explicações para o seu ‘ser desse modo e não de qualquer outro’, quando desafiada a isso. Mas na maior parte das vezes esse pano de fundo inarticulado permanece implícito, comandando silenciosamente nossa atividade prática e abrangendo muito mais que a moldura das nossas representações conscientes.» (A tolice da inteligência brasileira, Jessé Souza, Leya, Rio de Janeiro, 2018, p. 175)

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pela tarde, dormir no sofá, digitar notas, matear e passear com dora, a cã.

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meio dia… almoço com a filha.

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acordar no susto. ducha e correr. três aulas. dor no dente estranha e aleatória (Assim como veio, não voltou mais). aulas da manhã finalizadas. ração para o cão comprada e cochilo no ônibus.

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nota de rodapé:

¹ Sweet Leaf / Black Sabbath / Composição: Bill Ward, Geezer Butler, Ozzy Osbourne e Tony Iommi // Alright now! / Won’t you listen? / When I first met you, didn’t realize / I can’t forget you or your surprise / You introduced me to my mind / And left me watching you and you kind / Oh, yeah / I love you / Oh, you know it / My life was empty, forever on a down / Until you took me, showed me around / My life is free now, my life is clear / I love you sweet leaf though you can’t hear / Oh, yeah! / Come on now, try it out / Straight people don’t know what you’re about / They put you down and shut you out / You gave to me a new belief / And soon the world will love you sweet leaf / Oh, yeah, baby! / Come on now! Oh, yeah! / Try me out, baby! / Alright! Oh, yeah-ah! / I want you part of this sweet leaf! / Oh, yeah! / Alright, yeah, yeah, yeah, oh, try me out / I love you, sweet leaf, oh

² Ela Partiu / Tim Maia // Composição: Beto Cajueiro e Tim Maia // Ela partiu, partiu e E nunca mais voltou / Ela sumiu, sumiu e nunca mais voltou / Ela partiu, partiu e nunca mais voltou / Ela sumiu, sumiu e nunca mais voltou / Se souberem onde ela está digam-me e eu vou lá buscá-la / Pelo menos telefone em seu nome, me dê uma dica, uma pista, insista / Ei! E nunca mais voltou, ela partiu, partiu e nunca mais voltou / Ela sumiu, sumiu e nunca mais voltou / Se eu soubesse onde ela foi, iria atrás / Mas não sei mais nem direção / Várias noites que eu não durmo / Um segundo / Estou cansado / Magoado, exausto…

repetir repetir – até ficar diferente.

2013, fevereiro 12, terça-feira

«Nullum est i a m dictum, quod non dictum sit prius. [Terêncio, Eunuchus, Prologus 41]» citação extraída de <Escrita em Espiral, de Ricardo Alexandre Rodrigues>

Mais sobre Eunuchus de Terêncio aqui <Eunuchus de Terêncio: estudo e tradução. Dissertação de Nahim Santos Carvalho Silva>

***

Tim Maia – Racional: Vol. 1 [1975]

Artista: Tim Maia Álbum: Racional: Vol. 1 Gêneros: Soul, Funk, MPB Lançamento: 1975 Qualidade: 160kbps Faixas: 1. “Imunização Racional (Que Beleza)” (0:005:11) 2. “O Grão Mestre Varonil” (5:115:35) 3. “Bom Senso” (5:3510:44) 4. “Energia Racional” (10:4410:58) 5. “Leia o Livro Universo em Desencanto” (10:5813:48) 6. “Contato com o Mundo Racional” (13:4816:54) 7. “Universo em Desencanto” (16:5420:40) 8. “You Don’t Know What I Know” (20:4021:18) 9. “Rational Culture” (21:1833:44) 10. “Ela Partiu” (bônus) (33:4438:24) 11. “Meus Inimigos” (bônus) (38:2442:12)

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exercício sobre o não

Os traços se desmaterializam diante de mim.
A luz não mais incide e os olhos não mais brilham.
Os ângulos não estão ali.

É só um buraco na paisagem o que restou.

Janeiro, 2013

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exercício sobre o jovem garapuvu

O jovem garapuvu me olha
trocamos signos – eu, poema
ele, poeta.

Janeiro, 2013

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exercício sobre a brutalidade

Os pés brutos exibem
assim sem pudor, desnudos,
as rachaduras, os calos,
o descuido, a lida.

E as mãos brutas exibem,
também nuas,
os cortes, as marcas,
a aspereza, a lavra

E os olhos incrédulos,
observam a nudez das coisas,
das gentes, dessa vida
cravada de beleza crua

do próprio corpo forjado
feito de cotidiano operário

do bruto concreto
da poesia bruta

Exercícios incompletos

os olhos
suave
flutuam
os acordes
borbulham
o violão mergulha
a água desliza
e cada novo acorde
é um novo gole
um novo corte
um novo golpe

suave, as ondas flutuam.

***

A Carpa corta
a água que cai
N’água

***

A truta tritura
A água que cai.

25, Janeiro 2013.