Archive for the 'Zeca Baleiro – José Ribamar Coelho Santos' Category

ode descontínua e remota para flauta e oboé – de ariana para dionísio

2019, janeiro 3, quinta-feira

buscando coisas sobre o fio de ariadna, dos fragmentos da série de ontem… me deparei com isto, via Mário Amora Ramos:

Canção VI ( Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé) por Ná Ozetti

(Poema de Hilda Hilst, musicado por Zeca Baleiro)

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&

PRELÚDIOS-INTENSOS PARA OS DESMEMORIADOS DO AMOR.
I
Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.
Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.
Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.

Hilda HilstObra poética reunida, pág. 228

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calor infernal… então a gente aproveita para ver a segunda temporada de Westworld

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e eu ainda não acheio o fio de ariadne…

Nun habt ihr sie gehort die tochter des minos.
glaubt, sie zu kennen. ist sie nicht gut und schon?
einspinenn lassen habt ihr euch. von ihren worten. ihrem hübschen blick. doch glaubt mir. ein jeder, ob königstochter oder nicht, steht mit einem fuss im schatten. mit dem anderen im licht.

nimm das. es soll dich leiten. du musst tief hinein, bis in die mitte. dort im schatten wartet er. halb menrsch, halb tier. du musst schnell sein. triff ihn mitten ins herz. das ist mir einerlei. das band, das wir knüpfen… Versprich mir, das du es nie trennst.

Seit Tagen habe ich nichts gegessen. Meine Augen werden schwarz. Es geht zu Ende. So wie er einst ins Labyrinth hinabstieg… so steige ich nun in meins. Nun steh inch vor euch. Keines königs Tochter. Keines Mannes Weib. Keines Bruders Schwester. Ein loses Ende in der Zeit. So sterben wir alle gleich. Egal, in welches Haus geboren. Egal, in welches Gewand. Auf Erden kurz… oder lang gewesen. Nur ich selber knüpf mein Band. Selbst ob ich Hände reichte… oder Hände schlug… geht es für uns gleich zu Ende. Die dort oben haben uns längst vergessen. Sie richten uns nicht. Im Sterben bin ich ganz allein. Mein einziger Richter… Ich.

weapons of math destruction… é que o urubu tá querendo comer mas o boi não quer morrer

2018, novembro 26, segunda-feira

desde sábado estou assim… mas nesse domingo foi além… o que será que me dá… porque eu ando tão à flor da pele… talvez essa dificuldade de lidar com a ansiedade gerada pelas expectativas irreais… minha expectativas sobre esse eu que nunca será /a/tingido. ando a sentir-me como um bicho ferido… que facilmente ataca, que facilmente embarga… parece que choveu tristeza imensa dentro do meu peito e alagou tudo… na há cais de porto… nem lanterna dos afogados.

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«é necessário tecnologizar as ciências humanas, para ela não morrer socialmente, e é necessário humanizar as ciências exatas par a gente não morrer.»  via rodrigo mineiro.

«Não é preciso ter formação matemática para entender que uma decisão tomada por um algoritmo é injusta» Weapons of Math Destruction, de Cathy O’Neil

«Cathy O’Neil (Cambridge, 1972), doutora em matemática pela Universidade Harvard, trocou o mundo acadêmico pela análise de risco de investimento dos bancos. Achava que esses recursos eram neutros do ponto de vista ético, mas sua ideia não tardou a desmoronar. Percebeu como a matemática poderia ser “destrutiva” e empreendeu uma mudança radical: somou-se ao grupo de finanças alternativas do movimento Occupy Wall Street, que nasceu em 2011 em Nova York para protestar contra os abusos do poder financeiro, e começou sua luta para conscientizar sobre como o big data “aumenta” a desigualdade e “ameaça” a democracia. (…) A autora do livro Weapons of Math Destruction (“armas de destruição matemática”, um trocadilho com a expressão “armas de destruição em massa”, inédito no Brasil)».

