Archive for the 'William Gibson – William Ford Gibson' Category

mas de qualquer jeito, nunca fomos de muita conversa… então não pense duas vezes, está tudo bem

2018, dezembro 31, segunda-feira
  • vai terminar o ano e não terminei de ler o livro. mas colo coisas:

Case sabia que em algum momento, havia começado a jogar um jogo consigo mesmo, um jogo muito antigo que não tinha nome, uma espécie de paciência final. (…) uma parte dele sabia que o arco de sua autodestruição estava ululantemente óbvio para seus clientes, que iam rareando, mas essa mesma parte se comprazia no conhecimento de que era apenas uma questão de tempo. e essa era a sua parte, que encarava a expectativa da morte com desprezo, que mais odiava pensar em Linda Lee.
Ele a conhecera numa noite de chuva num fliperama. (pág. 28) (…) a expressão no rosto dela, (…) o lábio superior igual àquela linha que as crianças desenham para representar um pássaro em movimento. (pág. 29)
(…) agora havia uma coisa nos olhos cinzentos dela que ele não conseguia ler, uma coisa que nunca vira ali antes. (pág. 31)

e há cabeça a cabeça, a corrida chino-yanque, pela tal computação quântica – e o cara da geografia pergunta/afirma:

  • Prolongamento das inovações e a administração dos ciclos longos?!!! e a teoria leninista da crise?!

procuro o poema, acho uma confeitaria… e priscilla campos me diz como degustar um bocado de matilde… vale a leitura, excelente publicação independente, vale a leitura integral do texto. tomo notas:

  • Linguagem oral e oscilação como impulso da escrita
  • Sándor Márai: “En la literatura, así como en la vida, sólo el silencio es sincero”
  • Poems e Today, de Frank O’Hara como o marco zero literário de Matilde?

Well it ain’t no use to sit and wonder why, babe
Ifin’ you don’t know by now
An’ it ain’t no use to sit and wonder why, babe
It’ll never do some how
When your rooster crows at the break a dawn
Look out your window and I’ll be gone
You’re the reason I’m trav’lin’ on
Don’t think twice, it’s all right
And it ain’t no use in a-turnin’ on your light, babe
The light I never knowed
An’ it ain’t no use in turnin’ on your light, babe
I’m on the dark side of the road
But I wish there was somethin’ you would do or say
To try and make me change my mind and stay
We never did too much talkin’ anyway
But don’t think twice, it’s all right
No it ain’t no use in callin’ out my name, gal
Like you never done before
And it ain’t no use in callin’ out my name, gal
I can’t hear ya any more
I’m a-thinkin’ and a-wond’rin’ wallkin’ way down the road
I once loved a woman, a child I am told
I give her my heart but she wanted my soul
But don’t think twice, it’s all right
So long honey babe
Where I’m bound, I can’t tell
Goodbye is too good a word, babe
So I just say fare thee well
I ain’t sayin’ you treated me unkind
You could have done better but I don’t mind
You just kinda wasted my precious time
But don’t think twice, it’s all right
e vou repetir essa canção até o sono chegar e eu conseguir dormir. pra acordar só ano que vem… ou não, pois é cedo e já tomei muito café.

zéfiní, no mais… vida de artista

2018, dezembro 18, terça-feira

notas da madrugada:

relendo este hipertexto e seus fragmentos… reencontrei tantos personagens, eus de outras fases… o que me fez sentir vontade de virar papéis… redescobrir outros passados adormecidos, achar algumas lacunas destes personagens guardados pelas caixas e arquivos de papéis.

para o dia em que esqueça, eu reconheça-me, outros em mim.

e sobre o espaço, há um gato e um vaga-lume se encarando… há um vaga-lume neste quarto. dois gatos, um humano e tantas formigas, de tamanhos e formas distintas… mas ainda formigas. é tudo meio selvagem essa coisa de viver.

e há um pé direito alto neste quarto… era desejo, meu desejo há quase vinte anos atrás. mas nunca morei antes aqui… pelos labirintos da vida, pela separação de meus pais… o quarto que idealizei nunca havia sido meu de uso… e só neste ano é que vivi por cá (hospedando-me em casa de minha mãe, enquanto a minha segue em des/construção]… vou experienciando aquilo que ideei.

mas o ano voou e é tempo de partir… deixar o quarto com seu pé direito alto, a casa passageira… esse ano passando. conhecer um novo personagem… um novo lar.

[01h52 fim, por enquanto]

notas da manhã:

acorda cedo para finalizar o que não foi finalizado. prazo: 8 a.m. anota coisas para ler depois. controla o sono… foca. trabalho primeiro/distração depois. [06h57 fim, por enquanto]

***

A CONSOLIDAÇÃO DA SOCIAL DEMOCRACIA NO BRASIL: FORMA TARDIA DE DOMINAÇÃO BURGUESA NOS MARCOS DO CAPITALISMO DE EXTRAÇÃO PRUSSIANO-COLONIAL“, por Anderson Deo.

Sonnet 98 - William Shakespeare

«From you have I been absent in the spring,
When proud-pied April dress’d in all his trim
Hath put a spirit of youth in every thing,
That heavy Saturn laugh’d and leap’d with him.

