Archive for the 'Tradução' Category

aisumasen (i’m sorry)

2019, janeiro 4, sexta-feira

revi westworld… a segunda temporada, e lembrei de como eu era fascinado, quando garoto, pelo japão medieval… acho que comigo começa com os tokusatsu [Lion Maru, Jiraya, ou antes, pelas culturas… na coleção povos do passado], mas depois vai pelas horas intermináveis pesquisando nas bibliotecas sobre cultura japonesa… e do meu fascínio quando achei aquele livro do leminski… bashô.

basho 2-thumb-800x1094-160414

e porque remexia os livros cá, pois logo hei de mudar para a minha casa nova… encontrei a belíssima edição do livro do andré stolarski

lapidar o dia
até derreter o sol
na lâmina do mar

Jpeg

e nisso lembrei que outro dia descobri que o termo em japonês para os três brancos é sanpakuo. e por que me chamou atenção? porque quando ouvi o termo, lembrei no mesmo instante que alguém tempos atrás [noé], lá pelas bandas de 2003, reparou que meu olhos tinham os três brancos… lembro dele comentando comigo e com isabel, sua mãe. eu não entendi, sei que tinha alguma relação com macrobiótica… mas eu não me recordava o porquê… não sabia porque essa característica do meu olhar tinha lhe chamado tanto atenção. e de fato, nem recordava desta história até ouvir o termo, por esses dias, e hoje fui pesquisar… nada demais, mas…

achei essa belezura…

When I’m down, really yin
And I don’t know what I’m doing
Aisumasen, aisumasen Yoko
All I had to do was call your name
All I had to do was call your name
And when I hurt you and cause you pain
Darlin I promise I won’t do it again
Aisumasen, aisumasen Yoko
It’s hard enough I know just to feel your own pain
It’s hard enough I know to feel, feel your own pain
All that I know is just what you tell me
All that I know is just what you show me
When I’m down, real sanpaku
And I don’t know what to do
Aisumasen, aisumasen Yoko san
All I had to do was call your name
Yes, all I had to do was call your name
Compositores: John Lennon

zéfiní, no mais… vida de artista

2018, dezembro 18, terça-feira

notas da madrugada:

relendo este hipertexto e seus fragmentos… reencontrei tantos personagens, eus de outras fases… o que me fez sentir vontade de virar papéis… redescobrir outros passados adormecidos, achar algumas lacunas destes personagens guardados pelas caixas e arquivos de papéis.

para o dia em que esqueça, eu reconheça-me, outros em mim.

e sobre o espaço, há um gato e um vaga-lume se encarando… há um vaga-lume neste quarto. dois gatos, um humano e tantas formigas, de tamanhos e formas distintas… mas ainda formigas. é tudo meio selvagem essa coisa de viver.

e há um pé direito alto neste quarto… era desejo, meu desejo há quase vinte anos atrás. mas nunca morei antes aqui… pelos labirintos da vida, pela separação de meus pais… o quarto que idealizei nunca havia sido meu de uso… e só neste ano é que vivi por cá (hospedando-me em casa de minha mãe, enquanto a minha segue em des/construção]… vou experienciando aquilo que ideei.

mas o ano voou e é tempo de partir… deixar o quarto com seu pé direito alto, a casa passageira… esse ano passando. conhecer um novo personagem… um novo lar.

[01h52 fim, por enquanto]

notas da manhã:

acorda cedo para finalizar o que não foi finalizado. prazo: 8 a.m. anota coisas para ler depois. controla o sono… foca. trabalho primeiro/distração depois. [06h57 fim, por enquanto]

***

A CONSOLIDAÇÃO DA SOCIAL DEMOCRACIA NO BRASIL: FORMA TARDIA DE DOMINAÇÃO BURGUESA NOS MARCOS DO CAPITALISMO DE EXTRAÇÃO PRUSSIANO-COLONIAL“, por Anderson Deo.

Sonnet 98 - William Shakespeare

«From you have I been absent in the spring,
When proud-pied April dress’d in all his trim
Hath put a spirit of youth in every thing,
That heavy Saturn laugh’d and leap’d with him.