“Os privilegiados são analisados por pessoas; as massas, por máquinas”

entrevista para El País/Ana Torres Menárguez

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e por sugestão/apresentação de gyo, baiano & novos caetanos (Chico Anysio, Arnaud Rodrigues e Renato Piau)

1. Vô batê pá tu 00:00 2. Nega 03:31 3. Cidadão da Mata 06:05 4. Urubu tá com raiva do Boi 09:45 5. Aldeia 12:52 6. Ciranda 15:17 7. Folia de Rei 17:47 8. Véio Zuza 21:36 9. Selva de feras 24:20 10. Tributo ao Regional 27:02 11. Dendalei 30:25

URUBU TÁ COM RAIVA DO BOI

“Legal… me amarro nesse som, tá sabendo?
O medo, a angústia, o sufoco, a neurose, a poluição
Os juros, o fim… nada de novo.
A gente de novo só tem os sete pecados industriais.
Diga Paulinho, diga…
Eu vou contigo Paulinho, diga”
Urubu tá com raiva do boi
E eu já sei que ele tem razão
É que o urubu tá querendo comer
Mas o boi não quer morrer
Não tem alimentação
Urubu tá com raiva do boi
E eu já sei que ele tem razão
É que o urubu tá querendo comer
Mas o boi não quer morrer
Não tem alimentação
O mosquito é engolido pelo sapo
O sapo a cobra lhe devora
Mas o urubu não pode devorar o boi:
Todo dia chora, todo dia chora.
Mas o urubu não pode devorar o boi:
Todo dia chora, todo dia chora.
“O norte, a morte, a falta de sorte…
Eu tô vivo, tá sabendo?
Vivo sem norte, vivo sem sorte, eu vivo…
Eu vivo, Paulinho.
Aí a gente encontra um cabra na rua e pergunta: ‘Tudo bem?’
E ele diz pá gente: ‘Tudo bem!’
Não é um barato, Paulinho?
É um barato…”
Urubu tá com raiva do boi
E eu já sei que ele tem razão
É que o urubu tá querendo comer
Mas o boi não quer morrer
Não tem alimentação
Urubu tá com raiva do boi
E eu já sei que ele tem razão
É que o urubu tá querendo comer
Mas o boi não quer morrer
Não tem alimentação
Gavião quer engolir a socó
Socó pega o peixe e dá o fora
Mas o urubu não pode devorar o boi
Todo dia chora, todo dia chora
Mas o urubu não pode devorar o boi
Todo dia chora, todo dia chora
“Nada a dizer… nada… ou quase nada…
O que tem é a fazer: tudo… ou quase tudo…
O homem, a obra divina…
Na rua, a obra do homem…
Cheiro de gás, o asfalto fervendo, o suor batendo
O suor batendo (4x)

Composição: Geraldo Nunes / Venâncio

 

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«O fotógrafo canadense Edward Burtynsky é um mestre do sublime pós-industrial. Seu ponto de vista abrangente é, no mínimo, ambivalente. Seus tiros, mais recentemente tirados do ponto de vista mais legal possível de um helicóptero e às vezes de um satélite, são à primeira vista surrealistas e gloriosos, mas eles têm uma sinistra ressaca documental .(…) “Os cientistas fazem um trabalho muito terrível de contar histórias, enquanto os artistas têm a capacidade de levar o mundo e torná-lo acessível para todos“, argumenta Burtynsky . De acordo com seu novo livro Antropoceno , estima-se que atualmente sejam necessários 60 bilhões de toneladas de material anualmente (biomassa, combustíveis fósseis, minérios metálicos, minerais industriais e de construção) para alimentar o metabolismo global da humanidade. As imagens de Burtynsky oferecem uma visão perturbadora de como estamos consumindo a Terra em um ritmo alarmante – além de dar uma ideia da escala em que estamos despejando tudo de volta, em pilhas gigantescas, córregos e lagoas» por Cameron Laux/BBC

leia mais e veja as imagens em: http://www.bbc.com

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vem, vambora.

2011, abril 15, sexta-feira

quero-me [ser forte] para o que é simples. e os passos diários naquela direção ali, para frente [neste redemoinho de horror]. quero conhecer-me [com ela], criança, sem pressa e sem planos. quero pouco posto que haverá [muito] tempo para o que importa. e não sei de amanhã de fato. sei que o confronto e contradição e luta se faz assim: construindo escadas e jardins [qual hoje] e pontes entre o passado e o futuro humano. sim, tenho saudades do futuro. sim, eu posso e estou indo.

tenho [tantos] planos.
tenho [tantos] dias.
tenho [tantas] tarefas.
tenho [boa] companhia.
tenho-me [no meio disto tudo].

e tudo é assim… muito lento: o cuidado, os descuidos, e nossas acuidades.

e que sea lo que sea.
e que venham mais vinte e poucos porque algo me diz que vai ser sempre assim: as vezes eu me preservo, e noutras me suicido.