Yet nor the lays of birds nor the sweet smell
Of different flowers in odour and in hue
Could make me any summer’s story tell,
Or from their proud lap pluck them where they grew;

Nor did I wonder at the lily’s white,
Nor praise the deep vermilion in the rose;
They were but sweet, but figures of delight,
Drawn after you, you pattern of all those.

Yet seem’d it winter still, and, you away,
As with your shadow I with these did play:»

«Ausente andei de ti na primavera,
Quando o festivo Abril mais se atavia,
E em tudo um’ alma juvenil pusera
Que até Saturno saltitava e ria.

Mas nem gorgeio d’ aves, nem fragrância
De flores várias em matiz e odores,
Moveram-me a compor alegre estância
Ou a colher, do seio altivo, as flores.

Nem me tocou a palidez do lírio,
Nem celebrei o vermelhão da rosa;
Eram não mais que imagens de um empíreo
Calcado em ti, padrão de toda cousa.

Inverno pareceu-me aquela alfombra,
E me pus a brincar com tua sombra.» 

SHAKESPEARE, William. Os melhores sonetos. Tradução de Ivo Barroso. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013.

notas da primeira tarde:

[12h18] há vários poemas esperando pelo fim. triste e estranho quando você se dá conta que só tem a passagem pra ir… falta a grana pra voltar. terminou? há mais uma tarde para a vida toda… é preciso ser a poesia. ontem alguém me dizia… exu não é o diabo não. e hoje, entre as nove e as onze, no «entre-acordado», na«soneca com chave» [hipnagogia], eu tive sonhos, guardo reminiscencias. sou um delírio ambulante… e é preciso partir, ‘bora.

[13:32] nota mental: não saia sem um pedaço de papel, uma caneta… pois as vezes é preciso anotar o itinerário de onde o pensamento te leva:

indo. acordo cedo, mas atraso pra vida, essa ali de fora… lá vou eu atrasado, correndo, no limite… e no mais, vida de artista. depois de minutos desenosando o fone pro ouvido… aleatoriamente ouço itamar¹, de onde parei na última vez, e nem lembro mais quando ouvi música no busão…

mas por esses dias… essa minha genética me faz querer o frio, pois essa dupla, el niño & verano estragam meu asseio… cinco minutos na rua e já tomei um [auto]banho de suor.

¹ Itamar Assumpção – Pretobrás: Por Que Que Eu Não Pensei Nisso Antes? (1998) Álbum Completo [Último álbum lançado em vida por Itamar, Pretobrás saiu em 1998 pelo selo Atração Fonográfica. Planejado como parte de uma trilogia, os dois álbuns seguintes foram lançados postumamente pelo selo Sesc]

01. 00:00 Cultura Lira paulistana 02. 05:36 Abobrinhas não 03. 07:59 Vá cuidar da sua vida 04. 12:04 Pretobrás 05. 16:07 Extraordinário 06. 17:11 Vida de artista 07. 20:52 Dor elegante 08. 24:20 Pöltinglen 09. 27:03 Vou de vai-vai 10. 31:09 Por que eu não pensei nisso antes 11. 36:28 Apaixonite aguda 12. 37:43 Já Que Tem Que 13. 41:03 Outras Capitais 14. 46:14 Ich Iiebe Dich 15. 48:44 Elke Maravilha 16. 50:35 Olho no Olho 17. 54:10 Reengenharia 18. 57:50 Pesadelo 19. 01:01:13 Amigo Arrigo 20. 01:02:18 Deus Te Preteje 21. 01:06:49 Queiram ou Não Queiram

 

VIDA DE ARTISTA
de Itamar Assumpção

(De Pretobras I, 1998)

Na vida sou passageiro
Eu sou também motorista
Fui trocador, motorneiro
Antes de ascensorista
Tenho dom pra costureiro
Para datiloscopista
Com queda pra macumbeiro
Talento pra adventista
Agora sou mensageiro
Além de pára-quedista
Às vezes mezzo engenheiro
Mezzo psicanalista
Trejeito de batuqueiro
A veia de repentista
Já fui peão boiadeiro
Fui até tropicalista
Outrora fui bom goleiro
Hoje sou equilibrista
De dia sou cozinheiro
À noite sou massagista
Sou galo no meu terreiro
Nos outros abaixo a crista
Me calo feito mineiro
No mais, vida de artista.

***

eu sou a resistência. lembro de você toda vez, e isto tem sido recorrente, nestes últimos dias, que me pego admirando essas plantas miúdas que nascem sobre muros, telhados, paredes, entre lajotas… sobre o asfalto. têm sido recorrente a atração provocada pela existência delas sobre meu olhar… encantam-me esses seres vegetais, dessas miudezas da resistência às velhas árvores imemoriais.

***

notas da segunda tarde:

meta de final de ano: ler essa bagaça toda. (Neuromancer, de William Gibson)

neuromancer

comecei pela tarde… no último dia letivo de 2018. agora só faltam os conselhos de classe e zéfini. estou livre para a leitura.

ps: zéfiní é mais bonito que c’est fini.

notas da noite:

tempestade e offline. polenta tostada e feijão carioca do meu velho pai. gargalhadas com ica (mãe) e luiza (sobrinha).

sono no sofá.

e meu pai, pela tarde, fez duas portas para minha futura casa… agora falta apenas os vidros para as janelas, a finalização da fiação elétrica e casa torna-se habitável… falta pouco para voltar para o meu novo lar.