Yet nor the lays of birds nor the sweet smell
Of different flowers in odour and in hue
Could make me any summer’s story tell,
Or from their proud lap pluck them where they grew;

Nor did I wonder at the lily’s white,
Nor praise the deep vermilion in the rose;
They were but sweet, but figures of delight,
Drawn after you, you pattern of all those.

Yet seem’d it winter still, and, you away,
As with your shadow I with these did play:»

«Ausente andei de ti na primavera,
Quando o festivo Abril mais se atavia,
E em tudo um’ alma juvenil pusera
Que até Saturno saltitava e ria.

Mas nem gorgeio d’ aves, nem fragrância
De flores várias em matiz e odores,
Moveram-me a compor alegre estância
Ou a colher, do seio altivo, as flores.

Nem me tocou a palidez do lírio,
Nem celebrei o vermelhão da rosa;
Eram não mais que imagens de um empíreo
Calcado em ti, padrão de toda cousa.

Inverno pareceu-me aquela alfombra,
E me pus a brincar com tua sombra.» 

SHAKESPEARE, William. Os melhores sonetos. Tradução de Ivo Barroso. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013.

notas da primeira tarde:

[12h18] há vários poemas esperando pelo fim. triste e estranho quando você se dá conta que só tem a passagem pra ir… falta a grana pra voltar. terminou? há mais uma tarde para a vida toda… é preciso ser a poesia. ontem alguém me dizia… exu não é o diabo não. e hoje, entre as nove e as onze, no «entre-acordado», na«soneca com chave» [hipnagogia], eu tive sonhos, guardo reminiscencias. sou um delírio ambulante… e é preciso partir, ‘bora.

[13:32] nota mental: não saia sem um pedaço de papel, uma caneta… pois as vezes é preciso anotar o itinerário de onde o pensamento te leva:

indo. acordo cedo, mas atraso pra vida, essa ali de fora… lá vou eu atrasado, correndo, no limite… e no mais, vida de artista. depois de minutos desenosando o fone pro ouvido… aleatoriamente ouço itamar¹, de onde parei na última vez, e nem lembro mais quando ouvi música no busão…

mas por esses dias… essa minha genética me faz querer o frio, pois essa dupla, el niño & verano estragam meu asseio… cinco minutos na rua e já tomei um [auto]banho de suor.

¹ Itamar Assumpção – Pretobrás: Por Que Que Eu Não Pensei Nisso Antes? (1998) Álbum Completo [Último álbum lançado em vida por Itamar, Pretobrás saiu em 1998 pelo selo Atração Fonográfica. Planejado como parte de uma trilogia, os dois álbuns seguintes foram lançados postumamente pelo selo Sesc]

01. 00:00 Cultura Lira paulistana 02. 05:36 Abobrinhas não 03. 07:59 Vá cuidar da sua vida 04. 12:04 Pretobrás 05. 16:07 Extraordinário 06. 17:11 Vida de artista 07. 20:52 Dor elegante 08. 24:20 Pöltinglen 09. 27:03 Vou de vai-vai 10. 31:09 Por que eu não pensei nisso antes 11. 36:28 Apaixonite aguda 12. 37:43 Já Que Tem Que 13. 41:03 Outras Capitais 14. 46:14 Ich Iiebe Dich 15. 48:44 Elke Maravilha 16. 50:35 Olho no Olho 17. 54:10 Reengenharia 18. 57:50 Pesadelo 19. 01:01:13 Amigo Arrigo 20. 01:02:18 Deus Te Preteje 21. 01:06:49 Queiram ou Não Queiram

 

VIDA DE ARTISTA
de Itamar Assumpção

(De Pretobras I, 1998)

Na vida sou passageiro
Eu sou também motorista
Fui trocador, motorneiro
Antes de ascensorista
Tenho dom pra costureiro
Para datiloscopista
Com queda pra macumbeiro
Talento pra adventista
Agora sou mensageiro
Além de pára-quedista
Às vezes mezzo engenheiro
Mezzo psicanalista
Trejeito de batuqueiro
A veia de repentista
Já fui peão boiadeiro
Fui até tropicalista
Outrora fui bom goleiro
Hoje sou equilibrista
De dia sou cozinheiro
À noite sou massagista
Sou galo no meu terreiro
Nos outros abaixo a crista
Me calo feito mineiro
No mais, vida de artista.

***

eu sou a resistência. lembro de você toda vez, e isto tem sido recorrente, nestes últimos dias, que me pego admirando essas plantas miúdas que nascem sobre muros, telhados, paredes, entre lajotas… sobre o asfalto. têm sido recorrente a atração provocada pela existência delas sobre meu olhar… encantam-me esses seres vegetais, dessas miudezas da resistência às velhas árvores imemoriais.

***

notas da segunda tarde:

meta de final de ano: ler essa bagaça toda. (Neuromancer, de William Gibson)

neuromancer

comecei pela tarde… no último dia letivo de 2018. agora só faltam os conselhos de classe e zéfini. estou livre para a leitura.

ps: zéfiní é mais bonito que c’est fini.

notas da noite:

tempestade e offline. polenta tostada e feijão carioca do meu velho pai. gargalhadas com ica (mãe) e luiza (sobrinha).

sono no sofá.

e meu pai, pela tarde, fez duas portas para minha futura casa… agora falta apenas os vidros para as janelas, a finalização da fiação elétrica e casa torna-se habitável… falta pouco para voltar para o meu novo lar.

uhrpflanzen… mind’s mirror

2018, dezembro 17, segunda-feira

paulkleeuhrpflanzen_small

Uhrpflanzen, de Paul Klee

acordei pela manhã, mas voltei a dormir. meu corpo pedia cama, mais cama (esse universo que permite saltar no tempo). e a contagem regressiva começou… menos de doze horas para finalizar tudo. eu e o papel, eu e os papéis… mas antes de começar qualquer coisa… eu sou um personagem, e essa história é sobre a imagem da verdade, e sobre os olhos incompreensíveis de quem me olha, e de como olho o tempo, e os corpos no tempo… e como as imagens vão se sobrepondo, no limite… será que acredito no que você vê? o que há além de você?

tudo é sobre o limite, esse coisa presente.

colagens, imagens sobre imagens. pele sobre pele.

*

Documentário de Adriana L. Dutra

Wislawa Szymborska, no livro Um Amor Feliz Wislawa Szymborska, nolivro Um amor feliz, tradução de Regina Przybycien, edição da Companhia das Letras.)

*

«O erotismo é um dos aspectos da vida interior do homem. Nisso nos enganamos porque ele procura constantemente fora um objeto de desejo. Mas este objeto responde à interioridade do desejo. A escolha de um objeto depende sempre dos gostos pessoais do indivíduo: mesmo se ela recai sobre a mulher que a maioria teria escolhido, o que entra em jogo é freqüentemente um aspecto indizível, não uma qualidade objetiva dessa mulher, que talvez não tivesse, se ela não nos tocasse o ser interior, nada que nos forçasse a escolhe-la. Em resumo, mesmo estando de acordo com a maioria, a escolha humana difere da do animal: ela apela para essa mobilidade interior, infinitamente complexa, que é típica do homem. O animal tem ele próprio uma vida subjetiva, mas essa vida, parece, lhe é dada, como acontece com os objetos sem vida, de uma vez por todas. O erotismo do homem difere da sexualidade animal justamente no ponto em que ele põe a vida interior em questão. O erotismo é na consciência do homem aquilo que põe nele o ser em questão. A própria sexualidade animal introduz um desequilíbrio e este desequilíbrio ameaça a vida, mas o animal não o sabe. Nele nada se abre que se assemelhe com uma questão.
Seja como for, se o erotismo é a atividade sexual do homem, o é na medida em que ela difere da dos animais. A atividade sexual dos homens não é necessariamente erótica. Ela o é sempre que não for rudimentar, que não for simplesmente animal..» Bataille, Georges. O erotismo / Georges Bataille; tradução de Antonio Carlos Viana. — Porto Alegre : L&PM, 1987. 260 p

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